O futuro da Mercedes no DTM é um mistério
O futuro da Mercedes no DTM é um mistério

Preocupada com a crise econômica global e com os fracos resultados nas últimas temporadas, a Mercedes cumpriu o prometido e terá apenas seis carros no DTM em 2013, como conta o curioso Renan do Couto.

Com relação ao ano passado, a montadora perdeu David Coulthard (aposentado) e Susie Wolff (contratada como reservada Williams) e por isso resolveu reduzir a operação de oito para seis máquinas. Digo que é uma operação de apendicite, portanto, já que extraíram dois pilotos que, assim como o órgão residual, pouco acrescentavam e tinham mais valor promocional fora da pista do que dentro dela.

O pós-operatório, dessa forma, será tranquilo, e a fábrica deverá começar a temporada sem limitações.

O que deverá inspirar cuidados intensivos é a saída de Jamie Green, que foi para a Audi. Durante anos, essas duas fabricantes tinham um acordo de cavalheiros que proibia a contratação de pilotos da adversária para evitar a escalada de custos no certame a partir de uma guerra salarial.

Elas só não contavam com a chegada do vírus BMW. Como a montadora de Munique não estava no acordo, ela logo absorveu Martin Tomczyk, da Audi, e Bruno Spengler, da Mercedes. A tática deu mais do que certo, e o piloto canadense conseguiu conquistar o título já na temporada passada.

A Audi, obviamente, não ficou nada satisfeita com a derrota e resolveu se mexer. Para isso, mandou o acordo às favas e tem no recém-chegado Green a grande esperança de título em 2013.

Robert Wickens é uma das esperanças da Mercedes
Robert Wickens é uma das esperanças da Mercedes

A Mercedes, por sua vez, anunciou Daniel Juncadella, atual campeão da F3 Europeia, como substituto do britânico. Talvez para evitar novas dores de cabeça, a fabricante de Stuttgart terá um plantel formado por jovens fortes e saudáveis. No início do ano passado, a montadora já havia anunciado que Roberto Merhi, Robert Wickens e Christian Vietoris formavam um programa de jovens pilotos – contando ainda com a supervisão de Michael Schumacher – e agora eles contam também com o espanhol.

Não deixa de ser uma estratégia curiosa. É verdade que a montadora alemã vai preparando o terreno para o futuro, já que conta com um trio de qualidade. Entre os quatro garotos, são dois títulos e um vice da F3 Euro, um título da World Series e um vice da GP3, além de taças em outras categorias menores.

De qualquer forma, a questão que fica é se a Mercedes vai conseguir esperar os quatro garotos estarem finalmente adaptados ao DTM. Afinal, a empresa tem apenas Gary Paffett como candidato ao título. Será que em caso de novo fracasso, esse planejamento vai ser mantido ou estará na hora de buscar algum veterano?

Talvez tivesse sido melhor para a fabricante ter escolhido alguém com experiência em carros de turismo.  Até porque serviria como uma espécie de lastro. Alguém que chegasse para lidar com a pressão por resultados já na primeira temporada, enquanto Merhi, Vietoris e Wickens, além de Juncadella – em uma função de reserva, por exemplo – teriam mais tempo para se desenvolver.