Felipe Nasr está de volta à GP2
Felipe Nasr está de volta à GP2

Felipe Nasr começa nesta terça-feira, dia 11, a terceira campanha na tentativa de conquistar o título da GP2. Depois de ser anunciado como reserva da Williams na F1, o brasileiro confirmou a renovação de contrato com a Carlin e já vai participar dos três dias de treinos coletivos da categoria de acesso em Abu Dhabi nesta semana.

Como já escrevi aqui no World of Motorsport, o resultado de Nasr neste ano na GP2 é o que menos importa. Assim como Marcus Ericsson, Kamui Kobayashi, Jules Bianchi – e muitos outros – mostraram nos últimos anos, o principal é ter patrocínio e/ou apoio necessário para chegar à F1 e estar no lugar certo e na hora certa no mercado de pilotos.

E patrocínio o brasileiro tem. Ele é apoiado pelo Banco do Brasil, está trabalhando junto com a Petrobras na Williams e no ano passado contou com o investimento em menor grau da Sky, da Noma e do UniCeub, além das empresas de Eike Batista, antes da crise que as assolou.

Aliás, por causa dessa lista extensa de investidores, há quem já tenha chamado Nasr de pagante ao arrumar a vaga de reserva na Williams. É verdade que o dinheiro foi importante para que o brasileiro fechasse negócio em Grove, assim como também foi importante ser empresariado por Steve Robertson.

Ninguém é cliente do homem que descobriu Jenson Button e Kimi Raikkonen apenas porque pode pagar por isso. O que Nasr também leva à Williams e à Carlin é um currículo vitorioso, tendo superado Kevin Magnussen para conquistar o título da F3 Inglesa e vencido a batalha com Robin Frijns na época da F-BMW Europeia. Além de ser um piloto inteligente, constante, rápido e que não é de cometer erros.

Dito isso, o maior desafio do brasileiro na GP2 2014 é ser relevante. Embora já tenha passado dois anos na categoria, sempre em equipes de ponta, o piloto jamais largou na pole-position, não marcou nenhuma volta mais rápida e também não sabe o que é subir ao degrau mais alto do pódio.

Mesmo com a bisonha campanha do ano passado, Marcus Ericsson pavimentou o caminho à F1 com uma vitória, duas poles, três voltas mais rápidas e ter sido retirado da prova em acidentes que não teve culpa quando estava na liderança. No caso de Nasr, o que se espera para este ano é disso para melhor.

O carro da Carlin em 2013 era um dos mais bonitos da GP2
O carro da Carlin em 2013 era um dos mais bonitos da GP2

Para conseguir alcançar a sonhada primeira vitória na GP2, o brasileiro conta com uma providencial mudança no regulamento para 2014. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, a partir de agora os pilotos serão obrigados a usar os dois compostos na corrida longa do fim de semana.

Quem acompanhou a GP2 no último campeonato lembra que alguns competidores levavam vantagem nos sábados ao fazer uma estratégia baseada no uso de dois jogos de pneus duros – chamada de Prime/Prime – para não sofrer com a degradação. Por outro lado, esses pilotos eram obrigados a abrir mão da corrida do domingo, uma vez que o desgaste da borracha macia os impedia de completar a prova curta de uma forma competitiva.

Durante boa parte de 2013, Nasr se recusou a usar a Prime/Prime, pois sabia que precisava somar bons pontos nas duas provas do fim de semana se quisesse ser campeão. Foi nessa parte do campeonato que ele foi melhor. No entanto, como as outras equipes começaram a abusar dessa tática, ele começou a ser ultrapassado quando estava na briga por vitórias e pódios, o que tornava a estratégia convencional não mais recompensadora.

Como agora o uso dos dois pneus é obrigatório, a normalidade volta à GP2. Isto é, quem tiver uma boa posição de largada, não perder posições no começo da corrida e tiver um ritmo competitivo não terá as chances de brigar pela vitória prejudicada porque um adversário resolveu ir para o tudo ou nada depois de largar lá atrás. Como Nasr sempre primou pela consistência, essa mudança o ajuda.

Mesmo indo para um terceiro ano no campeonato, o brasileiro não terá vida fácil. Se quiser ser campeão, ele precisará superar os veteranos Stefano Coletti e Jolyon Palmer (ambos indo para a quarta temporada), além de Alexander Rossi e Mitch Evans, que iniciam um segundo ano na categoria. A classe de novatos de 2014, ainda que reduzida, terá Raffaele Marciello, da Academia da Ferrari, e Stoffel Vandoorne, da McLaren.