Guia da Nascar Nationwide Series 2013

Quem vai terminar o ano com a taça de campeão da Nationwide?
Quem vai terminar o ano com a taça de campeão da Nationwide?

Das três principais divisões da Nascar, acho a Nationwide a mais sem graça, principalmente por causa da presença massiva de pilotos da Sprint Cup. Basta ver a corrida deste sábado, dia 23, em Daytona, onde o atual campeão da divisão principal – Brad Keselowski – dividiu a pista com um bando de novatos como Juan Carlos Blum, Alex Bowman e Hal Martin.

Em um primeiro momento, até parece algo legal, e a própria Nascar defende essa mistura ao dizer que é uma oportunidade de os estreantes aprenderem com os melhores pilotos da categoria. Porém, a verdade é que isso destrói qualquer tipo de competitividade. Antes mesmo de as corridas começarem, já sabemos quem vai ganhar. A menos que aconteça algum acidente ou problema mecânico, será um piloto da Sprint Cup que vai comemorar no Victory Lane. Basta ver as nove vitórias de Joey Logano – que nem é um piloto top ainda – no ano passado para comprovar.

Por isso, as equipes entenderam que a única chance de terem sucesso na Nationwide é apostar em veteranos. Assim, desde que a Nascar obrigou os pilotos a somarem pontos em apenas um campeonato, no início de 2011, os times de ponta tem mesclado jovens talentos com nomes que não deram certo na Cup para continuarem com chances de lutar por vitórias e pela taça.

Em 2013, não será diferente. Antes famosíssima por dar chances a jovens pilotos, a equipe de Joe Gibbs investiu pesado para o novo campeonato. Trouxe Elliott Sadler, que estava na RCR, e Brian Vickers para comandar seus carros. Além disso, o time também terá Kyle Busch (que não soma pontos na Nationwide) nas etapas em que as duas principais divisões da Nascar dividirem a mesma pista.

Outra equipe que seguiu a aposta em um veterano foi a JR Motorsports. Desde que perdeu Aric Almirola, Dale Earnhardt Jr. já afirmava que precisava de alguém com experiência na Cup para ter sucesso na Nationwide. Depois de conseguir poucos resultados com os inexperientes Danica Patrick e Cole Whitt no ano passado, a equipe acertou com Regan Smith, que perdeu a vaga na Nascar para Kurt Busch.

É complicado nãover o carro de Travis Pastrana na pista
É complicado nãover o carro de Travis Pastrana na pista

Até mesmo os times menores abusam dos veteranos. A Key Motosport – conhecida por inscrever quatro carros, sendo que três fazem o start-and-park para que um possa correr – terá Reed Sorenson neste ano. Já a JD segue apostando em Mike Wallace, como já havia acontecido nas últimas temporadas.

A lista de pilotos experientes ainda conta com quem tenta dar os primeiros passos na Sprint Cup. A Penske, por exemplo, mais uma vez terá Sam Hornish Jr. O megacampeão da Indy ainda não conseguiu se firmar correndo com carros de turismo e pelo segundo ano consecutivo vai brigar pelo título da Nationwide. No ano passado, ele até que foi bem e em um breve momento pareceu que ia ser um candidato real, mas acabou ficando para trás nas etapas decisivas.

Outro que tenta se firmar na categoria principal, mas competirá na divisão de acesso neste ano é Trevor Bayne. Desde 2011 o americano compete apenas em algumas provas da Sprint Cup pela equipe Wood Brothers, que não tem orçamento para participar da temporada completa. Nesse tempo, ele conseguiu alguns bons resultados – como a vitória na Daytona 500 –, mas também viu Ricky Stenhouse Jr ganhar espaço na Roush-Fenway e assumir a vaga aberta por Matt Kenseth após dois títulos na Nationwide.

É justamente apostando em repetir o companheiro de equipe, que Bayne assume o carro número 6 da Roush-Fenway neste ano e começa a divisão de acesso como um dos favoritos ao título.

Também forte candidato a terminar com a taça é Austin Dillon. Mesmo sendo novato, o neto de Richard Childress brigou pelo título na temporada passada e agora, mais experiente, tem todas as condições de fechar o ano na primeira colocação.

Brian Scott tem a chance de deixar de ser uma eterna promessa da Nascar
Brian Scott tem a chance de deixar de ser uma eterna promessa da Nascar

Há ainda dois pilotos que já estão há algum tempo na categoria e precisam correr contra o tempo para fugirem do estigma de eterna promessa. Falo de Brian Scott e Justin Allgaier. No ano passado, Scott começou o campeonato falando que precisava terminar todas as corridas na oitava colocação se quisesse ser campeão. Apesar disso, fechou apenas 11 das 33 etapas entre os dez primeiros e acumulou sete abandonos, o que o relegou à nona posição na tabela, atrás de Mike Bliss, da fraca TriStar, por exemplo.

Allgaier, por sua vez, foi um pouco melhor e completou 2012 em sexto. No entanto, é pouco para quem havia sido terceiro três anos atrás e surgiu como uma das grandes esperanças da Penske para o futuro. ao ser campeão da Arca em uma geração que também contou com Ricky Stenhouse Jr, Scott Speed e… John Wes Townley.

Nesse duelo de quase veteranos, é claro que ainda é cedo para falar qualquer coisa, mas Scott tem mais chance de chegar à Sprint Cup. Isso porque além de ele competir com um equipamento melhor – RCR – ainda conta com um grande apoio financeiro da família. Outro piloto que está em uma situação semelhante é Michael Annett, da RPM.

Apesar do patrocínio familiar da rede de restaurantes Pilot, Annett foi uma das gratas surpresas da Nationwide em 2012, quando somou 17 top-10 e o quinto lugar na tabela de pontos. Um melhor desempenho neste ano, e a dificuldade do time de Richard Petty em arrumar investidores para Aric Almirola pode significar uma chance na categoria de cima em breve.

Nelsinho Piquet tem chances apenas em circuitos mistos praticamente
Nelsinho Piquet tem chances apenas em circuitos mistos praticamente

Agora que todos os possíveis candidatos ao título foram apresentados, vamos falar a verdade, o grande atrativo da Nationwide em 2013, ao menos para nós brasileiros, é a presença de Nelsinho Piquet. O ex-piloto de F1 renovou o contrato com a Turner para disputar a divisão de acesso pelo mesmo time que venceu duas corridas na Truck Series no ano passado.

Só que a situação é bastante diferente neste ano. Tirando as etapas em circuito misto, onde pode ser considerado um dos favoritos, Nelsinho não deve ter muitas chances de bons resultados. O problema é que o equipamento da Turner não é de ponta, e o brasileiro já começa o ano atrás dos adversários. Isso sem falar em toda a inexperiência na categoria.

Um bom parâmetro para Nelsinho já seria terminar na frente na disputa de Novato do Ano contra o badalado Kyle Larson – atual campeão de Nascar East e também da Turner –, Alex Bowman e Travis Pastrana, além de Parker Kligerman, que apesar de não ser um novato na categoria também está fazendo a transição da Truck Series nesta temporada.

Kyle Larson é um cara legal. Aí está ele levado um pedaço do carro batido para passear
Kyle Larson é um cara legal. Aí está ele levado um pedaço do carro batido para passear

No geral, fazia tempo que a Nationwide não tinha um grid com tanta qualidade. Apesar disso, o que deve acontecer em 2013 são batalhas separadas. Um duelo na parte da frente entre os pilotos da Sprint Cup, um mais atrás contando com os veteranos da categoria e um com os novatos. O que é pior para os menos experientes, que podem não alcançar os resultados esperados pelos patrocinadores/donos de equipe e sendo obrigados a voltarem para casa mais cedo.

Um último destaque da Nationwide neste ano é a estreia do Camaro como carro da Chevrolet. Acho que geralmente os modelos dessa montadora não têm a mesma personalidade que as adversárias, então essa é uma boa chance de mudar isso.

Indo à parte burocrática: clique aqui para ver a lista de pilotos confirmados. As especificações técnicas estão aqui e o calendário de provas pode ser encontrado aqui.

P.S.2: Clique aqui para ver o guia da Nascar Camping World Truck Series

P.S.3: O jogo do Ho-Pin Tung na F1 pode ser encontrado aqui. Dica: antes de clicar, desligue o som se você estiver no trabalho.

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