A briga que mudou a história da Nascar
A briga que mudou a história da Nascar

Há 35 anos, a Daytona 500 foi um marco na história do esporte mundial. A corrida de 1979 – a primeira da Nascar televisionada na íntegra – mostrou como uma série de eventos do acaso pode aumentar a popularidade de uma modalidade.

Naquele ano, a Nascar fechou um acordo com as emissoras de televisão para ter a principal corrida do calendário totalmente transmitida. Até 1978, as provas longas – incluindo as 500 Milhas de Indianápolis da Indy – eram exibidas em compacto ou tinham apenas as voltas finais com cobertura ao vivo.

Com o acordo, as emissoras americanas apostaram em novas tecnologias, como câmeras dentro dos carros e posicionadas próximo ao asfalto para dar sensação de velocidade.

Só que não foram os avanços tecnológicos que aumentaram a audiência. É que no dia 18 de fevereiro de 1979, uma forte nevasca atingiu a parte norte dos Estados Unidos, obrigando as pessoas a ficarem em casa. Consequentemente, tudo mundo ligou a televisão e resolveu conferir aquela novidade.

Como a história conta, a corrida foi boa. Mas o que marcou aquele fim de semana foi a briga pela vitória entre Cale Yarborough e Donnie Allison. Briga literalmente. Porque os dois bateram na última volta e, já fora do carro, trocaram socos enquanto Richard Petty cruzou a linha de chegada para comemorar o sexto triunfo em uma 500.

Ou seja, por causa de uma nevasca, um monte de gente que mal tinha noção do que era Nascar viu uma corrida ser definida na última volta com dois pilotos – irritados com o resultado – batendo um no outro. Foi o estopim para que a categoria passasse a ser acompanhada com um pouco mais de atenção.

Desde então, qualquer outra modalidade esportiva no mundo tem tentado reproduzir o efeito da Daytona 500 de 1979. Não criando uma briga, mas garantindo ao menos estar na televisão no caso de algo extraordinário acontecer.

Entretanto, esse é um fenômeno muito difícil de repetir nos dias de hoje. Mesmo se as pessoas ficarem presas dentro de casa devido a causas naturais, acompanhar uma disputa esportiva – ainda mais uma tão longa quanto uma prova de 500 milhas – não é uma alternativa tão óbvia.

Alguém até pode alegar que as redes sociais ajudariam a aumentar a audiência se acontecer algo incomum. No entanto, o próprio uso das redes sociais já é uma concorrência. Afinal, no caso de uma nova nevasca, hoje existe a opção de ficar no Twitter, Facebook, Whatsapp, entre outros. Aí, o finzinho da corrida passa a ser apenas mais um assunto comentado.

Só que a corrida deste domingo, dia 23, mostrou que ainda há esperanças para quem quer repetir o efeito da prova de 1979. Em uma soma de eventos ainda mais bizarra, a primeira etapa da Nascar em 2014 acabou sendo adiada por mais de seis horas em decorrência da forte chuva na região da Flórida.

A chuva paralisou a Daytona 500 em seis horas
A chuva paralisou a Daytona 500 em seis horas

Como a Fox Sports, canal americano que detém os direitos da categoria, precisava respeitar os contratos e ficar no ar no tempo estimado da corrida, a solução encontrada foi exibir o VT da prova do ano passado.

Embora a emissora tenha avisado diversas vezes – incluindo pelas redes sociais – que se tratava de um replay, muita gente ligou a televisão e acreditou que era a corrida de 2014, como conta essa matéria do site Motorsport.

Aliás, a situação foi tão bizarra que, quando o VT terminou, Jimmie Johnson – ganhador do ano passado – recebeu diversas mensagens de parabéns, assim como o chefe de equipe, Rick Hendrick.

Mas o golpe mais profundo veio da própria Fox. Enquanto a divisão esportiva de Rupert Murdoch terminava de exibir a prova de 2013, o canal Fox News publicou uma notícia confirmando o triunfo de Johnson. Quer dizer, trazendo para a realidade brasileira, é como se o SporTV exibisse um replay de um jogo de futebol e o portal G1 reportasse, em seguida, o resultado da partida como se fosse ao vivo. Estamos falando de estruturas que devem ficar no mesmo prédio!

Apesar de toda a bagunça, essa confusão serviu para reafirmar o poder da Daytona 500, mostrando que um monte de gente que não segue a Nascar de perto – ao ponto de não perceber se tratar de um replay – ainda se interessa pela principal corrida da temporada. E tudo graças ao que houve há 35 anos.