Pedro Piquet é o grande nome da Toyota Racing Series de 2014
Pedro Piquet é o grande nome da Toyota Racing Series de 2014

Chegou a hora de deixar as festas de fim de ano para trás, ir embora da praia e prestar atenção naquilo que realmente importa: o começo da temporada 2014 do automobilismo. Embora algumas categorias já estejam realizando treinos coletivos, o primeiro campeonato começa efetivamente neste fim de semana, quando 23 carros largarão na primeira etapa da Toyota Racing Series, na Nova Zelândia.

Talvez neste momento você esteja se perguntando por que um campeonato do outro lado do mundo, em um país com pouca tradição no automobilismo, mereça tanta atenção. É justamente por ser o primeiro torneio a acontecer em 2014, em uma época de poucos noticiários para as demais categorias do globo.

Só que os neozelandeses foram mais espertos que isso. Além de realizar um certame em um período parado no resto do mundo, eles ainda conseguiram montar um formato bastante atrativo para os pilotos. São 15 provas em cinco fins de semanas consecutivos, o que dá uma média de uma corrida a cada dois dias. Nada mal para começar o ano, não é mesmo?

Por causa disso, diversos jovens talentos já trocaram as férias por uma estadia na Nova Zelândia. Sem dúvida nenhuma, o graduado de maior sucesso é Daniil Kvyat, que competiu na TRS em 2011 e será titular da Toro Rosso na F1 no próximo campeonato. Além do russo, nomes como Raffaele Marciello, Mitch Evans e os brasileiros Lucas Foresti, Bruno Bonifácio e Pipo Derani também já estiveram na terra do haka.

Para este ano, a Toyota Racing Series está passando por uma renovação do grid. Depois de a categoria ser dominada por Nick Cassidy, Lucas Auer, Alex Lynn, Felix Serralles e o próprio Bonifácio nos últimos três anos, agora chegou a hora de uma nova geração de pilotos fazer uso do campeonato da Nova Zelândia para se preparar para os próximos passos da carreira.

Jann Mardenborough volta à Nova Zelândia como favorito
Jann Mardenborough volta à Nova Zelândia como favorito

Entre os 23 inscritos, dois já largam na frente para a conquista do título de 2014. Após uma estreia muito boa no ano passado, com uma vitória e outros quatro pódios, Steijn Schothorst retorna à Oceania querendo melhorar ainda mais. Competindo pela mesma equipe M2 que levou Cassidy à taça do ano passado, o holandês terá a si mesmo como um grande adversário.

É que o 2013 do piloto não foi nada bom. Após se destacar na TRS, o piloto correu na F-Renault Eurocup pela poderosa equipe de Josef Kaufmann, mas só pontuou em quatro oportunidades. Agora, portanto, é a chance de ele mostrar que o escorregão no ultracompetitivo campeonato europeu foi apenas um deslize.

Para isso, Schothorst precisará superar Jann Mardenborough. No ano passado, o britânico descoberto pela Nissan por meio do jogo Gran Turismo, de PlayStation 3, chegou à Nova Zelândia para fazer a estreia nos monopostos. Agora ele retorna com um ano de experiência, tendo também disputado a F3 Europeia e a F3 Inglesa. Para melhorar as chances, Jann também trocou a frágil equipe ETEC pela tricampeã Giles e será o responsável por tentar levar o time ao quarto título.

Só que experiência não é certeza de resultados. Para terminar com a taça, Schothorst e Mardenborough precisarão superar um grid com 21 outros pilotos dispostos a fazer de tudo para impressionar. E dentre esses adversários, há muita gente com currículos bastante extensos nos campeonatos de base da Europa.

Um bom exemplo é Egor Orudzhev. Se Schothorst teve um ano difícil na Europa, o mesmo não pode ser falado do russo. Mesmo sendo novato, ele impressionou na F-Renault Eurocup do ano passado ao terminar com a sétima colocação na classificação final, ficando fora da zona dos pontos em apenas quatro oportunidades. Levando em conta o apoio que ele tem do banco SMP, certamente é o nome mais próximo da F1 no futuro.

Se eu fosse apostar, diria que Egor Orudzhev é quem tem o futuro mais promissor
Se eu fosse apostar, diria que Egor Orudzhev é quem tem o futuro mais promissor

Outro que também encabeça a lista de favoritos é Martin Rump. Badalado desde a época do kart, o estoniano sobressaiu em campeonatos menores da Renault no norte da Europa e agora precisa se provar contra alguns dos principais jovens talentos do mundo. O último nome de destaque é Robin Hansson, sueco atual vencedor da BMW Talent Cup, um programa da montadora alemã para permitir que jovens pilotos deem os primeiros passos da carreira.

Levando em conta que os cinco favoritos na teoria são de fora da Nova Zelândia, é provável que a TRS tenha em 2014 o primeiro estrangeiro campeão. Só que quatro pilotos serão os responsáveis por tentar manter a hegemonia do país: James Munro, Brendon e Damon Leitch e Michael Scott.

Dos quatro, Damon é quem tem melhores chances, já que ele vai para a quarta temporada da carreira na TRS. Apesar de ter um currículo semelhante ao de Luca Filippi na GP2, a verdade é que o piloto da casa terá muitas dificuldades. Ele compete pela equipe Victory, uma das mais fracas do grid, e precisará trabalhar muito se quiser superar os carros da Giles e da M2. O irmão Brendon e Scott estão nessa mesma situação.

Munro, por sua vez, estreia no certame após disputar a F-Ford local no ano passado pela equipe Neale. O time está fechado com o garoto e ainda trouxe o cingapuriano Andrew Tang, que competiu no ano passado, para servir como uma espécie de mentor. Mesmo com todas as limitações, não descarte um bom resultado dos dois.

A lista de inscritos ainda conta com pilotos com pouca experiência, mas que em breve devem brilhar no automobilismo europeu. Após competir nos principais torneios do mundo no kartismo no ano passado, Martin Kodric chegou à Nova Zelândia com o objetivo de ganhar experiência. Matevos Issakyan, por sua vez, já teve um contato com os carros ao participar da F4 Francesa em 2013 e agora espera dar voos mais altos, já que também conta com o apoio do banco SMP.

Gustavo Lima é o outro brasileiro do grid
Gustavo Lima é o outro brasileiro do grid

Por fim, mas não menos importante, chegamos aos brasileiros. Assim como aconteceu no ano passado, dessa vez teremos dois representantes no campeonato. O primeiro é Gustavo Lima, com passagens por F-Renault Alps e F4 Inglesa. Tendo já dois anos nos monopostos, o piloto de Brasília espera usar essa experiência para conseguir bons resultados.

O outro é realmente um estreante. Filho mais novo de Nelsão, Pedro Piquet estreia nos carros após uma carreira de altos e baixos nos karts. Ele venceu a Copa Brasil há alguns anos e, em 2013, triunfou em uma etapa do Troféu Academia da FIA, uma competição entre países. No entanto, a própria participação dele nesse torneio só ocorreu porque o brasileiro selecionado optou por não participar.

No entanto, nos monopostos a história vem sendo bem diferente. Pedro terá a companhia do pai na Nova Zelândia e é a grande estrela do campeonato. Toda a imprensa neozelandesa estará de olho nele, significando uma pressão a mais por resultados, o que não deixa de ser algo bastante injusto para o piloto mais jovem do grid.

Justamente por ter apenas 15 anos, o garoto poderia se conformar em andar no fim do pelotão e ficar feliz apenas por ganhar quilometragem. Mas estamos falando de um Piquet. Embora qualquer bom resultado neste momento seja lucro, não espere que ele demore muito para encontrar o caminho no meio do grid.

Você pode clicar aqui para ver a lista de inscritos completa da TRS de 2014.