Sébastien Ogier trocou o rali pelas pistas por um dia
Sébastien Ogier trocou o rali pelas pistas por um dia

Sébastien Ogier e Sébastien Loeb não são o que podemos chamar de bons amigos. Companheiros de equipe na Citroën, em 2011, durante a disputa do Mundial de Rali, os dois dividiram a montadora francesa no melhor estilo Senna e Prost. Como a Citroën manteve Loeb como primeiro piloto, restou a Ogier arrumar uma transferência para a Volkswagen, para quem domina a atual temporada do WRC.

O ressurgimento de Ogier, se é que podemos chamar assim, começou justamente com a saída do xará do Mundial. Em 2013, o megacampeão decidiu participar de apenas quatro etapas do WRC, enquanto começa a fazer a transição para os carros de turismo, competindo no GT1 ao lado de Álvaro Parente.

Mesmo assim, o domínio dos dois pilotos no WRC ainda é evidente. Depois da briga entre ambos em 2011, Loeb dominou com facilidade a temporada seguinte ao vencer o título com dez vitórias e 57 pontos de vantagem para o segundo colocado, Mikko Hirvonen.

Ah, o constrangimento de colocar dois inimigos juntos para uma foto...
Ah, o constrangimento de colocar dois inimigos juntos para uma foto…

Neste ano, quem não tem adversários é Ogier. O piloto da Volkswagen já venceu três das cinco etapas disputadas até agora e chegou em segundo nas outras duas. Com isso, ele já soma 122 pontos, contra apenas 57 de Hirvonen, o terceiro colocado. Curiosamente, o vice-líder ainda é Loeb, que mesmo tendo competido em apenas três etapas detém o segundo posto.

Por isso, talvez mais interessante que a luta pelo título Mundial é a batalha particular entre os dois ex-companheiros. E nos três ralis em que se enfrentaram até agora quem levou a melhor foi o megacampeão. Loeb venceu em Mônaco e na Argentina, enquanto Ogier foi o primeiro colocado na Suécia.

Ou seja, nessa disputa, falta apenas o Rali da França para definir o vencedor, certo? Quase. Quem resolveu mudar as regras do jogo foi Sébastien Ogier. Sabendo que o maior rival ia participar de duas etapas da Porsche Supercup – Espanha e Mônaco – para acumular experiência nos caros de turismo, o piloto da Volkswagen fechou um acordo para também estar presente no Principado. Assim, a corrida preliminar da F1, que não tinha maiores atrativos, se tornou um verdadeiro 1×1 pelas ruas de Monte Carlo.

O problema é que faltou combinar com os outros pilotos. Em um grid com qualidade, o melhor desempenho da dupla veio logo nos treinos livres, quando Ogier terminou com a 11ª posição e Loeb foi o 13º. Só que o líder, Sean Edwards, fechou a atividade com 1s6 de vantagem para o piloto da Volkswagen.

Loeb fez duas etapas na Porsche Supercup
Loeb fez duas etapas na Porsche Supercup

Na classificação, Ogier se aproximou de Edwards, ficando 1s5 atrás do companheiro de equipe. Apesar disso, ele ficou apenas com a 14ª posição no grid, duas posições à frente do seu rival. Como as corridas em Mônaco nunca são das mais animadas, Ogier ainda conseguiu o hercúleo esforço de passar Patrik Szczerbinski e fechar a prova em 13º, colado em Clemens Schmid, o 12º. Já Loeb não saiu da 17ª posição, recebendo a bandeira quadriculada tendo o próprio ritmo limitado por carros mais lentos.

Com isso, o duelo particular entre os dois franceses tem um resultado curioso neste momento. Levando em conta apenas as corridas off-road, quem leva a vantagem é Loeb, mesmo com o calendário limitado no WRC. Entretanto, no duelo no asfalto, nova casa de Loeb, foi Ogier quem levou a melhor em Monte Carlo.

Para encerrar, é claro que a batalha de Mônaco foi uma jogada e tanto da Porsche para aumentar o interesse por sua categoria, mas pouco tem a ver com qualquer plano maligno de Ogier em humilhar Loeb em qualquer pista. É que como o grupo Volkswagen é dono da Porsche, então fazia todo sentido colocarem seu principal piloto – Ogier – em uma das corridas mais importantes do ano. A batalha com o rival só uniu a fome com a vontade de comer.