O exemplo vizinho

Antes raros, pilotos argentinos se tornaram uma constância no exterior
Antes raros, pilotos argentinos se tornaram uma constância no exterior

Há duas semanas, praticamente o que há de melhor no automobilismo de base em todo o mundo esteve na pista, com a disputa de quatro diferentes versões da F-Renault. Além da Eurocup, que estava em Spa-Francorchamps, a Norte-Europeia (NEC) correu em Silverstone, a Inglesa competiu em Thruxton e a Argentina andou em La Pampa.

Levando em conta os diversos campeões que chegaram à F1 e passaram pelas três primeiras (incorporando o histórico da F-Renault UK à atual F-Renault Inglesa), não há dúvidas da importância delas para o automobilismo de base. Dessa vez, porém, falo da F-Renault Argentina, um campeonato geralmente deixado de lado no quesito revelar pilotos para o os certames europeus.

Fundada em 1980, a F-Renault Argentina usa um chassi chamado Tito, produzido aqui na América do Sul e defasado com relação ao equipamento europeu. Apesar disso, o grande motivo para a categoria ser ignorada é que durante muitos anos o foco foi abastecer o mercado interno, levando jovens pilotos para campeonatos como a Top Race e a TC 2000.

Por isso, não é por acaso que a Argentina sempre é usada como argumento por quem defende a não reestruturação do automobilismo de base no Brasil. Apontar para o país vizinho sempre foi uma forma de mostrar que ter uma categoria de base forte – a F-Renault teve 19 carros em La Pampa – não significa necessariamente o melhor caminho para se chegar à F1.

Pelo contrário, seguindo essa linha de pensamento, chegar à categoria principal do automobilismo mundial era mais uma questão do acaso em mesclar um garoto de talento excepcional do país, ao dinheiro que ele, família e empresários conseguissem levantar, além da sorte de estar no momento certo e na hora certa, com alguma vaga se abrindo quando ele tivesse a chance de dar o último passo da carreira.

A F-Renaul vizinha é sempre cheia
A F-Renault vizinha é sempre cheia

A realidade, porém, é bastante diferente. Se há alguns anos era praticamente impossível citar um piloto argentino no exterior, neste ano há vários deles nos campeonatos menores. E não é por acaso. A maioria correu na própria Argentina antes de cruzar o Atlântico. O mais experiente deles é Facundo Regalia, que defende a ART na GP3. E ele não é o único piloto do país na categoria.

O outro representante é Eric Lichtenstein, que correu na F-Metropolitana – outro campeonato de base do país vizinho – antes de se mudar para Ásia e Europa. Também desse certame veio Marcos Siebert, hoje na F-Renault Eurocup. Voltando à F-Renault, o atual campeão da categoria, Javier Merlo, seguiu os passos do compatriota e também está no torneio europeu da F-Renault. Outro ex-representante da categoria é Bruno Etman, que disputa a F3 Sul-americana pela Cesário.

Por fim, ainda temos Juan Ángel Rosso, atualmente na F-Ford Inglesa e com passagem pela F-Renault Plus, também da Argentina. Rosso ainda é companheiro de equipe de Nicolás Maranzana na categoria britânica, mas este veio do kart e contraria a minha regra.

E, se as condições econômicas permitirem, ao que tudo indica eles não serão os únicos a deixar a Argentina rumo ao exterior. Além dos 19 carros da F-Renault, outros 21 estiveram presentes na última etapa da F-Metropolitana, enquanto a F-Renault Plus teve 22 participantes. É óbvio que o foco da Argentina continua sendo o mercado interno, mas alguma dúvida de que eles têm todas as condições de a cada ano colocar um ou dois pilotos lá fora?

É por isso que não dá mais para apontar o exemplo argentino para justificar o que não é feito por aqui. Enquanto eles têm um automobilismo interno forte, aqui a gente tem apenas a Stock Car – e a Truck. Entretanto, a renovação de pilotos, seja para elas, seja para a F1 e Indy é feita a conta gotas e praticamente inexiste.

3 comentários sobre “O exemplo vizinho

  1. O Brasil teve Kart, F Ford e F 3 muinto forte com grid cheio e nivel tecnico que não deixava a desejar para os compeonatos mais badalados,lembro de uma corrida de F Ford em interlagos com 27 carros e disputa de alto nivel por todas as possições,depois do fim da F Ford que foi subistituida por categorias boas mas que não durarão e a briga com os Argentinos na F3 começou um ciclo de decadencia que pendura até hoje então o verdadeiro exemplo é nosso passado e não a Argentina que revela menos pilotos que paises sulamericanos com altomobilismo fraco

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  2. Felipe, quanto custa uma temporada na Formula Renault argentina? E não seria uma boa alternativa os brasileiros que saem do kart tentarem iniciar a carreira no país vizinho?

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