O inconsistente Rio Haryanto é o líder da Addax em 2013
O inconsistente Rio Haryanto é o líder da Addax em 2013

Quem vê a Addax ocupando apenas a 12ª colocação na classificação entre equipes da temporada 2013 da GP2, pode não acreditar que essa é a mesma equipe que terminou com o título em 2011 e o vice-campeonato nos dois anos anteriores. Mas essa queda no rendimento de uma das mais tradicionais escuderias do certame tem algumas explicações.

A primeira delas é do ponto de vista técnico. A Addax surgiu a partir da equipe Campos, quando Adrián Campos decidiu vender o time ao sócio, Alejandro Agag, para se dedicar à tentativa de ter uma escduderia na F1.

Agag, um dos empresários mais bem relacionados da Espanha, aprendeu com Campos alguns dos segredos da categoria. Ele sabia desde o início que para conseguir bons resultados era preciso apostar em pilotos mais experientes. No primeiro ano do time, a dupla titular foi formada por Vitaly Petrov e Romain Grosjean.

No ano seguinte, Giedo van der Garde e Sergio Pérez assumiram os carros, enquanto Charles Pic ocupou a vaga do mexicano em 2011. Curiosamente, Pic e Van Der Garde – hoje parceiros na Caterham – formaram a dupla que levaram o time ao título daquele ano.

A situação começou a mudar em 2012, quando Agag resolveu aumentar o espaço para pilotos pagantes, até mesmo devido à escalada de custos na categoria. Para a temporada passada, ele contratou Johnny Cecotto Jr. e Josef Král. Apesar da limitação dos dois, o time fechou com três vitórias, incluindo um desempenho dominante do venezuelano em Mônaco.

O problema é que as coisas desandaram para este ano. Para o lugar de Král, o time trouxe Jake Rosenzweig, que, apesar de endinheirado, jamais conquistou uma vitória na carreira e tem um único pódio desde que estreou nos monopostos.

Para a vaga de Cecotto, a Addax contratou o badalado Rio Haryanto. O problema é que o indonésio é um piloto irregular. Enquanto ele já se mostrou capaz de andar forte e vencer corridas, também é alguém que consegue fazer longas sequências de provas andando fora do top-15. Por isso, não é prudente confiar em alguém assim para liderar uma escuderia.

Entretanto, não conseguir mais atrair pilotos de ponta é mais uma consequência da fase que a Addax vive e não uma causa. O principal problema do time, no momento, é a falta de interesse de Agag pela própria GP2. Enquanto tinha a principal equipe do campeonato, o dirigente fazia de tudo para angariar recursos. Agora, o foco dele deixou de ser o campeonato de acesso da F1 e se tornou a F-E, onde é um dos principais dirigentes.

Não há nenhuma dúvida de que os carros elétricos parecem um melhor investimento para o futuro. Se a categoria der certo, Agag pode ampliar os negócios, não ficando limitado apenas a promover a carreira de jovens pilotos ricos rumo à F1. Por isso, enquanto isso a GP2 fica ali, sendo empurrada com a barriga.