Não se importe com os pneus

Os pneus viraram o inimigo da F1 em 2013
Os pneus viraram o inimigo da F1 em 2013

Mais uma etapa da F1 ficou para trás. Como o mundo inteiro já deve saber – a menos que você more na Coreia do Norte –, Fernando Alonso venceu o GP da Espanha, neste fim de semana, com Kimi Raikkonen e Felipe Massa subindo ao pódio. Apesar disso, a grande história da prova foram os pneus, que mais uma vez se desgastaram rapidamente.

Só que isso não é totalmente verdade. Vou contar um segredo aqui. Desconfie de tudo o que você lê, principalmente sobre os compostos da Pirelli. Nesta segunda-feira, o jornalista Joe Saward publicou um texto dizendo que a imprensa inglesa elegeu os pneus como vilões da prova. Assim, os jornalistas de lá se juntaram e praticamente publicaram a mesma história tentando justificar o mau resultado de Hamilton e Button a partir dos compostos.

Como o noticiário brasileiro é pautado pela mídia inglesa, a história dos pneus repercutiu aqui. E por que eles foram escolhidos como vilões do fim de semana? É fácil. Os ingleses não têm mais nada para falar da corrida. A McLaren mais uma vez fracassou. Hamilton foi ainda pior, com um 12º lugar e Max Chilton não conta, pelamor…

Aí na hora de explicar para os leitores por qual razão os pilotos britânicos não estão indo bem, é mais fácil apontar o pneu como justificativa ao invés de falar que os outros carros são melhores. Para provar isso, basta ver quem aparece como fonte nessas matérias. Ou é a Mercedes, ou é a Red Bull. A Lotus, por outro lado, elogia os compostos. E a Ferrari, que está vencendo, não fala nada.

De qualquer forma, os ingleses estão certos em uma coisa: os pneus transformaram as corridas da F1 em algo chato.

Você não vê a Ferrari reclamando dos pneus
Você não vê a Ferrari reclamando dos pneus

Pessoalmente, não sou a favor de uma corrida com tantas paradas como as que estão acontecendo. É um pouco monótono e confuso ver um piloto indo ao pit-lane quatro vezes – seis no caso de Nico Hulkenberg – em um fim de semana –, agora multiplique isso pelos 22 pilotos do grid e veja o que a F1 virou. Da mesma forma, ver os atletas perguntando pelo rádio se devem disputar posições com os adversários ou apenas cuidar dos pneus vai contra o que entendemos como automobilismo.

Ainda assim, a grande pergunta que fica é o quão ruim os pneus são. Acredito que eles são melhores do que a imagem que passam. Ainda assim, não há muitas dúvidas de que a Pirelli errou a mão para 2013. Só que a própria empresa já reconheceu isso. Após o GP da Espanha, o diretor da fabricante Paul Hembery disse que esperava duas ou três paradas em Barcelona, mas houve quatro. Assim, ele está disposto a mudar os compostos a partir do GP da Inglaterra para ter corridas mais normais.

Seguindo o raciocínio de Hembery, duas ou três paradas é algo que sempre aconteceu na F1. Em uma corrida de 60 voltas, por exemplo, veríamos alguns pilotos parando no giro 20 e no 40, enquanto outros se dirigiriam aos boxes no 15, 30 e 45. Até aí, nada demais.

Com menos paradas, também veríamos os pilotos tendo mais espaço para brigarem por posições. Aí seria questão de estratégia. Quem ir aos boxes três vezes vai poder acelerar mais, enquanto os outros estarão mais preocupados em poupar a borracha.

A ideia de que veríamos os pilotos acelerando um contra o outro 100% do tempo de uma corrida é uma fantasia. Isso só vai acontecer em duas situações. Ou com os atletas com a mesma estratégia, ou com pneus ‘de concreto’, como eram os Bridgestone, em uma época em que ninguém passava ninguém.

É claro que ninguém quer esses dias de volta. Portanto, o trabalho da Pirelli é apenas para ter corridas mais movimentadas.

Como diz Joe Saward no artigo citado lá em cima, eu ficaria preocupado se os pneus Pirelli mudassem a ordem da F1, e a habilidade de pilotos, mecânicos e engenheiros não valessem mais nada. Mas não é isso que acontece. Quem culpa os pneus 100% das vezes é quem está tentando justificar – talvez até mesmo para o público – carros cujo projeto deram errado.

3 comentários sobre “Não se importe com os pneus

  1. “Seguindo o raciocínio de Hembery, duas ou três paradas é algo que sempre aconteceu na F1.” É claro que este comentário é prá lá de infeliz! A F1 começou em 1950 e as famigeradas trocas de pneus começaram na década de 1980. Não obstante um F1 hoje seja mais aparentado de um avião de caça do que de um automóvel, é ridículo supor que a indústria não consiga fazer um pneu que dure 300km. É claro que consegue, por mais downforce que os carros tenham. Aí sim teríamos chance de ver os verdadeiros estrategistas em ação, aqueles com habilidade suficiente para levar para casa um carro com os pneus em frangalhos. Mas, à mídia isto não interessa, até porque F1 é feita para torcedores de… F1, não de automobilismo em geral. O estado da arte da imbecilidade é a asa móvel que, no melhor estilo do “não vale bicuda” só pode ser usada em determinados lugares e circunstâncias. Ou usa ou não usa! No protótipo Camber, aqui em Brasília, no final da década de 1960, Alex Dias Ribeiro e seus companheiros tinham uma asa móvel que usavam quando queriam, através de singelo sistema de alavanca. Pois é… rima rica, mas é a tecnologia servindo à monotonia… Pneus programados para morrer, aerofólios cibernéticos e pilotos antisséticos. Que preguiça!

    Eraldo
    Brasília (DF)

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  2. não acredite em anda do que vc lê, muito menso nesse texto acima. mesmo porque a red bull está reclamando e massa tb, e semanas atrás até o alonso reclamava e a mercedes é alemã e nenhum desses reclamões é inglês. e os carros pararam quantas vezes mesmo???chega, deixa só a emissora oficial chamar os telespctadores de burros chamar de burros.

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  3. Concordo em parte com vc… A meu ver, os pneus tem culpa sim, mas o que tirou a graça das corridas nessa era pós-Schumacher é a extrema dependência de fatores artificiais como os pneus de isopor da Pirelli, o DRS, as excessivas punições por motivos banais, o parque fechado, a reutilização de pneus de treinos nas corridas (que trazem aos Q3’s o mesmo dilema das corridas: acelerar tudo ou poupar pneus?) etc., que relegaram a segundo plano aquilo que deveria ser o centro das atenções: a disputa de habilidades entre pilotos e equipes/engenheiros…

    Culpar somente os pneus está errado, mas que o espetáculo está muito ruim, isso está…

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