A Ferrari lançou um novo campeonato nos EUA
A Ferrari lançou um novo campeonato nos EUA

O mês de janeiro é tradicionalmente parado para o automobilismo mundial. O inverno rigoroso na Europa e nos Estados Unidos impede qualquer tipo de atividade de pista, enquanto as únicas atenções estão voltadas para os lançamentos dos carros da F1. Para tentar melhorar a situação, nos últimos anos sugiram os torneios de verão, disputados em países do hemisfério sul, como uma digna pré-temporada.

O mais famoso desses campeonatos é a Toyota Racing Series, disputada na Nova Zelândia. Embora exista desde 2005, ela ganhou importância de três anos para cá, quando conseguiu atrair diversos pilotos da Europa, como Daniil Kvyat, hoje titular da Toro Rosso, e Raffaele Marciello, atual campeão da F3 Europeia.

Só que o monopólio da TRS ao longo inverno europeu acabou há dois anos. No ano passado, a categoria já teve a concorrência da MRF Challenge, da Índia, embora apenas em dois fins de semana houvesse choque de data. Em 2014, a situação é ainda melhor, com os dois certames se encontrando apenas uma vez.

Contudo, o campeonato neozelandês viu surgir um novo adversário. Para o ano que vem, a Ferrari anunciou a criação da Florida Winter Series, um torneio disputado nos Estados Unidos, nos meses de janeiro e fevereiro, com carros da F-Abarth e apoio da escuderia italiana.

Novamente, são apenas dois choques de data com a TRS, mas como eles acontecem em etapas decisivas inviabiliza algum piloto de tentar tomar parte de ambos. Por isso, uma das diversões deste mês de dezembro é acompanhar qual categoria terá o melhor grid.

Jann Mardenborough é o destaque da Toyota Racing Series
Jann Mardenborough é o destaque da Toyota Racing Series

Claro que pelo apoio da Ferrari, o campeonato americano saiu na frente. Entre os inscritos estão Jules Bianchi, da Marussia, e Simona De Silvestro, que compete normalmente na Indy. Não há dúvidas de que eles foram chamados para tentar levantar o interesse pelo certame na Europa e nos Estados Unidos, respectivamente. Fora isso, é difícil imaginar por que dois pilotos profissionais quereriam andar em carros da F-Abarth.

Isso também coloca uma situação engraçada: há um desequilíbrio tremendo. Enquanto alguns pilotos acabaram de sair do kart, outros já estão há anos nas categorias top. Aliás, já pensou como pode ser terrível para Bianchi ou Simona caso eles acabem derrotados por algum novato?

Entre os demais competidores, são os próprios pilotos da Ferrari que se destacam. Campeão da F3 Europeia, Marciello está confirmado, assim como Antonio Fuoco, que assumirá em 2014 o carro da Prema usado pelo compatriota na campanha vitoriosa. Até mesmo o canadense Lance Stroll está garantido e fará a primeira aparição nos monopostos após anos no kartismo.

De resto, os outros nomes não empolgam. Os melhores são o campeão da F3 Open (antiga Espanhola), Ed Jones, e Leonardo Pulcini, destaque do kartismo italiano. Nicholas Latifi e Dennis van de Laar pouco mostraram até agora ao longo da carreira.

A Toyota Racing Series, por outro lado, também não tem muitos motivos para comemorar. Após atrair os principais pilotos da F3 no ano passado, dessa vez a categoria está vivendo uma entressafra. Dos 16 pilotos já confirmados (de 23), o maior destaque é Jann Mardenborough, aquele garoto descoberto pela Nissan no Playstation e que já disputou a TRS no ano passado.

Depois de impressionar em 2013, o britânico trocou a equipe ETEC pela sempre favorita Gilles e chega à Nova Zelândia como principal nome para tentar tirar o título dos donos da casa. Outro que vale ficar de olho é Steijn Schothorst. Quarto colocado no ano passado, o holandês contará com a estrutura da M2 para tentar ser campeão.

Gustavo Lima é um dos brasileiros na TRS
Gustavo Lima é um dos brasileiros na TRS

O neerlandês, porém, não é um nome de peso para o grande público. Mais importante que ele, por exemplo, é a presença de Pedro Piquet, cujo sobrenome entrega o pedigree que tem. Ainda no ramo dos talentos desconhecidos, o estoniano Martin Rump é um dos bons pilotos que estará na Nova Zelândia, assim como o russo Egor Orudzhev.

Mas o mais interessante da escalação até agora é Neil Alberico. O americano, que vai competir pela equipe Victory, defenderá as cores do Team USA, uma organização criada nos Estados Unidos para dar chance a jovens pilotos nos primeiros passos da carreira, já tendo revelado nomes importantes como Jimmy Vasser e Bryan Herta.

Talvez você esteja se perguntando por que Alberico é tão importante. Para isso eu vou ter que responder com outro questionamento. Por que o Team USA optou por inscrever o garoto em um certame da Nova Zelândia, que fica literalmente do outro lado do mundo, se a Ferrari criou um campeonato nos próprios Estados Unidos para servir como concorrência?