Pantera adormecida

A Panther está cada vez mas pequenininha na Indy
A Panther está cada vez mas pequenininha na Indy

Há dois anos, quando J.R. Hildebrand bateu na última curva das 500 Milhas de Indianápolis, escrevi aqui no World of Motorsport que o piloto americano havia falhado na missão de entrar para a história. Claro que aquele fim de corrida foi dramático, mas no futuro, quando as pessoas procurarem sobre o resultado da Indy 500, vão ver apenas o nome de Dan Wheldon. Somente os mais aficionados pelo esporte vão saber da circunstância daquela vitória.

Agora, em 2013, não há muitas dúvidas de que aquele talvez tenha sido o último momento de brilho da tradicional equipe Panther na categoria. Acostumada a brigar por vitórias com pilotos como Scott Goodyear e Sam Hornish, além de Thomas Scheckter, Vitor Meira e o próprio Wheldon, a equipe de John Barnes, uma das poucas remanescentes da antiga IRL, não ocupa mais o quarto posto na ordem de forças da categoria.

Se há alguns anos a Panther estava atrás apenas de Penske, Ganassi e Andretti, não é absurdo dizer que ela já foi superada por Foyt, KV e Dreyer & Reinbold (antes da fusão). Também não está errado dizer que Rahal Letterman, Sam Schmidt e Dale Coyne tiveram momentos de muito mais brilho nos últimos anos, ainda que no conjunto da obra o time Barnes esteja melhor.

E isso coloca por terra o argumento de que a Panther encolheu por falta de dinheiro. É verdade que a escuderia não tem o mesmo orçamento que Penske, Ganassi e Andretti, mas ela não termina na frente desde 2005, quando Thomas Scheckter triunfou no Texas. Para piorar, nesse período, a Dale Coyne, pior equipe da Champ Car, já venceu duas vezes.

Dan Wheldon wins the Indy 500
E esse momento mudou a história

O problema da Panther é que ela parou no tempo conforme a Indy foi mudando. Com cada vez menos etapas em ovais, as equipes medianas entenderam que é melhor você ter um especialista em circuitos mistos a contratar alguém mediano tantos em ovais quanto em mistos.

É por isso que nomes como Justin Wilson, Takuma Sato, Mike Conway, Simona de Silvestro e Sébastien Bourdais são tão valorizados na categoria. E o que eles têm em comum? Tirando Simona, todos os outros fizeram carreira na Europa, chegaram a categorias como F1, GP2 e F3000, antes de se mudarem para a América.

Atual titular da Panther, J.R. Hildebrand seguiu o caminho contrário. O piloto competiu nos Estados Unidos e foi campeão da Indy Lights antes de descolar uma vaga na categoria principal. Só que o título do americano foi em 2009, numa época em que James Hinchclife, por exemplo, era um novato.

Desde então, o canadense não só venceu o título de Novato do Ano da Indy, em 2010, como conseguiu uma boa transferência para a Andretti e se tornou um dos pilotos de ponta da categoria. Por isso, por mais que J.R. ainda tenha espaço para se desenvolver, talvez fosse melhor para a Panther dar uma olhada no automobilismo europeu.

Em uma F1 onde o dinheiro é cada vez mais importante para a chegada de novos pilotos, o time americano poderia contratar alguém que ficou sem vaga por lá. Por que não pensar algo e trazer Heikki Kovalainen, Timo Glock ou até mesmo Kamui Kobayashi?

Por outro lado, dá para entender que os pilotos que hoje alcançam a F1 pensam em continuar na Europa, seja no DTM, seja no WEC.  Por isso, uma solução para a Panther poderia ser trazer alguém que se destaque na GP2, mas não tenha o orçamento necessário para subir à F1.

No grid de 2013, não há muitas dúvidas de que Felipe Nasr e James Calado são os nomes de maior destaque. Se eu fosse a Panther, ficaria de olho caso o plano deles de alcançar a F1 não dê certo. Mas isso não quer dizer que o restante do grid seja composto por pilotos fracos. Alexander Rossi, por exemplo, é americano e já mostrou bons resultados em praticamente todas as categorias por onde passou.

Mas eu gostaria de ver Sam Bird tendo uma chance. Reserva da Mercedes na F1, dificilmente o inglês vai ter alguma chance na categoria principal. Então, por que não arriscar e seguir o caminho de Dan Wheldon, trocando o automobilismo europeu pelo norte-americano, podendo até se tornar um ídolo deste lado do Atlântico?

5 comentários sobre “Pantera adormecida

  1. Com todo respeito, Felipe, mas acho uma péssima idéia. Queremos quem merece e gosta da Indy, queremos Pigot, Karam, Jack Hawk, Clauson e o menino de ouro Matt Brabham. A indy precisa dos seus moleques, como o Santos FC precisa sempre dos “para da casa” para fazer sucesso.

    De que adianta um Glock? Um Kova??? Pra que? Não, a Indy não precisa desses pilotos abandonados pelo mundo cruel da F1. Logo Newgarden estará ganhando provas como James vem fazendo, e ambos são pilotos da base. Cada vez que um “refugo” da F1 assume um lugar na Indy, uma possibilidade de subir os moleques é fechada. Não sou a favor do que vc pensa, mas respeito.

    Pilotos orientais, mesmo que refugos da F1, são outros quinhentos, esses podem dar eventual retorno, como no caso de Sato. Koba é uma boa, seria legal ter dois dos melhores pilotos que o Japão já produziu em uma temporada da indy.

    Sobre a Panther, realmente ela está mais do que adormecida. JR não consegue render, começa a ser duramente questionado. Vamos ver no que dá, não descarto ele. Marco Andretti tava fazendo temporadas mediocres até que no fim do ano passado resolveu pegar umas aulas com um professor de pilotagem especializado em rally. Veja no que deu. Talvez Hildebrand esteja com alguma dificuldade técnica com o novo carro.

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  2. Indy 2011, eu estava lá, torcendo pelo novato que quase ganhou as 500 Milhas. Deu prá ouvir o grito de susto do público, quando Hildebrand bateu. Foi histórico, como toda prova da Indy-500.

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  3. Felipe, um erro. J;R Hildebrand foi campeão da Indy Lights em 2009 e não em 2008.
    Concordo que seria legal ver pilotos que não deram certo na F-1 tentarem algo nos EUA, principalmente Kobayashi, que considero o melhor piloto japonês do momento. Mas a Indy precisa se tornar mais atrativa para esses pilotos, pois não faz senyido mudar de continente se ainda tem chance de tentar a F-1

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    1. Obrigado pela correção, já arrumei no texto.

      Minha pergunta é o quanto esses pilotos ainda têm chances de tentar a F1. É claro que todos gostaríamos de ver o Kobayashi de volta, mas o quanto disso é possível e o quanto é delírio dos fãs?

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  4. Ha pouco tempo surgiram noticias de que a Ganassi tentou contratar Bruno Senna para 2013 e que ainda tenta contrata-lo para 2014, mesmo sabendo que ele nao aceita correr em ovais. Sera verdade?

    Kobayashi e Kovalainen poderiam tambem mudar-se para os EUA, mas tal como o Bruno nao sei se aceitariam ir para uma equipa como a Panther, embora provavelmente aceitassem correr em ovais. O que parece certo e que a nova Formula E tem como aspiraçao atrair pilotos como o Bruno ou o Kamui e neste caso eles poderiam ate talvez conciliar isso com uma carreira no WEC.

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