Era uma vez no México

Sergio Pérez guarda a chave tanto do mercado de pilotos quanto do calendário da F1 em 2014
Sergio Pérez guarda a chave tanto do mercado de pilotos quanto do calendário da F1 em 2014

Se dentro das pistas a F1 vive um momento de marasmo com o domínio de Sebastian Vettel, fora delas a situação está um pouco mais animada. Se já não bastasse a ampla mudança no regulamento do ano que vem, com o retorno dos motores turbo de 1,6 L, nesta sexta-feira, dia 27, o Conselho Mundial da FIA divulgou o calendário de 2014, com 22 corridas e diversas mudanças.

Entre as maiores novidades estão provas na Áustria, Rússia, México e Nova Jersey e a saída da Índia. A Coreia do Sul passará a ter a corrida disputada no início do ano, enquanto a nova etapa de Sochi entra no primeiro fim de semana de outubro.

Apesar disso, ao que tudo indica, México, Nova Jersey e Coreia disputam uma única vaga no calendário. Bizarramente, o regulamento divulgado pela FIA limita o número de provas em 2014 para 20, e essas três aparecem com aquele asterisco ao lado, dizendo que ainda precisam de aprovação.

Enquanto a prova de Nova Jersey não deve acontecer por causa da falta de dinheiro dos organizadores e o atraso nas obras, a corrida mexicana aparece como favorita para levar a vaga. Só que nas últimas semanas surgiu um problema para a realização da prova: mesmo com a presença de Telmex, existe a possibilidade de não haver pilotos mexicanos do grid da F1 no ano que vem. Assim, obviamente, os organizadores da corrida estão meio receosos em investir todo o dinheiro necessário sem a certeza de um retorno.

Esses dois correm o risco de não estar na F1 em 2014
Esses dois correm o risco de não estar na F1 em 2014

Obviamente, essa indefinição diz respeito à McLaren. Não é novidade que a equipe inglesa não está satisfeita com os resultados obtidos neste ano. Enquanto o time reconhece que o carro não é bom, também não é segredo que o equipamento melhorou nas últimas provas. Algumas conversas no paddock de Cingapura indicavam que a cúpula da escuderia inglesa acredita que o carro atual seria capaz de chegar ao pódio caso Lewis Hamilton ainda estivesse por lá.

A conclusão da McLaren, portanto, é que precisa de um superpiloto para conseguir voltar a brigar com Ferrari, Red Bull e Mercedes. O problema é que Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen estão agora amarrados a contratos complicados. Sobrou Fernando Alonso, que já não vive mais uma lua de mel na Ferrari. Daí veio a notícia da BBC que a equipe de Woking procurou o espanhol para um possível retorno, mas ouviu um não como resposta.

Embora o mercado de pilotos deste ano indica que nada deve ser descartado, Alonso provavelmente continuará em Maranello em 2014. Ao mesmo tempo, a McLaren começou a se preparar para o ano que vem. Sem um superpiloto, o time acertou a renovação de Jenson Button por mais uma temporada. Até porque pior que não contratar uma estrela é perder quem consegue seus melhores resultados.

Quanto à segunda vaga no time, é muito difícil que Pérez deixe a escuderia. Mesmo que o desempenho do mexicano não seja bom (marcou apenas 22 pontos contra 57 de Button), é muito cedo dispensar um piloto após uma única temporada. Além disso, será que o time inglês está disposto a perder o dinheiro de Telmex e Vodafone em uma só tacada e não trazer alguém endinheirado para o lugar?

Enquanto espera para responder essas questões, a McLaren resolveu deixar todas as opções abertas. Entre elas, contratar o piloto da F1 atual avaliado como dono do maior potencial: Nico Hulkenberg. A ideia é simples. Se não foi possível acertar com alguma das superestrelas da F1, então basta produzir uma própria em Woking. Caso dê errado, é só dispensar o alemão mais tarde e apostar em uma volta por cima com o mercado de pilotos agitado de 2016 e a volta dos motores Honda.

O que emperra esse acerto é que Hülk não leva dinheiro aos times. O alemão é empresariado por Werner Heinz – o mesmo de Tom Kristensen, Bruno Spengler e André Lotterer, por exemplo –, um cara das antigas, que ainda acredita na supervalorização do talento e não está muito preocupado em bater de porta em porta de empresas atrás de milhões em patrocínios.

Dá para entender por que a McLaren cogita Hulk?
Dá para entender por que a McLaren cogita Hulk?

Continuando o grid, a negociação McLaren/Hulkenberg também tem reflexos em outras equipes. Um deles, obviamente, é a Lotus, onde Felipe Massa disputa a vaga aberta com a saída de Raikkonen. Esta semana, o jornal alemão Bild disse que a escuderia de Enstone fechou com um grupo de investidores árabes e está perto de anunciar o piloto alemão. O que está impedindo a conclusão das conversas, portanto, é a opção na McLaren.

A situação de Massa comprova essa tese. O brasileiro, reportadamente, já tem um acordo com a Lotus, mas precisa levar dinheiro para assinar o contrato. O mesmo Bild diz que Felipe já se arranjou com os patrocinadores aqui no Brasil. Só que ele acaba sobrando, uma vez que a equipe já tenha escolhido Hulk.

Por ter feito toda a carreira na Ferrari, o plano B de Massa poderia ser a Sauber. E contar com o brasileiro deixa a equipe suíça animada. Eles terão Sergey Sirotkin, de apenas 18 anos, como titular em 2014 e, obviamente, precisam de alguém não só para servir de mentor para o russo, mas também para desenvolver o carro. Os próprios investidores do leste europeu sabem disso e não devem colocar barreiras nesse acordo.

Mas Massa não é o único piloto de olho na Sauber. A Ferrari já disse que quer ver Jules Bianchi em um carro mais competitivo em 2014, e a equipe suíça aparece como melhor opção. Ainda em Cingapura, alguns boatos apontam que Adrian Sutil passou a negociar com o time de Hinwil. A experiência do alemão agrada aos russos pelo mesmo motivo do brasileiro.

Seguindo a lógica, quem passa a ter uma vaga com a saída de Sutil é a Force India. E aí a coisa fica interessante. Os três pilotos favoritos ao cockpit – Massa, Bianchi e James Calado – são empresariados pela mesma pessoa: Nicolas Todt. O que não deixa de ser uma vantagem para o brasileiro, uma vez que ele conta também com o suporte Bernie Ecclestone e Jean Todt para ficar na F1.

O problema nisso tudo? Lembra lá em cima que todas essas negociações só devem acontecer se Pérez de fato deixar a McLaren? Então, é improvável que o mexicano acabe sem vaga, mesmo que em um time intermediário, ainda mais contando com o apoio da Telmex. Quanto a Esteban Gutiérrez. Coitado. Esse precisa de um milagre.

4 comentários sobre “Era uma vez no México

  1. Considerando que a Formula 1 é um negócio e Felipe Massa é um ser humano, marido e pai de família, torço pra que ele arrume uma vaga na F1 e possa receber um salário digno de sua competência para manter o padrão de vida de sua família e continuar fazendo o que gosta.

    Porém, na posição de torcedor, vejo a Formula 1 como um esporte e Felipe Massa como um atleta. Nesse caso, acho que só vale a pena ele ir para a Red Bull (impossível), Mercedes (impossível) ou McLaren (mesmo que esteja em baixa). Lotus é um degrau abaixo, mas dá pra engolir por uma temporada. Sauber, Force India, Toro Rosso é decadência total…..seria melhor vê-lo indo embora com dignidade e recomeçando uma nova carreira e uma nova categoria.

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    1. Eu acho que um piloto correndo numa equipe do bloco do meio, mas chegando com frequência no Q3, fazendo boas corridas dentro das limitações técnicas e de vez em quando beliscando pódios e até vitórias é uma forma digna de terminar a carreira na F1, pois todos verão o piloto se empenhando, buscando resultados, mais digno do que ver alguém numa equipe grande sendo mero escudeiro de outro piloto que colhe os louros sozinho. Pouco importa o time onde o Felipe vai correr, o importante é correr onde ele se sinta feliz, onde ele recupere a vontade de correr sem medo de errar, que é o que lhe tem faltado, pois é difícil manter a autoestima quando lhe cobram resultados mas lhe proíbem de vencer. É igual o caso do Mark Webber, que ajudou a RBR a crescer e quando a equipe chegou lá o jogou de escanteio. Aliás, ainda acho que a Ferrari tem uma consideração maior pelo Massa do que a RBR tinha pelo Webber, pois a Ferrari ao dispensar o Felipe parece dizer um “Adeus. Sentiremos sua falta.” já o clima na Red Bull parece dizer ao Webber um “Já vai tarde”. Não adianta estar num time de ponta se for pra fazer papel de palhaço.

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      1. Good point.
        Realmente, não sei o que é pior.
        Correr numa equipe de ponta e ser “segundão” ou correr numa equipe intermediária e não chegar a lugar nenhum.

        No caso de Felipe, apesar de achar que é um bom piloto, acho que não terá mais chances reais na Formula 1. (Chance significa ser campeão, que é o objetivo natural de qualquer piloto.)

        Preferia vê-lo, por exemplo, na F-Indy recomeçando a carreira.

        Como torcedor, gosto muito de acompanhar a carreira de Piquet Jr. na NASCAR (atualmente, numa temporada fraca) e os bons resultados de Barrichello na Stock Car. Acho que eles mandaram bem em recomeçar suas carreiras e buscar novos resultados e novos horizontes.

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