Sergey Sirotkin é o novo piloto da Sauber. E é uma ótima escolha
Sergey Sirotkin é o novo piloto da Sauber. E é uma ótima escolha

O futuro da Sauber na F1 está garantido. A equipe anunciou nesta segunda-feira uma parceria com o governo russo para salvar as dívidas e se manter na categoria. Embora o acordo já fosse esperado, ele teve algumas novidades. A primeira é que Nicolas Todt não fez parte do processo – o que era um boato mais do que furado – e o banco SMP ao mesmo por enquanto também ficou de fora.

Mais surpreendente do que a ausência da instituição financeira foi o anúncio de Sergey Sirotkin, de apenas 17 anos, para a vaga de titular em 2014.

Não há dúvidas de que a decisão de trazer o jovem russo foi acertada. O grande pecado de Sirotkin nessa história toda nem é culpa dele. É a ignorância. Praticamente ninguém sabe quem ele é, por isso a conclusão falaciosa que as pessoas chegam é que se trata de um russo pagante, empurrado goela abaixo da Sauber em troca do apoio financeiro.

E isso não é verdade. Sirotkin talvez seja o melhor piloto russo disponível no mercado. O único que talvez faça alguma concorrência a ele seja Daniil Kvyat, mas que não poderia ser levado à Sauber, pois faz parte do programa de desenvolvimento da Red Bull.

Assim, é de se elogiar a escolha dos russos de ter fugido do binômio Vitaly Petrov/Mikhail Aleshin, que, embora comprovadamente talentosos, são pilotos que alcançaram o auge da carreira há meia década. E desde então não fizeram mais nada de relevante que justificasse ganhar essa vaga na Sauber.

Alguém até pode argumentar que Sirotkin também nunca fez nada e acabou envolvido na negociação por acaso. Contra o jovem piloto ainda pesa o fato de o próprio pai ser o presidente de uma das empresas russas do acordo. Entretanto, tudo isso é apenas uma feliz coincidência para o garoto.

Sirotkin, de apenas 17 anos de idade, é alguém que já chamou a atenção no automobilismo. A primeira temporada de forma integral da qual participou foi na F-Abarth em 2011. Mesmo sendo um novato, o piloto foi campeão do certame europeu, competindo contra nomes como Patric Niederhauser, Nicolas Costa, Luca Ghiotto e Robert Visoiu.

No ano seguinte, ele se dividiu entre a F3 Italiana – onde foi mal – e a AutoGP, quando terminou em terceiro com uma vitória. Em 2013, ele compete pela ISR na World Series e ocupa a oitava colocação no campeonato, tendo terminado em segundo na segunda bateria da etapa de Aragón.

Quer outra prova de que Sirotkin é rápido? Ele foi o único piloto da categoria a largar nas duas primeiras filas em todas as primeiras quatro corridas do ano. António Félix da Costa, Stoffel Vandoorne e Kevin Magnussen só conseguiram fazer isso em duas provas.

Mesmo com todo o talento que tem, o grande problema para o novo piloto da Sauber nesse novo passo na carreira vai ser adequar à curva de aprendizado as demandas de correr na F1. Em condições normais, Sirotkin estaria pronto para chegar à categoria em 2016, levando em conta que ele disputasse mais dois anos entre World Series e GP2 para se tornar um piloto de ponta das categorias.

Como ele estreia na F1 no ano que vem, ele vai ser obrigado a queimar essas fases. Por isso, ele vai precisar compensar essa deficiência, o que certamente vai afetar os resultados. Dessa forma, é mais do que natural que ele tenha um processo de adaptação mais. E isso tudo será ainda mais dificultado pela falta de testes durante o campeonato.