Robin Frijns deu a primeira vitória à Hilmer em 2013
Robin Frijns deu a primeira vitória à Hilmer em 2013

No post anterior aqui no World of Motorsport, eu disse que acredito estarmos vendo uma das melhores gerações da GP2 de todos os tempos. Para explicar por qual razão o grid é tão bom, é preciso destacar a chegada de duas novas escuderias em 2013, a Hilmer e a Russian Time.

Praticamente sem histórico no automobilismo, esses dois times entraram na categoria no início do ano ao comprar equipes que estavam fechando as portas. Enquanto a Hilmer – cujo proprietário é um fornecedor de material para times da F1 – entrou no lugar da Ocean, a Russian Time abocanhou a vaga da tradicional iSport, obrigada a encerrar as operações sem dinheiro.

Assim, neste ano, essas duas equipes não viveram o drama de precisar contar com um piloto pagante. A Russian Time, cujo proprietário é um russo aficionado por automobilismo, lembra um pouco aqueles magnatas do Leste Europeu, que aproveitaram a grana feita no fim da União Soviética para comprar times de futebol tradicionais, algo parecido com o que Roman Abramovich fez no Chelsea.

Sem poupar dinheiro, Igor Mazepa contratou o que tinha de melhor para 2013. Além de aproveitar a estrutura comprovadamente vencedora da iSport, o dirigente deu uma chance a Tom Dillmann, que já havia vencido uma corrida no ano passado e dominado os primeiros treinos da pré-temporada.

Se a chegada do francês já era certeza de lutar por pódios e vitórias, Mazepa deu uma tacada de mestre às vésperas da primeira rodada do campeonato ao acertar com o veterano Sam Bird, que estava na World Series, mas já havia disputado duas temporadas da GP2. Como o britânico sabe que não vai ter chances de pilotar o carro da Mercedes (onde é reserva), ele aceitou retornar à categoria de acesso, para brigar pelo título.

Já a Hilmer não vive essa gastança toda. Ligada a uma empresa do ramo automobilístico, a escuderia demorou a definir os pilotos de 2013. Depois de testar com Dillmann na pré-temporada, o time foi para a primeira rodada com Conor Daly e Pal Varhaug. A dupla, porém, acabou mudando nas etapas seguintes, com a equipe trazendo o atual campeão da World Series, Robin Frijns, e o veterano Jon Lancaster.

O sucesso de Sam Bird e Jon Lancaster comprovam o bom momento das novas equipes
O sucesso de Sam Bird e Jon Lancaster comprovam o bom momento das novas equipes

E os resultados não demoraram a aparecer. Frijns conquistou a primeira vitória da carreira na corrida longa de Barcelona, enquanto Lancaster se aproveitou da regra do grid invertido para triunfar na corrida curta de Silverstone.

Assim, somando essas duas vitórias da Hilmer às três conquistas de Sam Bird – na prova curta do Bahrein e nas longas de Mônaco e de Silverstone –, temos que cinco das última sete corridas disputadas na GP2 foram vencidas pelas equipes estreantes. O único a quebrar essa sequência foi o líder do campeonato, Stefano Coletti, que ganhou as sprint races de Barcelona e de Monte Carlo.

Não há dúvidas de que, por não precisarem recorrer a pilotos pagantes, as duas escuderias já estão conseguindo bons resultados. A grande questão agora é até quando isso vai durar. Até que ponto eles vão continuar tirando dinheiro do próprio bolso para brigar pelas primeiras colocações e quando será necessário apelar para algum garoto endinheirado.

Talvez essa seja uma estratégia a longo prazo. Gastam neste ano para brigar por vitórias para tentar atrair algum piloto pagante, empolgado com os bons resultados, a partir da temporada que vem.