E esse dia mudou a vida das quatro pessoas da foto...
E esse dia mudou a vida das quatro pessoas da foto…

A menos que você more numa caverna, em Marte ou tenha feito um retiro espiritual nos últimos dias, já sabe que Felipe Massa não vai disputar a temporada 2014 da F1 pela Ferrari. O brasileiro confirmou na terça-feira que estava fora, enquanto o time anunciou nesta quarta, dia 10, o retorno de Kimi Raikkonen.

Antes de falar sobre Massa, está mais do que claro que a Ferrari se arrependeu da decisão de ter mantido o brasileiro em 2010. Em qualquer empresa, independentemente da área, pega muito mal demitir um funcionário para contratar outro e depois mandá-lo embora para retornar com quem já estava lá.

No caso de Felipe, a situação é um pouco diferente porque ele não foi exatamente o substituto de Raikkonen, mas, sim, companheiro do finlandês. Entretanto, a partir do momento em que os dois disputaram uma vaga de titular, e Kimi acabou caindo fora, ver o piloto voltar justamente para o lugar de Massa causa o mesmo constrangimento.

Claro que nesses quatro últimos anos do brasileiro na Ferrari muita coisa mudou. Entretanto, eu pessoalmente acredito que o que o manteve no time nesse tempo foi o episódio da mola. Posso estar enganado, mas penso que a equipe italiana ia manter Raikkonen em 2010, até mesmo por uma questão financeira. Ele foi tirado a peso de ouro da McLaren, então fazia muito mais sentido pagar para que ele corresse, vencesse algumas provas e marcasse pontos a pagar para vê-lo no rali.

Porém, a partir do momento em que o brasileiro sofreu o gravíssimo acidente no GP da Hungria, causaria um mal estar muito grande dentro da Ferrari dispensá-lo em um período de recuperação. Como Raikkonen também não havia feito nada para justificar a vaga, os italianos acabaram seguindo com o brasileiro.

Mas não me entenda mal, isso não tira o mérito da passagem por Maranello. Felipe sempre foi um piloto diferente dentro do ambiente da F1. Para ficar no exemplo mais básico, basta ver toda a repercussão que a saída dele teve, com muita gente – principalmente os estrangeiros – lembrando os momentos mais emocionais do brasileiro, como o terceiro lugar no GP do Brasil do ano passado e a vitória de 2008, que quase lhe deu o título mundial.

E se a Ferrari tivesse escolhido Raikkonen em 2010? Isto não teria acontecido
E se a Ferrari tivesse escolhido Raikkonen em 2010? Isto não teria acontecido

E esse para mim foi o momento mais baixo do brasileiro na F1. Explico. Massa é um dos poucos pilotos que não se escondia no meio de desculpas. É claro que quando sofria algum acidente, acabava justificando com algum problema no carro, mas nos momentos decisivos o brasileiro apontava o que estava acontecendo.

Foi assim em Interlagos e no Texas, no ano passado, quando cedeu passagem (ou foi punido de propósito) para Fernando Alonso, e no fatídico GP da Alemanha de 2010. Nesses momentos, ele mostrava que não estava satisfeito com o que acontecia, mas encarava as responsabilidades das próprias ações.

E não foi isso o que aconteceu em 2008. Durante muito tempo, o ainda piloto da Ferrari apontava que o acidente premeditado de Nelsinho Piquet em Cingapura foi o que acabou custando o título. Era uma desculpa para tentar justificar a derrota a algo que fugia da normalidade das corridas.

Mesmo assim, há diversos outros elogios que é possível fazer ao piloto. Um bom exemplo foi ter criado a F-Futuro, para tentar revelar jovens pilotos. E isso foi importantíssimo. O brasileiro aproveitou que estava no auge da carreira para tentar fazer alguma coisa. Que outro piloto com passagem pela F1 fez algo parecido aqui no país? Quando muito dá para citar Pedro Paulo Diniz como diretor da F-Renault e olhe lá.

Massa não entrou naquela espiral de desculpas, como “quando eu parar de correr eu faço algo pelo automobilismo?” ou “quero curtir a família” para justificar a inércia. Pelo contrário. O brasileiro chegou a tomar uma iniciativa, mas que acabou não dando certo. E talvez esse seja o seu maior legado para o esporte a motor.

Felipe, aliás, que agora volta a ser exemplo para diversos compatriotas que tentam seguir a carreira fora do país. A decisão que ele tomar, seja continuar na F1 ou mudar para outra categoria nacional ou internacional, pode refletir no que os garotos vão fazer.

Para encerrar, falo sobre Kimi Raikkonen. A Ferrari foi bastante inteligente em ter trazido o finlandês. Com dois anos de contrato, a equipe terá uma vaga aberta ao fim do campeonato de 2015, quando Sebastian Vettel e Lewis Hamilton também estarão livres dos vínculos com as respectivas escuderias. Se você acha que o mercado de pilotos em 2013 foi uma loucura com tantos boatos, espere para ver o que acontecerá em dois anos.

Além disso, o time ainda tem a flexibilidade necessária para definir quem serão os pilotos nas próximas temporadas. Se antes ela era refém de Fernando Alonso para contar com uma superestrela, agora a saída do espanhol em algum momento antes de 2016 pode ser considerada sem que haja um doloroso período de transição, pois Kimi poderá dar conta dos resultados.