O sucesso da F-BMW

Felipe Nasr (12) é um dos cinco campeões da F-BMW na GP2
Felipe Nasr (12) é um dos cinco campeões da F-BMW na GP2

A GP2 sofreu em 2012 com um grid enfraquecido e a proliferação de pilotos pagantes em quase todas as equipes. Entretanto, para a atual temporada, a situação mudou. O campeonato conseguiu atrair bons competidores, vindos de diversos certames do mundo, e a qualidade das corridas aumentou.

Para este fim de semana no Bahrein, a categoria ganhou mais dois reforços. Alexander Rossi, reserva da Caterham na F1, foi colocado no time da GP2 para compensar a chegada de Heikki Kovalainen, substituindo Qing Hua Ma. O outro nome estreando no grid é o do atual campeão da World Series by Renault, Robin Frijns, que entra na vaga de Conor Daly na Hilmer.

Há uma coisa em comum entre esses dois pilotos. Eles surgiram para o mundo ao serem campeões da extinta F-BMW. Rossi venceu a versão Americas do certame, em 2008, tendo disputado corridas nos Estados Unidos, no Canadá e no Brasil. Já Frijns triunfou na F-BMW Europeia, em 2010, superando nomes como Jack Harvey, Carlos Sainz Jr. e Michael Lewis.

Na GP2, curiosamente, eles vão encontrar pilotos com currículos parecidos. Felipe Nasr, por exemplo, foi campeão da F-BMW Europeia um ano antes de Frijns, enquanto Rio Haryanto triunfou na versão do Pacífico em 2009. E até mesmo Marcus Ericsson foi campeão da F-BMW Inglesa, em 2007.

Apesar disso, evidentemente nem todos os pilotos que passaram pela categoria criada pela montadora alemã na década passada tiveram sucesso nas carreiras. Por isso, o World of Motorsport lista aqui cinco brasileiros que tiveram boas passagens pela F-BMW, mas não conseguiram repetir os passos de Nasr, Rossi, Frijns, entre outros.

Antes de começar, faço uma observação. É curioso como os brasileiros tiveram desempenho muito bom na F-BMW como um todo. Uma pena que eles não conseguiram manter o bom momento e ficaram pelo caminho. Além disso, evitei colocar nomes muito obscuros como Marcos Vilhena e Marco Santos, dos quais eu nunca tinha ouvido falar até o dia de hoje.

Ricardo Favoretto

5) Ricardo Favoretto

Ricardo fez carreira no kartismo em São Paulo até 2006, quando foi o vencedor de uma das várias bolsas distribuídas pela BMW. Com ela, ele pôde fazer a transição para os monopostos no ano seguinte, onde disputou a F-BMW Americas pela equipe HBR. No primeiro ano, o paulista conquistou apenas um único pódio e terminou o campeonato com a oitava colocação, atrás de nomes como Daniel Morad (o campeão), Estaban Gutiérrez e Alexander Rossi.

Mesmo tendo passado longe do título, Favoretto continuou no certame no ano seguinte, fechando com a poderosa equipe Eurointernational, para ser companheiro de Rossi. Como o americano começou 2008 mal, o brasileiro aproveitou a vitória na etapa de Montreal para se colocar na briga pelo título. O problema é que o americano esteve imbatível depois disso.

Rossi venceu dez das últimas 12 corridas disputadas e garantiu a taça com uma ampla vantagem contra o concorrente. Favoretto, por outro lado, ainda se viu obrigado a trocar de equipe – da Eurointernational para a Autotecnica – para poder terminar o campeonato. Ainda assim, ele ainda somou outros cinco pódios (todos pelo time americano) para terminar com o vice-campeonato.

Depois da passagem pela América, o piloto voltou ao Brasil, onde deixou a carreira no automobilismo de lado para se dedicar à faculdade.

Henrique Martins

4) Henrique Martins

Nascido em 1992, Martins é dono de uma das carreiras mais longevas entre os brasileiros que passaram pela F-BMW. O paulista estreou no certame Europeu, em 2008, pela equipe Eifelland, onde não teve um bom desempenho. O melhor resultado dele foi o quinto lugar em Valência, mas essa foi a única vem em que terminou no top-10. Com isso, foi o 19º na classificação geral, com 38 pontos.

Para 2009, Henrique resolveu deixar a Europa para voltar a correr no Brasil. Pela equipe Cesário, ele foi campeão da divisão Light da F3 Sudamericana, com nove vitórias e 13 pole-position em 18 corridas. O bom momento da carreira o fez voltar à Europa para correr na F-Renault Europeia.

Entretanto, mais uma vez ele não foi bem. Andando pela Cram, o brasileiro disputou dez corridas, somou apenas três pontos e foi o 21º entre os 24 pilotos do certame. Mesmo assim, ele resolveu permanecer no campeonato em 2011, e o esforço foi recompensado. Em um grid muito mais cheio, Martins somou cinco pontos, mas apresentou um ritmo muito melhor que o do ano anterior, tendo até mesmo subido ao pódio em uma etapa da F-Renault Alps.

Para manter a evolução da carreira, ele disputou a F3 Italiana no ano passado, onde terminou com a quarta colocação e três vitórias, um desempenho muito bom para um novato. Infelizmente, depois disso ele parou de correr e não anunciou nenhum plano para 2013.

Giancarlo Vilarinho

3) Giancarlo Vilarinho

Quando Felipe Nasr conquistou o título da F-BMW Europeia em 2009, a expectativa era que o Brasil vencesse também a versão Americas, já que Vilarinho havia liderado boa parte da temporada. Correndo pela Eurointernational, o paulista venceu cinco corridas consecutivas, entre as sete primeiras etapas do ano, disparando na classificação.

O problema é que nas últimas sete etapas ele venceu apenas mais duas, abandonou algumas vezes e viu Gabby Chaves – que nunca terminou fora do pódio – ser campeão. De qualquer forma, o brasileiro fechou o ano com sete vitórias e nove pole-position, um desempenho muito bom para quem quisesse dar o próximo passo da carreira.

Só que Vilarinho estagnou aí. Ele chegou a participar de uma etapa da Star Mazda, ainda em 2009, em Laguna-Seca, onde abandonou. No ano seguinte, o brasileiro ficou boa parte do tempo sem correr, mas tomou parte de duas corridas da Indy Lights, em Mid-Ohio e em Sonoma, sendo 13º e décimo. Depois disso, nunca mais correu de nada. E pensar que Gabby Chaves só chegou à Indy Lights agora em 2013.

Tiago Geronimi

2) Tiago Geronimi

Se Favoretto e Vilarinho realmente chegaram próximos de serem campeões, Geronomi foi o brasileiro que mais encantou na Europa. O paulista estreou na F-BMW Alemã, em 2007, pela equipe Eifelland. Como novato, teve um ano bom, conquistando dois quintos lugares em Barcelona e fechando com a 11ª colocação na classificação geral.

O problema de Geronimi foi a fusão entre o certame alemão e inglês da categoria, formando a F-BMW Europeia, em 2008. No novo campeonato, ele não conseguiu se encontrar. Nas primeiras oito corridas, conquistou a 11ª posição como melhor resultado e sequer conseguiu pontuar – fechar no top-20 – em quatro delas.

Só que tudo mudou na segunda metade do campeonato. Tiago terminou duas vezes em sexto na Hungria e depois venceu três das últimas seis corridas, incluindo um 100% de aproveitamento em Monza. Com isso, ele pulou do limbo da classificação para o quinto lugar do campeonato. O desempenho nas últimas provas foi tão bom que ele era apontado como o único concorrente capaz de fazer frente a Esteban Gutiérrez, o campeão.

E de fato ele continuou em ascensão. Para 2009, ele fechou com a poderosa equipe Signature, da F3 Euro. Juntos somaram apenas dois pontos, graças ao quinto lugar em Norisring, mas o desempenho no geral foi bom para um novato, já que o brasileiro sempre terminava próximo à zona de pontos.  Porém, mesmo com proposta para correr novamente em 2010, ele optou por voltar ao Brasil, onde tomou parte da Copa Montana nas últimas três temporadas. Conquistou algumas vitórias e se mostrou um piloto extremamente rápido, mas bastante irregular.

Atila Abreu

1)      Átila Abreu

Átila é dono do melhor desempenho de um piloto brasileiro na F-BMW. Correndo pela equipe Mücke, o paulista conquistou duas vitórias, uma pole, 11 segundos lugares e dois terceiros, uma campanha digna de título, portanto. O problema era o outro piloto da escuderia, um tal de Sebastian Vettel, que terminou na frente em 18 das 20 provas disputadas e começou aí a construir o mito que todos conhecemos.

Assim como Vettel, Átila já havia disputado a F-BMW no ano anterior, sendo o nono colocado. Com o vice-campeonato de 2004, o brasileiro tentou continuar nos monopostos, onde participou da F3 Euro na temporada seguinte. Terminou em 15º, com 12 pontos e resolveu voltar ao Brasil para correr na Stock Car, pois, por ser muito alto, tinha problemas para andar em monopostos.

Levando em conta que o principal parâmetro de Átila na Europa era Vettel, é difícil pensar no que ele poderia ter alcançado se continuasse por lá.  Talvez conseguisse até chegar à F1.

6 comentários sobre “O sucesso da F-BMW

  1. Vc diz que o Atila teve o melhor desempenho de um piloto brasileiro. Isso sem considerar o Felipe Nasr, né? O Nasr teve 5 vitórias, 9 segundos lugares e 6 poles. Isso só no europeu, no pacifico ele ainda teve mais 2 poles e 2 vitorias.

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  2. Vilarinho inclusive foi o único a quebrar um recorde mundial da BMW, que era de Vettel. Na epoca deram muito destaque. Fez cinco hat tricks seguidos na Americana, contra quatro de Vettel nos tempos de Alemã.

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