O Delta Wing terá um piloto de F1 (reserva) em 2014
O Delta Wing terá um piloto de F1 (reserva) em 2014

A notícia mais surpreendente desta sexta-feira, dia 20, no automobilismo foi o acerto entre Alexander Rossi para pilotar o Delta Wing nas 24 Horas de Daytona. Não que o mercado de pilotos de 2014 já não esteja maluco o suficiente, mas é curioso pensar como o carro mais insólito do grid da United SportsCar conseguiu atrair o piloto americano com maiores chances de chegar à F1 em um futuro próximo.

Se tudo der certo, Rossi vai se tornar o nono piloto a guiar a curiosa máquina. Entre altos e baixos, você se lembra de todo mundo que já passou por ele?

A história do Delta Wing começou quando ainda era um projeto de Don Panoz, Ben Bowlby, com apoio da Nissan, Michelin e da equipe Highcroft, então principal escuderia da American Le Mans Series. O carro foi desenvolvido para competir na Indy, mas como a Dallara acabou vencendo a concorrência, a máquina acabou se transferindo para o endurance, para disputar a edição de 2012 das 24 Horas de Le Mans pelo regulamento da Garagem 56, destinada a tecnologias experimentais.

O problema é que a aventura em Le Mans não durou muito. Após apenas 75 voltas, o carro foi obrigado a abandonar ao ser jogado para fora da pista pelo Toyota de Kazuki Nakajima. O também japonês Satoshi Motoyama tentou consertar o equipamento sozinho para voltar aos boxes, mas sem sucesso. A aventura que também tinha Marino Franchitti e Michael Krumm terminou mais cedo.

O retorno do Delta Wing aconteceu na Petit Le Mans daquele ano. Novamente com o apoio da Nissan, o carro teve Gunnar Jeannette e Lucas Ordoñez como pilotos, e dessa vez a história foi muito melhor. É verdade que o fim de semana começou péssimo para o bólido ao ser envolvido em um grave acidente.

No entanto, a montadora nipônica conseguiu consertá-lo a tempo da corrida. Como resultado, Ordoñez e Jeannette chegaram na quinta colocação na classificação geral, com apenas seis voltas de atraso para o líder. Um resultado muito bom para uma corrida de 10h de duração.

Acho que o Delta Wing não sente falta de Gunnar Jeannette
Acho que o Delta Wing não sente falta de Gunnar Jeannette

A história do Delta Wing, porém, mudou drasticamente em 2013. Tendo perdido a maior parte dos apoiadores, Don Panoz foi obrigado a levar a máquina adianta praticamente sozinho. Para isso, acertou com a Bridgestone para o fornecimento de pneus, montou um motor Élan de 1,9 L e trouxe o veterano Dave Price para liderar a empreitada.

Só que os resultados deixaram a desejar. Com Andy Meyrick e Katherine Legge, o carro participou de cinco das primeiras seis etapas da temporada 2013 da American Le Mans Series. Foram cinco abandonos (com Oliver Pla também ao volante nas 12 Horas de Sebring) e um renascimento em Road America.

No tradicional circuito de Elkhart Lake, o Delta Wing chegou a liderar a corrida e terminou na terceira colocação na divisão LMP2, sendo o quinto colocado na classificação geral.

Em Austin, no Circuito das Americas, Panoz estreou a versão coupé – com capota do modelo – e conseguiu repetir a terceira colocação na divisão. Depois disso, Meyrick e Legge acumularam mais dois abandonos. Assim, em 2013, o Delta Wing disputou oito corridas, com dois terceiros lugares e seis desistências.

Por causa disso, não é surpresa que Price tenha dito que trabalhar na confiabilidade do carro será o maior desafio na preparação para as 24 Horas de Daytona. O lado bom é que desempenho não deve ser problema, já que a escuderia contará com o único americano com uma superlicença válida.