Matemática do título

Felipe Nasr chegou próximo de finalmente vencer na GP2
Felipe Nasr chegou próximo de finalmente vencer na GP2

Felipe Nasr esteve muito próximo de finalmente conquistar a primeira vitória da carreira na GP2, neste sábado, dia 21, em Cingapura. O piloto da Carlin assumiu a liderança da prova logo na largada e dominou de começo ao fim. Apesar disso, quando faltavam poucas voltas, ele começou a sofrer com o desgaste dos pneus e acabou ultrapassado pelo companheiro de equipe, Jolyon Palmer, que comemorou o segundo triunfo no ano.

A grande controvérsia nisso tudo é que Nasr luta pelo título da GP2, enquanto Palmer não. Ou seja, havia uma expectativa de que a equipe britânica ordenasse ao companheiro do brasileiro não fazer a passagem e servir como escudeiro. Assim, o brasileiro somaria os 25 pontos da vitória e se aproximaria de Fabio Leimer na tabela.

Como não houve ordem, o brasileiro soma após a prova deste sábado 148 pontos, 21 a menos que o suíço.

Nessa matemática do título, já dá para colocar dez pontos na conta da Carlin. Além de ter permitido a disputa entre os pilotos em Cingapura, a equipe já havia prejudicado o resultado do brasileiro em outra oportunidade, na Hungria, quando Palmer venceu a prova ao abusar da estratégia de usar apenas pneus duros na corrida principal daquele fim de semana.

O brasileiro assumiu a liderança na largada
O brasileiro assumiu a liderança na largada

Como Nasr estava em uma tática conservadora, ele foi ultrapassado pelo parceiro e caiu da segunda para terceira colocação. Com os três da Hungria e os sete de Cingapura, já são dez que ficaram pelo caminho.

Por isso, a grande pergunta é se a Carlin deveria ter insistido no jogo de equipe nessas situações para colocar um dos pilotos – no caso Felipe Nasr – em uma situação mais confortável na luta pelo título.

E a resposta é não. Jogo de equipe é uma polêmica muito antiga na F1, em que nós brasileiros conhecemos muito bem, já que Rubens Barrichello e Felipe Massa foram os grandes prejudicados nos últimos anos. Ainda que  deixar o companheiro de equipe passar para ganhar uma corrida seja uma prática abominada na maior parte das vezes, algumas vezes ela é aceita, principalmente quando é determinante para a taça de campeão. Para isso, basta lembrar que Massa e Kimi Raikkonen inverteram posições nos GPs do Brasil de 2007 e de 2008.

Só que a F1 é um ambiente diferente. Lá existe um Mundial de Construtores, cuja premiação em dinheiro é boa parte do orçamento dos times, além de que os pilotos envolvidos nessas polêmicas já estão no auge da carreira e não precisam provar nada para ninguém.

Mas Jolyon Palmer foi chegando...
Mas Jolyon Palmer foi chegando…

Nas categorias menores é diferente. Veja o caso do próprio Nasr. Neste ano, ele não venceu nenhuma vez, não largou na pole e só em uma corrida – em Cingapura – partiu da primeira fila do grid. Ou seja, no caso de que a Carlin tivesse mandado Palmer não fazer a ultrapassagem, provavelmente a única vitória do brasileiro no ano seria a partir do jogo de equipe. Ou seja, a imagem que passaria para as equipes da F1 é que ele só vence quando é beneficiado. Será que isso é o melhor para a carreira dele?

E mesmo que ele conquistasse o título da GP2 a partir dessas táticas, será que ele conseguiria uma vaga na F1 sem ser exclusivamente pagando por ela? Eu acho que não. Para isso, podemos lembrar um dos maiores escândalos de manipulação de resultado, quando, na temporada 1993 da F3 Sul-americana, os pilotos argentinos deixaram Fernando Croceri passar para que o compatriota fosse campeão, tirando a taça de Helio Castroneves.

Aí eu pergunto. Quem é Fernando Croceri? 20 anos após a polêmica, ele é um alguém cuja carreira jamais decolou e se dedicou a categorias de turismo na própria Argentina. Já Helio Castroneves, bom, esse qualquer pessoa no mundo que acompanha o esporte a motor já ouviu falar.

Essa história deixa claro que ser campeão a qualquer custo não é a melhor escolha para um piloto. Portanto, se Nasr perder o título da GP2 não é por culpa da Carlin. É dele. Ele não venceu de ponta a ponta todas as corridas do campeonato. Dá até para argumentar que ele teve problemas mecânicos, a equipe se atrapalhou com estratégias e ainda houve aquele toque com Marcus Ericsson na Inglaterra.

Tudo isso é verdade, mas essas coisas fazem parte do automobilismo. Acontece para ele, acontece para os outros. Assim, não dá para reduzir a disputa do campeonato a apenas ordens de equipe e a estratégias ruins. Que fique a lição deste ano, para que no ano que vem ele volte mais forte. Seja na GP2, seja na própria F1.

Para isso, o brasileiro pode ser espelhar no exemplo de Daniel Ricciardo. Em 2010, o australiano disputava o título da World Series com Mikhail Aleshin e precisava apenas chegar à frente do russo para ficar com a taça. Em um determinado momento da corrida, Jean-Éric Vergne, então na terceira etapa da carreira na categoria, era o segundo. Se deixasse Ricciardo passar e servisse como escudeiro, o francês o veria ser campeão.

Vergne, porém, terminou a prova em segundo, enquanto Aleshin conseguiu passar o australiano e foi campeão. Qual o resultado de tudo isso? Hoje Ricciardo é piloto da Red Bull para o ano que vem, enquanto Aleshin continua na World Series. Vencer a qualquer preço nunca é o ideal. Aprender com as derrotas, sim.

16 comentários sobre “Matemática do título

  1. Conseguiu cara!
    Vc mudou minha opinião!

    Acordei sábado de manhã para ver a corrida e saí puto pra caralho e revoltado com a Carlin por não ter feito jogo de equipe.

    Porra!Já tinham deixado o Palmer fazer jogo duro em Spa e agora fazem isso???
    Porra!!O Nasr está brigando pelo título e o Palmer está preso no meio da tabela!!

    Mas vc tem razão…

    GP2 não é F1.

    Não tem equipe propriamente.
    Não tem “Mundial de Construtores”.

    GP2 é uma categoria de acesso e como tal,é cada piloto por si.

    O Nasr é muito bom,mas realmente não está tendo um desempenho de campeão.Simples assim.

    Se houve uma falha da Carlin,foi na estratégia em algumas corridas e quebras.Não foi,de forma alguma,por não ter feito jogo de equipe.

    Inclusive,chaga a ser hipocrisia e uma inversão de valores reclamar agora,depois de todos os casos e burburinhos causados por jogos de equipe na F1, pela falta de uma maracutaia dessa com o Nasr na GP2…

    Bird e Leimer correm por ótimas equipes,possuem muita experiência e simplesmente pilotaram mais que o brasileiro durante o ano.

    Vão brigar pelo título em Abu Dhabi só por isso…

    Boa cara.
    Mandou bem.

    Curtir

  2. Boa tarde! Discordo da maioria dos comentários que foram ventilados acima. Colocações como:”ele não é bom o suficiente” ou “ele tem obrigação de vencer o campeonato” ou pior, “ano retrasado o Max Chilton venceu duas corridas com esse MESMO CARRO. Me fazem pensar duas coisas: Ou não entendem nada de automobilismo(o mais provável) ou são “pachecos” que vivem do passado do Brasil no esporte a motor , combinado com o péssimo hábito de só valorizar vitórias, e ridicularizar nossos esportistas quando não estão no topo do pódio. Em primeiro lugar, não conquista um currículo como o do Nasr, “quem não é bom o suficiente”. Automobilismo é um esporte dificílimo, dispendioso, perigoso e cada conquista deve ser devidamente valorizada. Nasr não está lá a toa. Ele não tem a obrigação de vencer o campeonato, a GP2 Series é na minha opinião o segundo campeonato de Formula mais complicado de se vencer, perdendo apenas para a F1. Pouquíssimos treinos, a maioria de pilotos europeus que conhecem as pistas de lá como ninguem. Pilotos estes, que tem um caminhão de dinheiro para testar, semanas antes, na pista que irão correr de GP2 com carros de formula 3, formula renault, enfim…Outrossim, se Max Chilton venceu corridas com o carro de Nasr 2 anos atrás, não significa nada. De ano em ano a categoria muda pneus, além de haver uma troca constante no staff técnico, é muito dificil um engenheiro bom ficar mais de dois anos numa mesma equipe. Ou seja, as condições nunca são as mesmas.
    Alguém disse que Nasr, “ficando aquém do Jolyom Palmer um piloto que nunca fez muita coisa” está “deixando muito a desejar”. NÃO!!! ele não ficou aquém, isto os números mostram: 148 pontos a 99!! Ou seja ele marcou 50% a mais de pontos com o MESMO CARRO, ok??
    Ademais, acredito que toda crítica é válida, desde que fuindamentada. A composição para a formação de um campeão na formula 1, que é o que desejamos, espero que todos, para o Felipe Nasr, é MUITO COMPLEXA!! Muito mais complexa do que ser bem sucedido numa vida “comum”, por assim dizer, e o somos??
    Passou da hora de nós, brasileiros, começarmos a valorizar nossos talentos e não apenas comemorar quando estes chegam lá.

    Curtir

  3. É, não é fácil ver um compatriota sendo superado, em qq cenário.
    No caso do Nasr, sinto muito, mas ele não mostrou ao longo de todo o ano, o potencial de campeão que se exige de um……… campeão. Só largou uma única vez na 1a. fila, não venceu nenhuma prova, nem por herança nas bobagens alheias… Enfim, querer q seu colega de equipe ceda uma vitória líquida e certa para que ele mantenha possibilidades matemáticas de brigar pelo título é um pouco demais não? Além disso temos que entender que J. Palmer também trabalha duro por resultados. E, cá pra nós: mereceu vencer. Ponto final.
    Não mereceu o título e, se fizer de novo a GP2 em 2014 vai ter q entrar para vencer; do contrário, vai virar mais um dos inúmeros casos de pilotos que vão e voltam, vão e voltam e da GP2 não passam.
    Melhor sorte em 2014 Nasr.

    Curtir

  4. A verdade hoje em dia é a seguinte brasileiro na Europa se não tiver sobre nome de peso não vale nada só serve pra levar dinheiro e mesmo com bom sobre nome ta difícil só ver o que
    aconteceu com o Brum Senna

    Curtir

  5. Na Dams a desculpa e que a equipe so dava prioridade a um carro…na Carlin e que a equipe não fez jogo de equipe para favorecer o Nars,vamos parar com isso pessoal e dizer a verdade,ele não e bom o suficiente para mesmo novamente estando na melhor equipe disparada do campeonato vencer a temporada.
    O Frinjins atual campeão da WSR 3.5 na pequena equipe HILMER venceu corrida esse ano,o Sam Bird que foi 3 colocado na WSR3.5 em 2012 foi o piloto que mais venceu corrida,isso tudo numa equipe nova chamada Russian….e deve ser campeão infelizmente.
    O nível da GP2 e pior do que o da GP3,F3 europeia e muito pior do que a da WSR3.5 que a cada dia vem se firmando como a melhor categoria de base para a F1.

    Curtir

    1. Ele saiu da Dams não foi por causa de carro (mas é verdade que a Dams prioriza um carro, mesmo porque ela teve resultados ruins em 2010 e em 2011 voltou sua estrutura em torno do já experiente Grosjean no intuito de se reerguer. Ironicamente, Grosjean foi campeão com um pé nas costas e o companheiro sequer pontuou. Com o Nasr não foi tão escancarado, já que o Nasr conseguiu alguns bons resultados) e sim por causa do ambiente, já que ele conhecia a Carlin lá de trás. Quanto ao desempenho dele, não fica devendo em nada com relação aos outros pilotos da GP2 e nem à maioria dos F1 ex-GP2, pois em sua temporada de estreia pontuou regularmente e terminou algumas corridas no pódio e já na segunda temporada lutou por vitórias (não vieram, mas chegou bem perto) e pelo título, o que é raro de acontecer com pilotos com o seu nível de experiência. Experiência, aliás, foi o que pesou contra ele em relação a seus rivais diretos. Coletti já tem uns quatro anos na categoria e é carta fora do baralho na F1. Sam Bird é outro “veterano” nas categorias de base, tendo experiência tanto na WSR como na GP2, sem falar que já fez testes de F1, e embora alguns argumentem que pilota pra uma equipe novata, não trata-se apenas de uma equipe novata. A Russian Time no momento parece despontar como a melhor equipe da GP2 atualmente, por possuir um bom estafe técnico e não sofrer problemas financeiros já que seu dono é um magnata russo aficionado em automobilismo, como já foi dito neste blog. Até mesmo Fabio Leimer e o famigerado Palmer estão lá há mais de três anos. Na GP2 é preciso correr uns três anos pra aprender todos os macetes e chegar competitivo na F1. A maioria dos que brigam na parte de cima no campeonato chegam a ter quatro ou cinco anos na categoria, e de qualquer jeito, vencer não significa chegar na F1: Luiz Razia e Davide Valsecchi, o vice e o campeão do ano passado não conseguiram vagas na F1. O 3º, Esteban Gutierrez claudica na Sauber (pra mim ele devia ter ficado mais um ano na GP2) e outros que tinham desempenho mediano como Van der Garde, Max Chilton, Bianchi,etc. estão pelos times nanicos. Nasr vem de uma família ligada ao automobilismo, tem bons patrocinadores, tem a carreira bem acessorada, tem tudo para chegar na F1. Eu torcia para ele ser campeão e tirar a zica que o Brasil tem na GP2, mas fico aliviado que não tenha vencido ainda para poder fazer mais um ano de GP2 agora mais experiente para que possa vencer e ter moral para chegar na F1 pela porta da frente e ter seu potencial levado a sério pelas equipes, diferente do Bruno Senna que não se firmou na F1 porque apesar do potencial, as equipes o viam como um gentleman driver e não como o piloto sério que tentava ser (as dua vitórias no WEC mostram que o problema não estava no piloto).

      Curtir

  6. voces tem que entender que entre eles nao existe equipe, eles compraram a vaga com seus patrocinadores e estao la pra defender seus proprios interesses como pilotos e nao o interesse da equipe

    Curtir

  7. Alguém poderia explicar porque o Nasr só trocou 2 pneus na corrida de sábado,havia aberto grande diferença na liderança e poderia ter trocado os 4 ?

    Curtir

    1. Não sei dizer o motivo, imagino que fosse para poupar um jogo de pneus para o domingo e não precisar usar os 4 desgastados ou então para uma fazer um pit-stop mais rápido.

      De qualquer forma, no press-release após a corrida, o próprio Nasr já tinha levantado que ter trocado os 4 poderia ter sido a melhor estratégia.

      Curtir

  8. Pessoal,vamos parar de arrumar desculpa e dizer a verdade!!!
    Ano retrasado o Max Chilton com esse mesmo carro fez se não me engano 3 polés e obteve no mínimo 2 vitorias e esse ano e obrigação do Felipe Nars vencer o campeonato,pois mais uma vez sempre bem orientado pelo seu empresário ele esta novamente na melhor equipe do campeonato e até agora esta deixando muito a desejar.
    A Carlinhos fez jogo de equipe com o Felipe até SPA,quando notou que não ia dar em nada parou de favorecer o Felipe dentro da equipe e esta acontecendo o que todo mundo esta vendo….ele ficando aquém do Jolyom Palmer um piloto que nunca vez muita coisa.
    Essa e a realidade,ainda acho que ele vai ganhar o título pois o nível da GP2 desse ano assim como disse o presidente da Ferrari e uma vergonha!

    Curtir

  9. Concordo com a sua visão; porém em Spa, a equipe e o Palmer foram meio sem noção… o inglês não deveria ter sido tão osso duro na disputa com o Nasr, embora o brasileiro tenha se precipitado na ultrapassagem, o Palmer deveria entender que ele não estava nem entre os 4 primeiros e o brasileiro que vinha atrás estava na disputa do titulo na oportunidade com grande chance de assumir a liderança da tabela….

    Curtir

    1. em SPA o Nasr fez uma barbeiragem infantil, de principiante….sucumbiu à pressão…o cara na GP2 tem que mostrar a que veio , quando solicitado. ele ta cheio de patrocinio , nao faltou grana, equipe….nao faltou nada….só resultado….agora quero ver o victor martins puxar o saco dele de novo….

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s