Daniil Kvyat na Toro Rosso

Alguém deveria ouvir o Bernie
Alguém deveria ouvir o Bernie

Nesse mercado louco de pilotos para a temporada 2014 da F1, até mesmo os times menores resolveram surpreender. Como foi amplamente noticiado nesta segunda-feira, dia 21, a Toro Rosso chocou ao anunciar Daniil Kvyat, de apenas 19 anos, como substituto de Daniel Ricciardo no ano que vem.

A notícia é surpreendente por dois motivos. O primeiro é que todo mundo esperava que António Félix da Costa ficasse com a vaga, principalmente após o português ter vencido quatro das últimas cinco corridas da World Series by Renault na temporada passada, além do GP de Macau.

A segunda razão é que ninguém nunca ouviu falar em Kvyat, um piloto que até o ano passado ainda estava correndo de F-Renault.

Embora tenha sido uma notícia chocante, não dá para dizer que ela veio do nada. Nas últimas semanas, uma série de notícias já mostrava que algo podia acontecer na Toro Rosso. A primeira delas foi a própria negociação de Felipe Nasr com o time B da Red Bull. Embora não tenha dado em nada, já era o primeiro indício de que a vaga de Félix da Costa não era tão garantida quanto muita gente achava.

Aliás, já dava para saber que algo estava errado quando a Red Bull oficializou a promoção de Daniel Ricciardo. Naquele mesmo dia, a Toro Rosso anunciou a permanência de que Jean-Éric Vergne para 2014, mas não falou nada no segundo piloto. Se o desempenho de Félix da Costa no ano passado fosse o suficiente para garantir a vaga na F1, não teria motivos para ele ter ficado de fora dos anúncios.

A terceira movimentação aconteceu nas últimas semanas quando surgiram algumas notícias de que alguns patrocinadores russos estavam dispostos a garantir uma vaga a Kvyat na F1.

Por fim, no fim da semana passada, Stoffel Vandoorne revelou ter sido procurado pela Toro Rosso para ser companheiro de Vergne, mas acabou recusando para continuar no programa da McLaren. Neste momento, já estava claro que Félix da Costa não era mais a primeira opção da Red Bull.

Até mesmo Luiz Razia entrou nos rumores ao declarar, pelo Twitter, que “tem um rumor que estão vendendo a segunda vaga da Toro Rosso. Que novidade, estava a venda já a alguns anos.”

Não se engane, a opção por Kvyat foi técnica, não comercial
Não se engane, a opção por Kvyat foi técnica, não comercial

Então ligando um pouco os fatos, podemos chegar à conclusão de que a Toro Rosso estava procurando por dinheiro, então deixou o pobre piloto português de escanteio para buscar alguém cheio da grana. Não gostou do que ouviu de Nasr, levou um não de Vandoorne e acabou se encontrando com Kvyat, que conta com o apoio do mundo russo. Certo?

Em um primeiro momento, essa história até pode fazer sentido. Mas há alguns furos nela. Por exemplo, se desde o começo o dinheiro era o mais importante, por que a Red Bull foi atrás de Vandoorne, que não conta com grandes investidores além da McLaren? Ou então, por que Kvyat, que teve a carreira bancada pela Red Bull até agora desde o kartismo, precisava  de um patrocinador para chegar à F1? Se ele é um mero pagante, não foi uma boa ideia da escuderia ter gastado tanto dinheiro em cima dele.

Por isso, dá para se chegar a algumas respostas. A primeira é que a decisão de ignorar Félix da Costa e promover o russo foi técnica. Embora eu já tenha lido que não há dinheiro envolvido, não estou dizendo que não houve pagamento. Não sei, não posso afirmar. Mas isso pouco importa nesse momento.

O que aconteceu é que a Red Bull (leia-se Helmut Marko) perdeu a fé no luso. Enquanto ele teve a sequência vitoriosa no fim do ano passado, em 2013 somou apenas três triunfos e fechou o campeonato num distante terceiro lugar, bem longe da briga pelo título.

Outra coisa que é preciso lembrar é que a equipe austríaca acompanha esses pilotos do Junior Team 24 horas por dia. Eles sabem o quanto os pilotos estão evoluindo e como estão trabalhando. Por isso, não apenas Marko classificava Kvyat como mais talentoso que Félix da Costa, mas também outros pilotos do programa pensavam o mesmo.

Isso, no entanto, também não esconde que o passo de um carro da GP3 para a F1 é grande demais. Você pode até dizer que Valtteri Bottas fez o mesmo, mas o finlandês passou um ano testando às sextas-feiras. Kvyat, ao que tudo indica, não terá essa oportunidade, a menos que apareça no GP da Índia, de Abu Dhabi e do Brasil – o que ainda assim é pouco.

De qualquer forma é cedo demais para fazer alguma crítica ao desempenho do russo. Ninguém sabe o quanto ele pode andar na F1, e 2014 também não será um bom parâmetro para isso. É uma aposta, claro, como tantas outras da Red Bull, e pode dar certo.

10 comentários sobre “Daniil Kvyat na Toro Rosso

  1. Que tristeza.
    Tive uma ideia caros amigos: como me apetece guiar um carro de fórmula 1 para o ano, que tal fazermos uma vaquinha e depois comprar uma vaga para mim? O que acham? Não se preocupem, são os meus patrocinadores e como tal vão aparecer na lateral do carro.

    Viva a Fórmula 1! Viva os pilotos mais talentosos do mundo! Que só entram pelo talento como é óbvio 😀

    Curtir

  2. Bom, algum critério deve ter sido adotado. E que o rapazinho pode ser enxotado sem cerimônia, como outros da Red Bull, não é novidade. Mas uma pergunta: o que foi que o Nasr disse pra equipe?

    Curtir

  3. Helmut Marko promoveu alguns anos atrás o quinto colocado na GP 2, Sebastian Buemi, ficou 2 anos. Agora, a Eminência Parda da Red Bull não iria repetir o mesmo erro, promovendo o quarto colocado na world series 3.5 o Luso que ano passado no final da temporada apareceu e ganhou algumas provas e neste ano…..

    Curtir

  4. Nao da para confiar naquilo que o Helmut Marko acha ou deixa de achar. E uma pessoa intragavel e preconceituosa que nao me merece o menor credito. A verdade e que a equipa DAMS do Magnussen foi este ano claramente superior a equipa Arden Caterham, que nao esteve a altura do talento do Felix da Costa. Assim nao admira que sendo ambos igualmente talentosos o dinamarques tenha levado a melhor por larga margem. Quanto a escolha do Kvyat, nem adianta comentar. A F1 de hoje e assim, nao importa quem tem mais talento ou quem esta mais bem preparado. Sobretudo desde a crise financeira de 2008, os fatores extra-desportivos acabam muitas vezes por sobrepor-se e muitas carreiras que poderiam ser brilhantes acabam cortadas logo a partida. Felix da Costa devia ter ido para a F1 logo apos o excelente final de temporada do ano passado. Mas nao havia vagas e ja se sabe que de um ano para o outro muita coisa pode mudar. Por merito seria ele o escolhido mas a F1 atual e bem complexa e outros interesses falaram mais alto.

    Curtir

  5. É claro que este nobre colunista, que nunca escondeu a sua má-vontade em relação ao Félix da Costa – basta ler colunas passadas -, não ia perder esta oportunidade para criticar o luso…
    Dizer que a escolha pelo russo – que tem um currículo pífio – foi uma decisão técnica, soa como piada…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s