A Inglaterra tem um novo rei

Jordan King é o novo campeão da F3 Inglesa
Jordan King é o novo campeão da F3 Inglesa

Após quatro etapas, a temporada 2013 da F3 Inglesa terminou no último fim de semana, em Nürburgring, coroando um novo campeão. Com três vitórias, Jordan King superou o veterano William Buller e ficou com a taça, conquistando o sexto título consecutivo da equipe Carlin no certame.

Mesmo com boas disputas na pista, 2013 foi um ano complicado para a categoria. Por causa da concorrência com a F3 Europeia, o certame precisou ser reduzido de dez para apenas quatro etapas, como uma forma de tentar sobreviver e atrair pilotos de diversas partes do continente europeu.

Em um primeiro momento, ele até conseguiu, já que a etapa de abertura, em Silverstone, contou com 18 carros. Só que o número foi caindo e apenas 13 largaram na última prova, na Alemanha. Entre os principais defeitos do torneio é que muitos carros sequer eram competitivos – como os da F3 Cup – e a faltra de padronização no regulamento, o que acabou proibindo John Bryant-Meisner a disputar outras etapas depois de dominar na rodada de abertura com um carro muito mais potente.

Só que o número baixo de competidores mascar uma das principais vitória da F3 Inglesa neste ano, que foi trazer diversas equipes. Se no ano passado apenas quatro times participaram do campeonato, dessa vez oito escuderias estiveram presentes em ao menos uma etapa.

Em meio a elas estava a Fortec, que inscreveu o único brasileiro na competição. No retorno à Europa após disputar a F3 Sudamericana e o kartismo aqui no Brasil, Felipe Guimarães conseguiu fazer boas corridas e conquistou duas vitórias – com direito a uma épica ultrapassagem na última curva em Nürburgring –, terminando o campeonato em quarto. O que não deixa de ser um bom desempenho para quem nunca havia corrido com o F312.

Deixando 2013 para trás – e embora não seja possível dizer que este ano tenha sido um sucesso absoluto – a categoria resolver aproveitar o bom momento para anunciar o calendário da próxima temporada. Depois das dificuldades enfrentadas, a nova programação terá sete rodadas triplas, sendo que seis delas serão disputadas no próprio Reino Unido, além da já tradicional visita a Spa-Francorchamps.

Felipe Guimarães venceu duas vezes em 2013
Felipe Guimarães venceu duas vezes em 2013

A organização da categoria tem dois objetivos com isso. O primeiro é baratear o certame, evitando viagens longas a outros países. E o segundo é atrair pilotos que planejam correr apenas na F3 Inglesa, sem somar com outra categoria que já estejam competindo, como ocorreu neste ano. Por isso, as equipes consideram que 21 corridas é um bom número para atrair esse tipo de competidor.

Outra medida que já havia sido anunciada é que o campeonato não vai adotar os novos motores da FIA, que estreiam em 2014. Com isso, as equipes serão livres para usar os motores atuais, que se tornarão obsoletos (e consequentemente mais baratos) tanto nos F308 quanto no F312.

Dá para dizer que a F3 Inglesa no ano que vem vai ser uma mistura entre a F3 Alemã e a F3 Open (antiga Espanhola). Enquanto ela copia o campeonato germânico em ter uma corridas praticamente em um só país, do Open vem a liberdade no regulamento dos motores, como uma forma de baratear o custos e apostar que os propulsores não são determinante no desenvolvimento dos pilotos.

Só que isso não é garantia de sucesso. Vale lembrar que a F3 Alemã teve dificuldades para colocar dez carros em algumas etapas deste ano, enquanto a F3 Open depende de quatro escuderias que escrevem praticamente 20 dos 30 competidores.

O desafio da F3 Inglesa será atrair times como a West-Tec
O desafio da F3 Inglesa será atrair times como a West-Tec

E também há outras limitações que precisam ser levadas em conta. As próprias equipes da F3 Inglesa já disseram nesta segunda-feira que de nada vai adiantar ter um campeonato mais barato se houver choque de datas com a F3 Europeia. Afinal, elas querem poder usar carros e mecânicos em ambos os torneios.

Mas o maior desafio será atrair novos times dispostos a perder para Carlin e para Fortec. Não deixa de ser um mistério como um país que conta com dezenas de equipes em três categorias menores (F-Renault, F4 e F-Ford) e não consegue puxá-las para entrar na F3.  O problema é que há um custo muito alto para um time avançar de categoria, sendo que não existe certeza de conseguir patrocinadores e resultados. Até porque os pilotos não são bobos. Eles sabem que o dinheiro que seria usado para competir em um time de médio escalão pode render uma vaga na Carlin, onde é certeza de ter um equipamento competitivo.

Em um primeiro momento, não acredito que o grid da categoria no ano que vem seja muito diferente desses dois últimos anos, com 15 carros em média. Mas, como eu sempre digo quando escrevo da F3 Sudamericana, o que não falta é motivos para se ter esperança de dias melhores, mesmo que eles demorem a vir.

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