The green mile

Seria bom Felipe Nasr acreditar em uma força maior para ficar com o título
Seria bom Felipe Nasr acreditar em uma força maior para ficar com o título

A etapa de Cingapura não ajudou muito Felipe Nasr nas pretensões de conquistar o título da temporada 2013 da GP2. Apesar de ter terminado a corrida do sábado na segunda colocação, o brasileiro marcou apenas 18 pontos no último fim de semana e viu Fabio Leimer e Sam Bird dispararem na classificação.

O suíço somou 20 pontos somando as duas provas, enquanto o britânico marcou 19. Com isso, faltando uma única etapa, Leimer soma 179 pontos e detém uma vantagem de sete para Bird. Matematicamente, Nasr ainda tem chances de ser campeão, já que aparece 31 pontos atrás do suíço, enquanto 48 estarão em jogo em Abu Dhabi, mas, realisticamente falando, as chances do brasileiro são mínimas.

Para ficar com a taça, o piloto da Carlin precisa marcar 32 pontos a mais que Leimer em Abu Dhabi, já que se houver um empate na pontuação entre os dois o suíço leva melhor. Pelos critérios de desempate – mais vitórias no ano –, piloto da Racing Engineering já subiu no degrau mais alto do pódio em três oportunidades contra nenhuma do adversário.

A situação fica um pouco mais complicada quando vemos quantas vezes um piloto marcou 32 pontos ou mais em uma etapa neste ano. Isso aconteceu apenas quatro vezes. O maior pontuador até agora foi Robin Frijns, em Barcelona, que levou 37 para casa ao vencer uma prova e terminar a outra em segundo no circuito catalão.

Na abertura do campeonato, na Malásia, Stefano Coletti somou 36 ao largar na pole-position e chegar em terceiro na primeira corrida e vencer a segunda bateria, com direito à volta mais rápida. James Calado, com dois segundos lugares e uma melhor volta na Alemanha, e Sam Bird, com pole, melhor volta e segundo lugar na primeira bateria da Itália e um quarto lugar na corrida complementar, foram os outros dois que alcançaram a marca de 32 pontos neste ano.

Quanto a Nasr, o melhor desempenho do brasileiro foi somar 28 pontos na Espanha, com o segundo lugar na primeira bateria e o segundo na outra prova. Ou seja, além de contar com a sorte, para o brasileiro ser campeão, ele precisaria ter o melhor fim de semana da carreira na GP2, em Abu Dhabi, em novembro.

Outra má notícia para Nasr é que Leimer é especialista no circuito de Abu Dhabi
Outra má notícia para Nasr é que Leimer é especialista em Abu Dhabi

Por isso, eu até ia escrever este texto que o brasileiro já estava eliminado. A minha conta era simples. Mesmo que largue na pole-position e marque a melhor volta da prova em Yas Marina, ele precisaria usar a estratégia de usar pneus duros durante toda a primeira bateria para ficar com a vitória. Assim, somaria os 31 pontos necessários, empataria com Leimer, mas ainda perderia no desempate caso o suíço não pontuasse.

O problema seria no domingo. Por ter usado pneus duros na primeira corrida, ele teria que largar com o supermacio ou com algum composto já usado. Ou seja, ia afundar feito pedra na classificação. Como sairia do oitavo posto devido à regra do grid invertido, uma posição que perdesse seria o suficiente para custar a taça, já que ainda faltava um pontinho para superar Leimer na classificação.

Só que essa matemática está um pouco errada. Ironicamente, as chances de Nasr começam a melhorar se ele não vencer a primeira corrida. Explico. Se o piloto da Carlin quiser maximizar as chances de título, é imprescindível que largue da pole-position e some os quatro pontos de bônus.

Sam Bird vai usar a força de um cavaleiro Jedi para finalmente vencer um título
Sam Bird vai usar a força de um cavaleiro Jedi para finalmente vencer um título

Além dos pontos a mais, Nasr daria flexibilidade na estratégia. Ele poderia usar o pneu duro no começo da prova e retardar a primeira parada ao máximo, para colocar o macio depois. Com essa tática, é provável que ele perca liderança para quem usar duro/duro, mas ele se colocará em posição de voar nas voltas finais e somar os dois pontos de melhor volta.

Aí já são seis pontos descontados para Leimer, ou seja vão faltar 25. Mesmo que o brasileiro termine a corrida 1 de Abu Dhabi no quinto lugar – somando outros dez pontos –, ele ainda manterá as chances de títulos vivas desde que o suíço não pontue.

Com um jogo de pneus duros novos no domingo, ele precisará vencer a corrida (15 pontos) e marcar os dois pontos da melhor volta se quiser ficar com a taça.

Obviamente, a situação melhor conforme for o resultado na primeira bateria. Ser o terceiro na corrida 1 o permitira abrir mão da melhor volta no domingo desde que ele voltasse ao pódio. E somar pontos a mais também vai permitir que Leimer termine no top-10, desde que não vá além da nona posição.

Com isso, já dá para ter uma ideia do que será a etapa de Abu Dhabi. Além do brasileiro precisar de um milagre (que pode acontecer), o treino classificatório terá mais peso que nunca e dificilmente veremos Leimer, Bird e Nasr apostar na estratégia de duro/duro na primeira bateria (consequentemente Stefano Coletti e James Calado também), já que eles precisam somar o maior número de pontos possível.

Para quem espera o triunfo do brasileiro, também não adianta torcer para Leimer e Bird abandonarem na largada. Se eles tiverem um jogo de pneus duros novo para o domingo, não terão dificuldades para escalar o pelotão, ainda mais em um circuito como Abu Dhabi, dono de uma longa reta. A melhor opção, portanto, seria uma batida nas voltas finais.

P.S.: sobre a etapa de Cingapura, eu já tinha escrito outro post sobre se deveria ter havido ou não jogo de equipe da Carlin. Está aqui se você quiser ler.

P.S.2: o louco Leandro Verde fez um post no blog Bandeira verde sobre os pontos perdidos por Nasr em 2013, que podem custar a taça. Não concordo com a soma, porque se fizéssemos algo semelhante com Bird, Leimer, Calado e Coletti chegaríamos a resultados semelhantes, já que adversidades acontecem com todos. De qualquer forma, basta clicar aqui para conferir a análise picareta.

5 comentários sobre “The green mile

  1. Nasr está disputando o titulo com caras de mais de 4 anos de gp2, levem em conta isso, pelo menos. Leimer já disputou até a extinta Gp2 Asia… e o Bird, nem se fala.. já é rodadíssimo. Nunca foi campeão da WSR 3.5 e nem da Gp2.

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  2. A equipe Carlin tem um ótimo acerto também para essa pista,o Max Chilton filho do dono da equipe Carlin, a dois anos atras chegou a largar em P4 a apenas 3/10 da polé,acredito que com todo o apoio da super equipe Carlin o Felipe ira ganhar o campeonato pois o nivel da GP 2 esse ano e uma vergonha…existem no máximo 6 pilotos o resto e resto,
    2013 com certeza esta sendo a pior safra de pilotos na GP2 ,condição especial para o Felipe fazer a sua obrigação em ganhar o título.

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  3. Pois, eu tambem poderia dizer como o Bruno Senna perdeu o titulo da GP2 em 2008 (muitos pontos perdidos por azares na Turquia, em França, em Valencia e em Spa, fora erros na primeira corrida de Silverstone ou em Monza) mas isso seria esquecer os azares de Grosjean, a entrada tardia do Di Grassi e duas vitorias perdidas pelo experiente Giorgio Pantano. Mas pelo menos o Bruno Senna ganhou corridas na GP2 (3 e poderiam ser 5 sem os azares em Spa e numa prova da GP2 asiatica) enquanto o Nasr, com uma base muito melhor no automobilismo nao ganhou nenhuma. Senna ganhou no Monaco e em Spa (onde Nasr se qualificou apenas em 10.º) fez a Pole. Isto mostra que Nasr nao e nem de perto nem de longe um piloto mais talentoso do que o Bruno Senna, antes pelo contrario.

    Alias em 5 provas no WEC o Bruno Senna ja conseguiu 4 Pole Positions e 2 vitorias. O Kamui Kobayashi tem 0 vitorias e 0 Pole Positions. Isto mostra que com condiçoes justas o Bruno ganha corridas e luta por titulos, como sempre fez na sua carreira, na F3 e na GP2. Kobayashi e um piloto igualmente talentoso mas nao tem conseguido destacar-se tanto como o Bruno. O brasileiro bate regularmente os seus colegas mais experientes, o japones so agora na quinta prova conseguiu faze-lo. Nao tenho duvidas que o Bruno faria melhor do que o japones tambem na F1 se tivesse oportunidades justas. Fez mais do que o japones na GP2 e merecia
    ter entrado na F1 em 2009, quando estava no melhor da sua forma, vindo de uma epoca competitiva na categoria secundaria. Certamente teria ganho corridas logo na estreia (com a Honda ou a Brawn) e seria agora um piloto muito mais desenvolvido, bem firmado na F1. Os efeitos da crise financeira nao o deixaram desenvolver-se de forma adequada na categoria maxima. Agora voltamos a ver do que ele e capaz.

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    1. É complicado comparar pilotos que disputaram a GP2 com cinco anos de intervalo, levando em consideração a alta rotatividade do grid, por se tratar de uma categoria de passagem. Nenhum piloto que competiu em 2008 participou de temporada de 2013, então, contra adversários diferentes, não há como apontar que um teve desempenho superior ao outro, apesar das vitórias.

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  4. Bem, com título ou sem título, o importante seria vencer alguma das que restam. Sair da GP2 sem vitória alguma no currículo pode não ser muito bom para a sua carreira (ainda que hoje, o dinheiro que ele levar vai contar mais, bem mais, que uma vitória ou título na categoria).

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