Não podemos dizer que o projeto do DeltaWing deu certo
Não podemos dizer que o projeto do DeltaWing deu certo

Construído em 2009 com planos de se tornar o novo carro da Indy, o DeltaWing tinha planos de mudar o automobilismo. Com um design compacto – em forma de jato – e apostando em um centro de gravidade mais baixo, além da economia de pneus de combustível, o carro poderia revolucionar o esporte como conhecemos.

É verdade que ele acabou perdendo para a Dallara na hora que a Indy escolheu o novo modelo, mas o projeto continuou, e o DeltaWing fez a estreia nas pistas nas 24 Horas de Le Mans do ano passado, competindo pelas regras da Garagem 56, como convidado, já que se tratava de um modelo experimental.

Para a estreia em Le Mans, o DeltaWing conseguiu reunir um verdadeiro exército de interessados em mudar o esporte. Assim, o projeto ficou dividido entre Ben Bowlby (criador), Don Panoz (responsável pela mudança para o endurance), All American Racers – de Dan Gurney – (construtores), e a Nissan, que também participou do desenvolvimento do bólido, fornecendo a expertise necessária de quem já estava há anos nas corridas de longa duração.

O carro ainda acertou com a Michelin, que produzia pneus especiais, e era inscrito pela equipe Highcroft, megavencedora da American Le Mans Series.

Na corrida francesa, no entanto, a sorte não estava do lado deles. Sofrendo com problemas de confiabilidade, o bólido abandonou de vez após um toque com o Toyota de Kazuki Nakajima. Mas o DeltaWing ainda fez um retorno glorioso na Petit Le Mans, ao terminar na quinta colocação na classificação geral em Road Atlanta.

O Nissan elétrico. Também podemos chamar de 'primo do DeltaWing'
O Nissan elétrico. Também podemos chamar de ‘primo do DeltaWing’

Só que tudo mudou para 2013. Bowlby, All American Racers, Michelin, Nissan e Highcroft caíram fora do projeto, já que Don Panoz resolveu assumir ele mesmo o carro. Assim, ele serviria como construtor, equipe e ainda prepararia os motores Élan, que substituíram os Nissan. Quanto aos compostos, a Bridgestone entrou na vaga da Michelin.

O resultado não poderia ter sido pior. Até agora, o DeltaWing já competiu em quatro corridas em 2013: as 12 Horas de Sebring e as etapas de Laguna Seca, Lime Rock e Mosport da American Le Mans Series. Na primeira prova, com Oliver Pla e Andy Meyrick como pilotos, o carro durou apenas nove voltas antes de abandonar.

Em Laguna Seca, Meyrick e Katherine Legge deram 109 giros, mas também deixaram a prova. O resultado se repetiu em Lime Rock, com mais 102 voltas antes do abandono. Neste fim de semana, em Mosport, a situação chegou ao fundo do poço. Apenas 16 passagens dadas pela pista canadense.

Em resumo. O DeltaWing completou 236 voltas neste ano, enquanto a média de voltas dadas pelo vencedor de cada corrida deste ano é 212,5. Ou seja, o carro futurista praticamente levou quatro etapas para conseguir completar a distância de uma única corrida.

E é difícil apontar culpados para essa situação. Em primeiro lugar é a falta de dinheiro. Para o DeltaWing não ficar parado após a saída da Nissan e da Michelin, Don Panoz precisou usar o que tinha à disposição. Pegou um motor Élan, pilotos medianos e está correndo. Além disso, já está claro que o carro não é bom. Talvez a culpa disso tenha sido de transformar um carro projetado para a Indy em protótipo de endurance. E vale lembrar que ele foi montado a partir do péssimo AMR-One.

Por isso, é uma pena que o DeltaWing esteja nesta situação precária, mas não podemos dizer que seja algo imprevisível. Para quem queria ver o carro futurista conquistando melhores resultados, o jeito é esperar pela próxima edição das 24 Horas de Le Mans, quando a Nissan vai inscrever a segunda versão do bólido – agora um carro elétrico –na mesma regra da Garagem 56 e também projetado por Ben Bowlby.