A volta do #3

Austin Dillon larga na frente em Daytona
Austin Dillon larga na frente em Daytona

A temporada 2014 da Nascar mal começou, mas já houve um resultado histórico. No treino classificatório disputado neste domingo, dia 16, Austin Dillon conquistou a pole-position para a Daytona 500 justamente no retorno do icônico carro de número 3 à principal divisão da categoria.

A última vez que um carro com esse numeral havia participado de uma corrida da Cup foi a Daytona 500 de 2001, quando Dale Earnhardt morreu em um acidente na última volta.

Por causa de toda essa simbologia, é claro que Dillon tinha uma pressão extra para impressionar na estreia. Afinal, além de ser visto com desconfiança por alguns torcedores mais puristas que defendiam a aposentadoria do número, não seria nada bom ele fazer feio em uma pista que tanto fez parte da história de Earnhardt.

Fora o fato histórico, a pole-position em Daytona também mostra o recomeço da RCR. Liderada por Kevin Harvick – recém-transferido para o time de Tony Stewart – nos últimos anos, a equipe ficou conhecida por ignorar os treinos classificatórios e focar apenas no bom desempenho durante a corrida.

A maior prova disso é que, entre os pilotos que venceram corridas em 2013, Harvick foi o que menos andou dentro do top-15 nas provas nas quais triunfou. Enquanto Kyle Busch passou praticamente 100% do tempo entre os 15 primeiros nas corridas em que venceu, o antigo funcionário da RCR tinha uma porcentagem menor que 60%.

Claro que essa estatística não é totalmente certeira, já que Harvick teve problemas com bandeiras amarelas em meio ao ciclo de paradas nos boxes em um dos triunfos do ano passado e precisou fazer uma corrida de recuperação, mesmo tendo um equipamento dominante.

Ainda assim, ficou claro que antes a lógica era desenvolver o carro durante a corrida, já que apenas o resultado da última volta valia. A tática deu certo. O piloto terminou o campeonato do ano passado em terceiro e, ao longo dos anos, ganhou o apelido de ‘The Closer’, por ser alguém que aparecia nos momentos de decisão.

Com Dillon – e também com Ryan Newman (especialista em classificações) – a RCR parece estar seguindo uma nova filosofia. Por mais que o desempenho em Daytona não explique muito, por ser uma volta de pé embaixo, ficou evidente que a escuderia precisou trabalhar também no desempenho em uma volta lançada. Fosse em outras épocas, o foco estaria no draft e em escalar o pelotão.

A partir de agora será interessante ver como será o desempenho da RCR nas classificações e como isso pode afetar o restante do fim de semana. Afinal, de nada vale trabalhar para largar na frente se comprometer o rendimento do carro quando é para valer, na última volta.

Em tempo: no ano passado eu escrevi aqui no World of Motorsport um texto explicando como que o grid de largada para a Daytona 500 é definido. Basta clicar aqui para ler.

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