Felipe Nasr ficou procurando a luta pelo título após abanonar
Felipe Nasr ficou procurando a luta pelo título após abanonar

Este ano estou tendo a oportunidade de poder cobrir a GP2 para o Grande Prêmio, o site em que trabalho. Vendo as provas, todas elas muito disputadas de início ao fim, não tenho muitas dúvidas de que 2013 é uma das melhores gerações de pilotos de todos os tempos da categoria, embora só vamos poder ter certeza disso em uns cinco anos ou mais.

Não acho que haja um novo Sebastian Vettel, Fernando Alonso ou Lewis Hamilton no grid, mas há bons pilotos em praticamente todas as equipes e a maioria, se não conseguir chegar à F1 pela questão financeira, aposto que terá sucesso onde decidir correr, seja em Le Mans, seja no DTM ou até mesmo nos Estados Unidos.

A maior prova disso é quando a gente pega a tabela de pontos e vê Marcus Ericsson, apontado como favorito desde a pré-temporada, ocupando apenas a 19ª colocação e Daniel Abt, da poderosa ART Grand Prix, ainda mais atrás, em 21º. É claro que os dois estão muito abaixo do que esperamos, mas olhando os outros 18 que estão à frente, no máximo três ou quatro não deveriam estar lá. O resto já mostrou durante a carreira que tem talento.

Fazendo uma comparação com anos anteriores, mesmo sem aparentemente ter uma superestrela, os principais pilotos da GP2 parecem mais promissores que os dos outros campeonatos, os medianos também já mostraram talento e devem ser reforços importantes para equipes de endurance, turismo e GT no futuro e até mesmo os piorzinhos parecem mais talentosos que os lanterninhas de outrora.

Embora no caso desses últimos, todos vão se encontrar no limbo do fim de carreira mais cedo ou mais tarde.

Outro aspecto do talento do grid atual é o equilíbrio na pista. Em cinco rodadas até agora, 23 dos 30 pilotos que começaram uma corrida já marcaram pontos, 14 terminaram no pódio ao menos uma vez, enquanto cinco venceram pelo menos uma corrida. Curiosamente, isso não se traduz em uma luta aberta pelo título.

E o brasileiro a encontrou quando Coletti abandonou
E o brasileiro a encontrou quando Coletti abandonou

Até a etapa de Silverstone, parecia que o campeonato ia ficar reduzido ao binômio Felipe Nasr e Stefano Coletti. Enquanto o monegasco apostava em um bom desempenho no sábado e em um ainda melhor no domingo (beneficiado pela regra do grid invertido), o brasileiro seguia constantemente entre os primeiros, mas perdendo terreno para o adversário por justamente não vencer corridas.

Só que por muito pouco tudo não mudou na Inglaterra. Como se sabe, Nasr abandonou a primeira corrida após se envolver em um toque com Ericsson ainda na primeira volta. Embora eu já tenha criticado as largadas do brasileiro, como aconteceu na Espanha e no Bahrein, dessa vez ele tracionou melhor que o resto do grid. Como resultado, deixou Sam Bird para trás ainda na reta e emparelhou com o sueco na primeira curva.

Na segunda, o piloto da Dams acabou espalhando e precisou usar do último recurso para tentar manter a ponta. Assim, ele abriu a trajetória, empurrando Nasr para fora da pista. O lance foi tão bizarro que o próprio Ericsson não conseguiu fazer a tangência e foi parar na área de escape. Por causa disso, ele acabou merecidamente punido com um drive-through.

No retorno à pista, o brasileiro acabou tocando no adversário, sendo obrigado a abandonar um pouco depois. Neste momento, parecia que as chances de Nasr na luta pelo título tinham ido embora. O piloto, que estava 24 pontos atrás de Coletti, poderia ver o rival deixar a Inglaterra até 50 pontos na frente, dependendo do resultado na primeira corrida e ainda levando em conta o grid invertido da segunda, com Nasr largando lá atrás.

A situação, entretanto, começou a mudar na última volta da primeira prova. Fabio Leimer acabou tocando no piloto da Rapax, que foi obrigado a abandonar. Com isso, Nasr estava de volta à briga pelo título, uma vez que a diferença de 24 pontos persistia. Na segunda prova, o brasileiro fez uma ótima corrida de recuperação, largando e relargando bem, para conseguir avançar até o sétimo posto e tirar dois pontos para Coletti, que não pontuou.

Mas quem pôde comemorar foi Sam Bird
Mas quem pôde comemorar foi Sam Bird

Com isso, a dupla deixa a Inglaterra com 22 pontos os separando. Para quem viu o título dar adeus na primeira volta, o resultado não é de todo ruim para Nasr. Por outro lado, o bom desempenho nas duas curvais iniciais de uma bateria e durante a prova de recuperação mostrou que o brasileiro tinha carro para, no mínimo, lutar pelo pódio na Inglaterra. Como Coletti estava sofrendo com os pneus, o piloto da Carlin sabe que perdeu uma oportunidade muito boa de se aproximar do adversário na luta pela taça.

Por isso, não dá para dizer que ninguém ganhou e ninguém perdeu com este fim de semana. Tanto Nasr quanto Coletti poderiam ter prejuízos muito maiores, mas acabaram levando um 0x0 para casa.

Em uma situação oposta, quem pode comemorar é Sam Bird. O piloto da Russian Time aproveitou os infortúnios dos rivais para marcar 31 pontos neste fim de semana, quando conquistou a vitória na corrida longa. Agora ele está apenas nove atrás de Nasr e outros 31 de Coletti. Para quem estava fora da briga, o título agora já parece um objetivo mais real. Assim, o que era uma luta entre dois pilotos se tornou um duelo entre três competidores.