Ecos da GP2 na Hungria

Felipe Nasr assumiu a liderança na Hungria, dando pinta que poderia vencer a primeira em 2013
Felipe Nasr assumiu a liderança na Hungria, dando pinta que poderia vencer a primeira em 2013

Felipe Nasr conquistou um excelente resultado parra a sequência da temporada 2013 da GP2 neste fim de semana em Hungaroring. O brasileiro chegou na terceira colocação na primeira corrida e em quinto, na bateria complementar, para reduzir a diferença para Stefano Coletti, o líder do campeonato, para apenas seis pontos.

Além de o monegasco ter saído zerado deste fim de semana, Sam Bird, que ocupava a terceira colocação, marcou apenas dois pontos e também ficou mais distante da briga pela ponta.

O ponto negativo é que Nasr segue sem vencer na categoria. Na Hungria, até pareceu que ele conseguiria acabar com o jejum ao assumir a liderança no começo da prova e liderar as primeiras voltas. Apesar disso, o brasileiro fez a parada na nona volta e acabou superado por Marcus Ericsson, que havia feito o pit-stop dois giros antes e tirado a vantagem ao aproveitar os pneus mais novos.

Além disso, Jolyon Palmer, companheiro de Felipe na Carlin, retardou a parada, conseguiu fazer voltas rápidas enquanto teve ar limpo e retornou à pista na frente do brasileiro. A partir daí foi questão de tempo para passar Ericsson e conquistar a primeira vitória no ano.

O meu primeiro comentário foi que a equipe inglesa se embananou da estratégia de Nasr mais uma vez e acabou o deixando na pista por menos tempo que o necessário. Algo parecido com o que aconteceu com Fernando Alonso naquela corrida de Abu Dhabi de 2010, quando ele voltou da parada e ficou preso atrás de Vitaly Petrov. Assim, se Felipe tivesse parado depois, como fez o companheiro de equipe, teria todas as chances de vencer.

Mas o brasileiro precisou se contentar com o terceiro lugar
Mas o brasileiro precisou se contentar com o terceiro lugar

Mas eu errei. A verdade é que Palmer estava em uma estratégia diferente. Ele largou com os pneus duros, por isso pôde ficar na pista ainda mais. Depois, retornou à pista novamente com o composto mais resistente e, por estar mais novo, não só foi capaz de deixar Ericsson para trás como também conquistou a primeira vitória de 2013.

Essa estratégia na GP2 está sendo chamada de Prime/Prime, porque é o nome que o pneu duro recebe em inglês. Ela só é possível porque os competidores não têm a obrigação de usar os dois tipos de borracha numa mesma corrida. Assim, quem larga mais atrás, adota essa tática no sábado para tentar marcar muitos pontos.

Em contrapartida, o pneu macio fica para a corrida curta do domingo, que acaba sacrificada. Basta ver que Palmer foi apenas o 12º na segunda bateria da Hungria, mesmo em um traçado difícil de ultrapassar. Marcus Ericsson, que venceu na Alemanha com uma estratégia similar, foi apenas 13º no domingo e Stefano Coletti, terceiro em Nürburgring, fechou a segunda bateria em 19º.

Daí fica a pergunta, por que a Carlin não adota a estratégia de Prime/Prime com Nasr para que ele possa vencer uma corrida e se beneficiar disso no campeonato? Vale lembrar, ainda, que a vitória vale 25 pontos, e o brasileiro só marcou uma vez nesta temporada mais que 25 pontos em um único fim de semana.

A resposta é que a estratégia é muita arriscada para quem está lutando pelo título. Se Nasr não conseguir a vitória – vai que outro piloto na frente dele também adote Prime/Prime ou então se envolva em um acidente por culpa de outro piloto –, ele já terá o resto do fim de semana comprometido sem qualquer chance de se recuperar. O que pode ser terrível para o campeonato. Por isso, pensando no título, é melhor que some por volta de 20 pontos e, se der tudo certo, poderá ultrapassar os 25 da vitória com o desempenho nas duas corridas.

E isso precisará ser levado em conta nas duas próximas corridas, em Spa-Francorchamps e em Monza, onde o que não falta são pontos de ultrapassagem. Nessas corridas, a estratégia Prime/Prime pode dar errado porque quem larga com pneus macios terá tempo para disparar na ponta até fazer a parada obrigatória e ainda assim retornar na frente. Além disso, quem for andar com o Option no domingo, vai afundar na classificação feito pedra.

Por isso, é provável que Nasr não ganhe as próximas corridas se apostar em uma estratégia mais conservadora nos pneus. Mas, por haver diversos pontos de ultrapassagens, são nelas em que ele tem uma chance maior de fazer a tática dar certo para somar mais de 25 pontos nas duas corridas, o que justificaria essa escolha, mesmo que ele continue fora do degrau mais alto do pódio.

10 comentários sobre “Ecos da GP2 na Hungria

  1. Na minha opinião, acho que a postura do Nasr neste campeonato é aquela que um chefe de F1 gostaria de ver: Consistente, cerebral e com baixo índice de acidentes. Esse papo de que tem que ter vitórias bobagem, o campeonato é mais importante (lembramos que muitos brasileiros já tiveram vitórias, porém nenhum conseguiu o campeonato). Se o Felipe levar o caneco sem ter tido uma vitória, isso só impressionará mais os possíveis interessados em seu passe, pois os carros da GP2 são bem mais equilibrados entre si e a Carlin jamais foi campeã na categoria. Nesta leva da GP2 vejo pilotos rápidos e ousados, mas não vejo ninguém mais maduro e completo do que o Felipe. Agora, tem que conseguir uma vaga decente para o ano que vem, se for pra andar de Cartheran ou Marússia é melhor ficar disputar mais um ano de GP2.

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  2. O Nasr é, sem dúvidas, um piloto muito acima da média. Campeão de F-BMW europeia, campeão de F3 Britânica e candidato ao título no 2º ano de GP2. Porém, a concorrência para a F1 nos próximos anos está acirrada, vejamos: Jules Bianchi(ligado à Ferrari e piloto de testes da Force India, está se destacando pela nanica Marussia e têm lugar garantido ano que vem na F1), Kevin Magnussen (ligado à Mclaren, é o atual líder da World Series e têm tudo para arranjar uma vaga ano que vem após desempenho destacado nos testes pela equipe inglesa), Robin Frijns (terceiro piloto da Sauber, talento nato, atual campeão da World Series, não está na luta da GP2 porque não tem grana, mas já voou baixo de Sauber nos testes), James Calado (piloto da Force india, impressionou nos testes e deve ser terceiro piloto da equipe no ano que vem), Antônio Félix da Costa (português muito talentoso, campeão de GP3, já andou nos testes para jovens da Red BUll e Toro Rosso e têm lugar certo nesta se o Ricciardo “subir” para a Red Bull). Ou seja, um título na GP2, aliado a um forte apoio financeiro de patrocinadores nacionais, pode levar o brasiliense Nasr à F1. Porém, as portas não estão muito abertas.
    Ps: o melhor cenário para ele acontece, infelizmente, com uma aposentadoria precoce do Massa. Assim, Bianchi, Hulkenberg ou Di resta assumiriam o carro vermelho, abrindo vagas nas equipes médias. É esperar e torcer!

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  3. O Nasr tem mostrado um conservadorismo a la Prost, e isso n tem me agradado. Um piloto jovem, meio estabanado, mas com picos de performance q propicia vitórias, costuma ser mais bem visto por ter uma capacidade diferenciada, restando apenas maior controle emocional, o q a experiencia tende (mas n necessariamente, claro) a estabilizar. Já um piloto q só corre pra ficar no bolo, pescando uns pontinhos pra ganhar o título n se destaca, e pra um cara q quer e precisa ser visto pelas equipes da F1 é importante se destacar é fundamental. O conservadorismo do Nasr lhe rendeu 21 pontos nas duas corridas do fds, em detrimento dos 25 q ele poderia ter alcançado se tivesse vencido a primeira corrida, além do destaque pela vitória. Ele é um cara arrojado, faz ótimas ultrapassagens e tal, mas suas corridas tem sido previsíveis. Larga razoavelmente bem e por alí fica, economizando pneus, pra nas últimas voltas passar qtos forem possíveis. Só isso n basta. O Colleti por exemplo pôde se dar ao luxo de ter um fds trágico como esse e permanecer lider, já q qdo está bem acumula vitórias.

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    1. Comparando com outros brasileiros que correram na mesma GP2,não acho que o Nasr seja conservador (e insosso) como o Diego Nunes e nem extremamente arrojado (e desastrado) como o Alberto Valério.

      Ele consegue ter as duas características na dose certa.Só falta realmente a vitória.

      E sobre as táticas e corridas da GP2.
      Essa é exatamente a formula da categoria.E é dessa forma que as corridas dela são sempre movimentadas e disputadas.
      Além do mais,como uma categoria-escola,”ensina” muito bem os pilotos a poupar o pneu e atacar.

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      1. Se ele ainda n venceu, é provável q a dosagem de conservadorismo esteja prevalecendo em detrimento do arrojo. Acho o Nasr diferenciado, realmente o considero talentoso. Mas as últimas corridas tem sido um tanto insossas, sim. Abriu mão da vitória no sábado pra segurar o quinto posto no domingo? Pra mim n faz sentido. Claro, fez o dever de casa e isso lhe rendeu pontos fundamentais pro campeonato, mas sobretudo pelo péssimo e atípico desempenho do Colleti. A GP2 n é uma ciencia exata q promove automaticamente seu campeão pro posto de titular na F1. É preciso mostrar q é o melhor daquela turma e n só o mais regular.

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        1. Mas quem garante que ele venceria no sábado ? Como escrevi, o Nasr não fez o treino livre com os pneus duros enquanto o Palmer foi muito bem com eles na classificação (diferença do brasileiro de apenas 0,123 com pneus diferentes) e largou bem , se o Nasr saísse de pneus duros largaria bem atrás, além do que ele adotou a mesma estratégia dos que largaram na frente , só Palmer fez diferente.

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  4. Portanto temos um campeonato muito tatico, com os pneus a terem um papel cada vez mais importante nos resultados, a semelhança do que acontece na F1. Quanto a questao do titulo, Felipe Nasr pode ate ser campeao sem vencer uma unica corrida. Parece inverosimil mas pode acontecer. Vai ser interessante de seguir…

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  5. Sobre a estratégia do Nasr é bom lembrar que ele não participou dos treinos livres quando é usado os pneus mais duros e consequentemente na classificação provavelmente ele largaria atrás se adotasse prime-prime ao contrário do Palmer que se classificou muito bem com os pneus duros e largou bem, e quando os que estavam a frente pararam ele teve pista livre.

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