Pietro Fittipaldi venceu em Brands Hatch
Pietro Fittipaldi venceu em Brands Hatch

Como já foi amplamente noticiado, Pietro Fittipaldi conquistou neste sábado, dia 27, a primeira vitória da carreira nos monopostos, na corrida 1 da F4 Inglesa, em Brands Hatch.

Confesso que fiquei um pouco surpreso com esse resultado. Eu não esperava que Pietro tivesse chances de vencer já neste ano sem apelar para fatores externos, como o grid invertido, por exemplo. E, mesmo que ele conseguisse brigar pelas primeiras colocações, achava que o triunfo viria primeiro na F-Renault, onde o grid é um pouco mais fraco e ele vem conquistando melhores resultados. Melhor para Pietro, que me contrariou e venceu.

No início do sábado, Fittipaldi não dava muitas indicações de que tinha chances de brigar por um bom resultado. No treino livre, ele foi apenas o 13º, 1s7 atrás do mais rápido. Ele também foi o último carro entre os três da equipe MGR, já que Jake Dalton foi o quinto e Diego Menchaca, o décimo.

Mas tudo mudou na classificação. Desde o começo do treino, o brasileiro se colocou entre os mais rápidos. E não foi questão de sorte. Embora tenha sido superado pelos adversários na sequência, ele ainda encontrou tempo para fazer uma volta voadora e cravar o segundo tempo, atrás apenas de Jake Hughes.

O melhor resultado da carreira em uma classificação, é claro, trouxe expectativas altas para a corrida. Um top-5, por exemplo, se tornava algo possível, mesmo com a qualidade do grid que vinha logo atrás.

Nas primeiras voltas, Pietro foi ultrapassado por Charlie Robertson, que precisou forçar o equipamento para se aproximar de Hughes. Enquanto isso, o brasileiro aparecia isolado em terceiro, já que Seb Morris era pressionado e tinha a quarta colocação em risco.

O brasileiro caiu para terceiro na largada e conseguiu se recuperar
O brasileiro caiu para terceiro na largada e conseguiu se recuperar

Na segunda metade da corrida, Morris chegou a se aproximar de Fittipaldi, mas o brasileiro conseguiu se distanciar. Não faço ideia do que aconteceu em seguida, mas o neto de Emerson teve um ritmo voador e descontou 5s em três voltas, passando Robertson e Hughes para conquistar a primeira vitória na Inglaterra.

É claro que ele teve sorte. Robertson caiu para a terceira colocação, também atrás de Morris, enquanto Hughes foi só quarto, sofrendo com um problema mecânico. Mas isso faz parte das corridas e não é nada que tire o mérito do brasileiro. Até porque ele estava no lugar certo e na hora certa para se aproveitar do azar dos rivais e poder terminar na frente.

E essa vitória também tem um viés histórico. Foi a primeira que vez que um piloto nascido fora do Reino Unido venceu na F4 Inglesa. Levando em conta que há pilotos muito experientes no grid e que geralmente um atleta costuma andar bem quando corre em casa, então Pietro mostrou que pode ser competitivo nesta nova fase da carreira.

Isso, entretanto, não apaga que a temporada de Fittipaldi não vinha sendo boa até aqui. Nas outras nove corridas que disputou, o brasileiro tinha conseguido apenas o nono lugar como melhor resultado. É verdade que ele não participou da última etapa, em Oulton Park, mas ocupa apenas a 16ª colocação na tabela, 23 pontos distante do 15º.

Por outro lado, acho interessante que um brasileiro voltou a vencer em Brands Hatch. Mesmo esse sendo um dos circuitos mais tradicionais do mundo, é quase impossível ultrapassar, então há pilotos que se especializam nessa pista e conseguem bons resultados, ainda que o equipamento não ajude. Dois exemplos de gente que sempre andou bem são Nelsinho Piquet (curiosamente uma espécie de tutor de Pietro nos EUA) e Max Chilton.

A F4 realiza mais duas corridas neste fim de semana em Brands Hatch. A primeira terá o grid invertido, com o brasileiro largando da oitava colocação, enquanto a segunda é formada pelas melhores voltas de cada piloto no fim de semana. Daí não faço a menor ideia do posicionamento de Fittipaldi. O outro representante do país no certame, Gustavo Lima, foi o 16º.