Foto: Carsten Horst/Hyset/RF1
A Stock Car introduziu a janela de reabastecimento. Pífia

Maior categoria do automobilismo brasileiro, a Stock Car trava uma eterna batalha contra a desconfiança dos fãs do esporte a motor no país. Talvez apenas por algum tipo de preconceito, muitos veem o certame como um campeonato com um grid de qualidade questionável e manipulado para que Cacá Bueno – filho do narrador global – consiga terminar na frente.

Só que essa não é a realidade do campeonato, claro. Já disse isso uma vez aqui no World of Motorsport e reptito, para mim o grid da Stock Car só perde para o DTM (e para a Nascar) em todo o mundo, em categorias de turismo, em termos de currículo dos pilotos e quantidade de patrocinadores.

E as corridas também têm sido boas. A Corrida do Milhão do ano passado, por exemplo, foi decidida apenas na última curva. A etapa de Interlagos deste ano teve três pilotos lado a lado na luta pela liderança na penúltima volta, e a prova de Curitiba, deste domingo, dia 17, teve algumas mudanças de líderes.

Todavia, isso não quer dizer que a categoria esteja livre de problemas. Pelo contrário. Naquela eterna busca por cativar o público, a organização do campeonato deu uma bola fora ao estabelecer o reabastecimento obrigatório para a temporada 2013 e, para piorar, feito em uma curtíssima janela de paradas.

Na etapa de Curitiba, os pilotos eram obrigados a ir aos boxes entre as voltas dez e 16. É muito pouco. A prova teve 29 voltas, e fazer a parada no décimo giro ou no 16º praticamente não faz diferença na estratégia final. Até porque o consumo na pista paranaense não é dos maiores, devido à extensão de apenas 3,7 km. Se fosse uma janela de seis voltas em uma pista das dimensões de Spa-Francorchamps talvez a disputa ficasse um pouco mais emocionante.

A justificativa da Stock para o retorno do reabastecimento é questão de segurança, já que o bom desempenho dos carros com o pneu da Pirelli aumentou o consumo. A janela de paradas, por sua vez, é uma forma de o público não versado no automobilismo entender rapidamente o que está acontecendo na pista.

Só que esse argumento não convence. Se há alguma dificuldade para quem está em casa entender o que se passa na corrida devido às múltiplas estratégias, tenho certeza que a emissora que faz a transmissão oficial tem todas as condições de colocar os comentaristas para explicarem tudo. Quanto ao público que está na pista, bom, encher arquibancadas não tem sido uma prioridade da Stock Car.

A consequência dessas medidas é que o leque de estratégias possíveis encolhe miseravelmente. Se um piloto vai tentar fazer a corrida toda sem parar ou se outro planeja até trocar pneus, que seja algo livre e todas as equipes decidam por si.

Não sou fã da estratégia de parar na primeira volta da prova para tentar chegar ao final. Esse tipo de coisa faz o treino classificatório perder importância, mas há outras formas de impedir que isso aconteça sem ser instaurar a janela de paradas. A CBA poderia, por exemplo, obrigar que os competidores terminassem a prova com uma quantidade maior de combustível.