Danica Patrick é a quinta mulher mais bem paga nos esportes, o que é algo bom para o automobilismo
Danica Patrick é a quinta mulher mais bem paga nos esportes, o que é algo bom para o automobilismo

A revista americana Forbes divulgou na segunda-feira, dia 5, a lista das dez mulheres mais bem pagas nos esportes. Encabeçado por Maria Sharapova o ranking tem três aspectos interessantes: ele é completamente dominado por tenistas, das dez primeiras colocadas, apenas três estão entre os 100 maiores vencimentos do mundo do esporte (ou seja, os outros 97 são homens) e, para nós ligados ao automobilismo, a presença de Danica Patrick.

Para chegar ao resultado final, a Forbes somou o que as esportistas ganham de salário e de premiação nos campeonatos com o que recebem dos patrocinadores. Assim, Sharapova, que ganhou ‘apenas’ US$ 6 milhões em prêmios entre os meses de junho de 2012 e junho de 2013, aparece na frente de Serena Williams, cujos ganhos no circuito foram US$ 8,5 milhões, mas recebe US$ 11 milhões a menos que a colega de patrocínio.

Dito isso, levando em conta apenas o ganho em premiação/salário, Serena só perde no mundo do tênis para Novak Djokovic, que embolsou US$ 12,9 milhões nesse período. Ela esta à frente de nomes como Roger Federer e Rafael Nadal. Entretanto, nesse quesito ela é apenas a 90ª atleta mais bem paga do mundo. Neymar, por exemplo, é o 89º, com US$ 10,5 milhões de salário, enquanto o líder é o jogador de futebol americano Aaron Rodgers, com US$ 43 milhões.

Por que estou dizendo isso? É que apesar de Serena ganhar cinco vezes menos que Rodgers, ela recebe uma quantia que está de acordo com o cenário do tênis mundial. O esporte das bolinhas e das raquetes, aliás, foi um dos primeiros no mundo a equiparar a premiação dada a homens e mulheres. Ou seja, os campeões de cada torneio, independentemente do sexo, embolsam o mesmo dinheiro. Assim, os vencimentos no fim do ano dependem apenas daquilo que produzem nas quadras.

Portanto não é coincidência que sete das dez mulheres mais bem pagas no esporte sejam tenistas.

Maria Sharapova é a mais bem paga entre as mulheres
Maria Sharapova é a mais bem paga entre as mulheres

Nisso aparece Danica Patrick. Você até pode argumentar que o desempenho dela nas pistas não é suficientemente bom para colocá-la entre as atletas mais bem pagas. Eu concordo, mas os US$ 6 milhões ganhos entre salários e prêmios pela americana estão bem distantes dos US$ 17,3 milhões de Jimmie Johnson ou dos US$ 13 milhões de Dale Earnhardt Jr.

Na verdade, eu até acho que ela recebe menos do que deveria. De acordo com o site Racing Reference, Danica embolsou US$ 2,13 milhões como prêmio nas primeiras 21 etapas da Nascar neste ano. Apesar de ser uma quantia elevada, ela é a 32ª colocada no ranking do dinheiro, mesmo ocupando a 27ª colocação na tabela de pontos e já tendo conquistado uma pole-position e um top-10 em 2013.

A efeito de comparação, o namorado da pilota, Ricky Stenhouse Jr, também novato na Nascar, é o 14º que mais prêmios recebeu em 2013, com US$ 3,1 milhões. Apesar disso, ele é somente o 21º na tabela de pontos e não conquistou pole, tampouco terminou alguma prova entre os dez primeiros.

Mas pode haver uma explicação por trás disso. Como no sistema de premiação da Nascar a posição em que um piloto termina a corrida é apenas um quesito para determinar o quanto ele ganha, Danica pode ter andado melhor em corridas que pagam menos, enquanto andou mal em provas que dão mais grana aos competidores. Por isso acabaria não havendo uma correspondência entre a posição na tabela e a posição no dinheiro.

Por fim, não é novidade que as mulheres sofrem no meio esportivo. Além de todo o assédio e da agressão sexual que acontece durante o trabalho, a lista da Forbes está aí para provar a tremenda desigualdade que existe entre os gêneros em termos de pagamento.

Enquanto, ainda segundo a Forbes, no basquete americano o teto salarial é de US$ 107 mil para as mulheres e o piso para os homens é de cerca de US$ 500 mil, ao menos o automobilismo parece remar na direção oposta, premiando os competidores pelo resultado na pista independentemente do gênero.