GP2 2013

O que você não sabe sobre a GP2: apesar do nome James Calado é um cara que não sabe parar de falar
O que você não sabe sobre a GP2: apesar do nome James Calado é um cara que não sabe parar de falar

Principal campeonato de acesso à F1, a GP2 dá início à temporada 2013 do certame nesta semana, em Sepang na Malásia. Se no ano passado a categoria sofreu com a concorrência da World Series by Renault, neste ano ela retorna ao posto de honra como categoria principal na preparação de jovens pilotos. Afinal, dos cinco novatos que debutaram na F1 no último fim de semana, quatro – Esteban Gutiérrez, Giedo van der Garde, Max Chilton e Jules Bianchi – haviam corrido no certame de Bruno Michel.

Apesar disso, nenhum dos quatro foi protagonista da temporada passada. Dentre eles, Gutiérrez foi o melhor classificado, em terceiro, com Chilton aparecendo na sequência. Van Der Garde, por sua vez, foi apenas o sexto, enquanto Bianchi não correu, pois estava na World Series.

Por causa disso, há quem questione a necessidade de se passar pela GP2, pois campeão e vice de 2012 não estão na F1. Davide Valsecchi, que terminou o ano com a taça, se tornou apenas reserva da Lotus, já Luiz Razia perdeu o lugar na Marussia no último minuto em uma história muito mal explicada envolvendo os patrocinadores.

Mas essa é uma crítica incoerente. Uma das principais reclamações que a GP2 tem recebido é que ela favorece a veteranos. Nos últimos anos, nomes como Giorgio Pantano, Romain Grosejan, Luca Filippi, Pastor Maldonado e o próprio Valsecchi ficaram pelo menos quatro temporadas no certame antes de terminarem com o título (ou o vice). Ou seja, o trabalho de revelar novos pilotos praticamente não acontecia. E os próprios veteranos não impressionavam mais o paddock da F1. Não é por acaso que os italianos sequer chegaram à categoria.

Assim, justamente no ano em que as equipes da F1 ignoraram os veteranos e olharam apenas para os menos experientes – ainda que Gutiérrez e Chilton também não tenham impressionado – a GP2 é criticada.

Algumas equipes da GP2 apostam em pilotos experientes. Esse é Ken Smith, mas ele só corre na Nova Zelândia
Algumas equipes da GP2 apostam em pilotos experientes. Esse é Ken Smith, mas ele só corre em certames da Nova Zelândia

Outro problema que a categoria de base vai enfrentar neste ano é a estrutura precária de algumas equipes. Nomes tradicionais como a Super Nova e a iSport deixaram o campeonato para a chegada de conglomerados investidores como a Russian Time e a Hilmer. Eu escrevi um texto sobre isso no Grande Prêmio e você pode clicar aqui para relembrar.

De qualquer forma, a GP2 começa 2013 com um grid de qualidade onde mais uma vez novatos e veteranos se misturam. É muito cedo para apontar favoritos, pois nem sempre os treinos da pré-temporada dizem a verdade sobre o campeonato, e a experiência dos pilotos com os pneus Pirelli serão fundamentais para decidir o vencedor deste ano.

Ainda assim, fiz uma lista de cinco pilotos que devemos ficar de olho para a temporada 2013:

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5) Marcus Ericsson – Dams

Nos últimos quatro anos, o piloto sueco foi constantemente colocado como um dos favoritos para vencer a GP2. Tendo feito carreira na F3 Inglesa e na F3 Japonesa, Ericsson atraiu uma multidão de fãs no norte da Europa que fazia questão de colocá-lo como um dos pilotos mais brilhantes da geração.

Passados três anos da estreia na GP2, Ericsson parece ter desencantado só agora. Nas últimas seis corridas da temporada passada, ele foi o piloto que mais marcou pontos, tendo subido três vezes ao pódio. Para melhorar a situação, para 2013, ele assinou com a Dams, equipe que venceu os dois últimos títulos com Grosjean e Valsecchi.

Por começar o quarto ano na categoria com um time de ponta, Ericsson naturalmente seria o favorito para ficar com a taça. Entretanto, ele não foi tão bem nos treinos coletivos. Embora tenha sido o segundo colocado no último dia em Barcelona, ele jamais liderou uma sessão, fechando quatro dos seis dias de atividade entre o sexto e o oitavo posto.

Se o nórdico conseguir dar a volta por cima no início da temporada e deslanchar a vencer corridas, é capaz que termine com o título de 2013 sem maiores dificuldades. O problema, porém, vai ser convencer as equipes da F1 que ele merece uma chance no próximo ano, ao contrário de Davide Valsecchi e Luiz Razia.

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4) Tom Dillmann – Russian Time

Como eu disse anteriormente, é verdade que pré-temporada não define campeonato, mas no caso de Dillmann os treinos coletivos foram fundamentais. É que depois de liderar as duas primeiras sessões pela equipe Hilmer, as portas se abriram para o francês. Ele foi convidado a testar pela ISR, na World Series, e quando se preparava para negociar o contrato acabou chamado pela Russian Time, estreante na GP2.

Não há dúvidas de que Dillmann é bom piloto. No ano passado, por exemplo, ele disputou apenas meia temporada, mas conseguiu uma vitória na corrida curta da segunda etapa do Bahrein. Depois acabou sem dinheiro, pois o grupo que investia nele teve problemas fiscais. Agora, com os russos dispostos a pagarem para que ele corra, a chance de obter melhores resultados na GP2 é maior.

O problema é a falta de experiência da Russian Time. Ainda que eles tenham comprado a estrutura da iSport, a equipe é operada pela Motorpark Academy, um time apenas razoável da Alemanha. E desde que assinou com a nova escuderia, o desempenho nos treinos coletivos caiu. Ele foi sétimo, 16º e nono na última sessão de atividades.

Por isso, além de haver dúvidas quanto à capacidade de a Russian Time ser competitiva ainda dá para imaginar se o domínio nos testes com a Hilmer não foi algo fabricado para que a equipe estreante terminasse na primeira posição.

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3) Stefano Coletti – Rapax

Eu realmente não vejo o piloto monegasco como um candidato ao título neste ano, mas é verdade que ele reúne algumas das qualidades importantes para terminar com a taça. Contratado pela Rapax no fim do ano passado, Coletti inicia em 2013 a terceira temporada na GP2, tendo acumulado experiência importante na categoria.

E ele já se mostrou capaz de vencer corridas, tendo triunfado nas provas curtas da Turquia e da Hungria, em 2011, quando andou pela Trident. Depois de uma temporada decepcionante no ano passado, ainda mais por causa de toda a instabilidade envolvendo a presença da Coloni na GP2, o piloto pode mostrar em 2013 que o último campeonato foi apenas um mau momento.

Nos treinos de pré-temporada, o desempenho foi bastante positivo, tendo sido o mais rápido em dois dos três últimos dias de atividade em Barcelona. O único problema é que essa não é a primeira vez que a Rapax lidera os testes de inverno. Há dois anos, o time italiano dominou tudo com Fabio Leimer, mas quando chegou o campeonato…

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2) Felipe Nasr – Carlin

Depois de um ano de altos e baixos em 2012, o piloto brasileiro começa a nova temporada da GP2 como um dos favoritos ao título. Embora Marcus Ericsson esteja bem cotado por causa da experiência, o que todo mundo quer ver neste ano é um duelo emocionante entre o piloto da Carlin e James Calado pela taça.

Aliás, só por estar na equipe inglesa já é uma boa notícia para Nasr. Foi com essa equipe que ele venceu a F3 Inglesa, há dois anos, e é onde se sente em casa. Um ambiente muito diferente da Dams, no ano passado, onde Valsecchi era sabidamente o primeiro piloto do time.

Essa mudança de equipe já deu resultado na pré-temporada. Nos últimos três dias de atividade em Barcelona, o brasileiro foi duas vezes segundo colocado e uma terceiro, mostrando que é, sim, um dos nomes a ser batido em 2013.

Durante o Desafio das Estrelas, no início do ano, eu o entrevistei e perguntei se ele achava que o fato de pilotos como Gutiérrez, Chilton, Sergio Pérez e Charles Pic terem chegado à F1 mesmo sem o título da GP2 era algo que poderia beneficiá-lo. Ele concordou, mas disse que está focado em terminar o ano com a taça de campeão. Para isso, elegeu dois grandes rivais. Marcus Ericsson e…

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1)      James Calado – ART Grand Prix

Não acho que há palavras suficientes para descrever a temporada 2012 do piloto britânico. Estreando na GP2 pela ART Grand Prix e tendo a função primordial de escudeiro de Esteban Gutiérrez, James Calado mostrou desde a primeira corrida que estava pronto para alçar voos maiores.

Mesmo sendo um novato, ele só foi ultrapassado pelo companheiro de equipe na metade do campeonato. Durante toda a campanha, conquistou duas vitórias, duas poles, sete pódios, além da frustrante corrida em Valência, quando havia dominado de ponta a ponta, mas um safety-car pouco antes de fazer a parada obrigatória tirou-lhe as chances de vitória.

Por já ter disputado um ano da GP2, a Racing Steps Foundation deveria ter retirado o patrocínio para 2013 e focar apenas em garotos mais jovens. Mas eles acreditam tanto que Calado é, sim, a nova esperança do automobilismo britânico que resolveram ampliar o vínculo, mantendo-o na equipe mais estruturada do certame.

Se conseguir conquistar o título da GP2 em 2013, Calado vai encerrar um incômodo jejum. É que ele nunca foi campeão de nada na carreira. Os únicos títulos vieram nos campeonatos de inverno da F-Renault Inglesa e Portuguesa, ainda em 2008. Desde então, foi de forma consecutiva vice-campeão da F-Renault UK, da F3 Inglesa, da GP3 e quinto colocado na GP2 no ano passado.

Bom, se esse retrospecto de Vasco da Gama permanecer, Felipe Nasr tem bons motivos para iniciar o ano ainda mais confiante.

6 comentários sobre “GP2 2013

  1. Felipe, o Grosjean passou menos tempo na Gp2 do que quatro anos, ele fez a primeira temporada em 2008, e saiu faltando 4 etapas para o fim do campeonato de 2009. Só foi fazer outra temporada completa em 2011.

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