Monopostos x turismo

Gaetano Di Mauro não participou da rodda de Interlagos da F3
Gaetano Di Mauro não participou da rodda de Interlagos da F3

A F3 Sudamericana esteve neste fim de semana em Interlagos para a disputa da quarta etapa da temporada 2013. E desta vez houve algumas boas corridas. Na primeira, Felipe Guimarães abandonou logo na primeira volta com um problema no câmbio e viu Raphael Raucci não só vencer, mas também assumir a liderança do campeonato. Na segunda bateria, Guimarães se recuperou do abandono e triunfou pela sexta vez no ano.

Entretanto, mais importante que o resultado em Interlagos era quem não estava na pista. Após participarem das primeiras etapas de 2013, Gaetano Di Mauro e Gustavo Frigotto optaram por deixar a F3 neste fim de semana para disputar a etapa de Curitiba da Sprint Race, um campeonato de turismo criado no próprio estado do Paraná.

Os dois, mas falando especialmente de Di Mauro – um dos principais nomes que deixaram o kart para correr de monopostos neste ano –, escolheram trocar de campeonato por dois motivos. O primeiro é que estão na disputa do título da Sprint Race e o segundo é o custo. Além de o certame ser obviamente mais barato que a F3, ele ainda deu uma premiação em dinheiro de R$ 20 mil ao campeão.

Ao menos por enquanto não dá para dizer que esses pilotos escolheram trocar os monopostos pelos carros de turismo, mas é claro que eles já perceberam que este é um caminho viável para seguir carreira, ainda mais aqui no Brasil onde as categorias mais fortes são de turismo.

Só que há um perigo em tomar essa decisão neste momento. Fazer a carreira toda em carros de turismo, ao invés de fazer o aprendizado em monopostos, pode ser uma armadilha. Para isso, basta pegar, por exemplo, os 20 primeiros colocados da Stock Car neste ano e ver como eles chegaram lá.

Antes de falar do resultado, explico por que escolher esses pilotos. Em primeiro lugar, não há dúvidas de que a Stock Car é a categoria que qualquer garoto que começa a correr de turismo no Brasil planeja chegar. E os 20 primeiros porque, na média, são pilotos que já estão estabilizados na carreira e no campeonato.

Dito isso, dentro dessas duas dezenas de competidores, apenas três – Cacá Bueno, Thiago Camilo e Fábio Fogaça – só correram de carros de turismo. Curiosamente, os três são filhos de nomes ligados ao automobilismo. Galvão Bueno é o pai de Cacá, enquanto Bel Camilo e Djalma Fogaça tiveram os outros dois.

Di Mauro, Frigotto e outros pilotos optaram correr na Sprint Race
Di Mauro, Frigotto e outros pilotos optaram correr na Sprint Race

Dos 17 que correram em monopostos, 11 tiveram enorme sucesso neste tipo de carro, brigando por títulos tanto no Brasil quanto no exterior. Alguns até chegaram na F1. Falo de Ricardo Maurício, Max Wilson, Tuka Rocha, Ricardo Zonta, Rubens Barrichello, Luciano Burti, Sérgio Jimenez, Ricardo e Rodrigo Sperafico, Allam Khodair e Raphael Matos.

Sobraram seis. Daniel Serra, por exemplo, passou pela Stock Light, mas fez quatro anos de F-Renault tanto no Brasil quanto na Europa, quando foi vice-campeão em uma oportunidade. Valdeno Brito chegou a correr de F3 Sul-americana, em 1997 e 1998, antes de se dedicar a provas de jet-ski e outras atividades no nordeste.

Marcos Gomes também disputou a F-Renault, ficando três anos na modalidade e tendo participado de corridas nos Estados Unidos. Julio Campos fez o caminho contrário. Foi primeiro campeão de campeonatos da Dodge nos EUA antes de vir ao Brasil e participar corridas espaçadas de F-Renault e F3. Depois o piloto acabou se dedicando aos campeonatos de turismo como a Stock Light e a Pick-Up Racing.

Para encerrar, Galid Osman também correu de F-Renault, enquanto Duda Pamplona participou de corridas de F-Ford, F-Chevrolet e F3 antes de se mudar para os carros de turismo.

Portanto, dá para tirar duas conclusões disso tudo. A primeira é que o nível da Stock Car é bom. Os pilotos que têm destaque no certame só chegaram lá porque tiveram um bom aprendizado nas diferentes categorias do automobilismo de base. Não há alguém que cai de paraquedas no certame brasileiro e começou a ir bem.

A segunda conclusão é que se esses pilotos tiveram sucesso em categorias como a F-Renault e a F-Chevrolet é porque elas existiam no Brasil. Hoje existe apenas a F3 Sudam, então quem não quiser gastar o que as equipes pedem não tem muitas opções para dar prosseguimento à carreira. O problema é que esses pilotos vão correr o risco de ficar sem correr no futuro. Afinal, vão disputar as vagas da Stock com os pilotos que já estão no grid, além daqueles que escolheram dar os primeiros passos na Europa e nos EUA antes de voltar ao Brasil.

3 comentários sobre “Monopostos x turismo

  1. Fabio Fogaça foi kartista antes dos carros de turismo e se nao me engano fez provas de f3 sudam.. Ja alinhei com ele no atualmente abandonado kartodromo de campinas

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  2. Esta já é a 6a. vitória de Felipe Gimarães na F3 SUDAM 2013, sendo dois abandonos por quebra, quando liderava em ambas…!!
    Tavez você tenha se esquecido das duas que ele ganhou este mês na Argentina, depois de ter feito a pole e ter batido o recorde da pista…!!

    Agora, é ficar de olho no que vaip acontecer na F3 Inglesa, neste fim de semana em Spa…!

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