Raio-X da Seletiva Petrobras 2013

Em traje de gala, Olin Galli venceu a Seletiva Petrobras
Em traje de gala, Olin Galli venceu a Seletiva Petrobras

Principal competição do kartismo brasileiro, a Seletiva Petrobras conheceu nesta quarta-feira, dia 30, o campeão da edição de 2013. Olin Galli, de 17 anos, usou toda a experiência que acumulou nos carrinhos para superar 11 adversários e ganhar o prêmio de R$ 123 mil, além de um teste com a equipe HP-Tech da F2000, nos EUA.

O prêmio acabou sendo importantíssimo, afinal, como tantos outros pilotos, Galli jamais conseguiu fazer a transição para os monopostos devido à falta de orçamento. Para piorar a situação do carioca, ele ainda faz parte de uma geração praticamente perdida do automobilismo brasileiro, garotos que hoje têm mais de 16 anos e não devem receber incentivos para seguir no esporte a motor.

Como o Brasil vai receber a Copa do Mundo de futebol e as Olimpíadas nos próximos anos, os recursos destinados pelas empresas ao automobilismo têm caído drasticamente, isso sem falar na recente crise global, que deixou os ânimos para esse tipo de investimento mais contidos. Assim, os pilotos que estão na faixa etária de ir para o automobilismo europeu e pular para carros mais potentes acabam prejudicados.

É por isso que a Seletiva Petrobras deste ano – e dos próximos – ganhou importância. É verdade que o prêmio de R$ 123 mil mal paga duas etapas dependendo do campeonato, mas já é uma ajuda em uma época tão difícil. O teste na F2000, para quem não tinha perspectivas de sair do Brasil, é um bônus e o sonho de uma vida melhor.

Dito isso, você sabe quem foram os 12 pilotos que disputaram, nesta semana, a chance de seguir correndo de carro? O site Grande Prêmio, no qual trabalho, publicou as fichas dos participantes da seletiva. Eu fiz um breve levantamento para podermos entender um pouquinho melhor essa novíssima geração do automobilismo brasileiro.

seletiva idadeComo eu disse lá em cima, a idade se tornou um dos fatores-chave nessa Seletiva Petrobras devido à perspectiva de falta de investimentos. No entanto, sete pilotos podem ficar um pouco mais tranquilos. Quem tem entre 14 e 15 anos pode esperar passar Copa e Olimpíada para tentar fazer a transição para os carros e não ter o timing da carreira prejudicado.

Para os outros cinco, de 16 e 17 anos, não é o fim da linha, como Galli mostrou com o título. Mas também é preciso levar em conta que a idade média da estreia de um piloto de ponta na F1 é de 21 anos. Na Toro Rosso, António Félix da Costa, de 22, acabou sendo preterido por Daniil Kvyat, de 19, sendo que a idade foi um dos fatores que pesou na escolha.

Por outro lado, Oliver Rowland, de 21, brigou pelo título da F-Renault neste ano e Matt Bell, de 23, competiu na F4 Inglesa. Portanto, podemos dizer que a idade não é um fator determinante para quem quer seguir no esporte a motor, mas pode pesar na hora de definir quais passos dar na carreira.

seletiva estadoUma das coisas mais legais da Seletiva Petrobras é que ela reúne pilotos do país todo, já que realiza eliminatórias em diversos locais do Brasil. Em 2013, não foi diferente. As cinco regiões brasileiras tiveram representantes, com o maior número de competidores vindos do Sudeste, com seis.

Além disso, ver São Paulo e Rio Grande do Sul entre os estados com mais atletas já é algo esperado. A surpresa na Seletiva deste ano talvez tenha sido a presença de dois cariocas, já que o automobilismo no Rio de Janeiro sofre com a falta de investimento há algum tempo. A melhor explicação para isso é que, mesmo sem recursos, Galli e Renato Junior – o outro representante do estado – conseguiram a classificação pelo talento que têm.

Quem também acabou chamando a atenção foi o Tocantins, mais uma vez presente na decisão. O estado havia vencido os títulos de 2010 e de 2012 (com Felipe Fraga e João Vieira, respectivamente) e buscava o tricampeonato com Marcos Vieira, irmão mais velho do vencedor do ano passado. Dessa vez não deu, mas o aproveitamento de 50% nos últimos quatro anos não deixa de impressionar.

Por outro lado, não deixa de ser curioso o estado do Paraná – tradicionalíssimo no automobilismo brasileiro – não ter classificado ninguém entre os 12.

seletiva futuroTalvez o grande resultado das fichas publicadas pelo Grande Prêmio tenha sido perguntar aos kartistas onde eles colocariam o dinheiro se fossem campeões. A partir das respostas, dá para se ter uma ideia de como os jovens pilotos enxergam o automobilismo atual. Galli havia respondido que planejava investir no kart e na vida pessoal.

E ele não foi o único a citar o kart. Na verdade, quatro pilotos disseram que continuariam nos carrinhos, embora Pietro Rimbano e Joaquim Junqueira também tenham afirmado que planejam fazer os primeiros treinos em carro de fórmula.

Fazer a transição para os monopostos apareceu em cinco respostas. Além de Junqueira, Vinícius Papareli, Matheus Leist e Vitor Baptista já estavam de olho no próximo passo, embora nenhum deles tenha cravado uma próxima categoria a seguir. Leist e Baptista disseram que pretendem treinar de F3 aqui no Brasil (até porque é a única escolha local).

O único garoto a nomear uma categoria para o futuro foi Paulo Victor. Aos 14 anos, o mineiro planejava usar o dinheiro da Seletiva para pagar uma temporada na Skip Barber, nos Estados Unidos, e seguir rumo à Nascar.

A melhor resposta, porém, foi de Bruno Bertoncello. O gaúcho elegeu comprar um apartamento como meta. E, falando sério, acho que foi muito inteligente da parte dele.

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