Momento histórico: a primeira vitória de John Wes Townley
Momento histórico: a primeira vitória de John Wes Townley

Se você me perguntasse há algum tempo qual o pior piloto que eu já vi correr, certamente a resposta seria John Wes Townley. É verdade que ele não é o menos talentoso, mas ser o pior piloto não á apenas uma questão de habilidade na pista. É também o cara que não quer aprender, que guia como se não houvesse outros carros em volta, que acha que pode chegar ao topo só porque tem dinheiro.

Mas essa situação mudou neste sábado, dia 16. Townley incrivelmente venceu a etapa de Daytona da Arca, ao superar o badalado Kyle Larson, calando a minha boa e a de muitos críticos. Agora ele finalmente pode ser tirado da lista de pior piloto.

Para quem não está tão acostumado à história, o americano é conhecido por ser batedor de carros.  Para não ser repetitivo, vou deixar apenas um link sobre uma matéria feita pelo jornalista norte-americano Jeff Gluck, quando Townley quis estrear na Sprint Cup no ano passado. Clicando aqui, você pode ter uma ideia da rejeição que ele provoca.

E não são apenas os torcedores ou jornalistas que têm esse tipo de reação. Após a vitória de sábado, vários pilotos postaram mensagem no Twitter. Tim George Jr., que foi dispensado pela equipe de Richard Childress na Truck Series neste ano, foi mais comedido. “Se ele pode, eu também consigo”, disse. Já Scott Speed foi mais direto. “Para sua informação, o iPhone autocorrige ‘Townley venceu’ para ‘você só pode estar de sacanagem’”.

De qualquer forma, é justamente esse tipo de reação que impressiona. Não a dos outros pilotos, claro, mas a de Townley. Tente se colocar no lugar do americano, um gordinho endinheirado que todos os dias é sacaneado por pessoas do mundo inteiro, em todos os lugares por onde passa, apenas pelo seu talento indiscutível de bater carros.

Ele poderia desistir de correr a qualquer momento e continuar a viver do bom e do melhor como ex-piloto da Nascar, cercado de garotas e carrões e gastando todo o dinheiro da família, que é sócia da rede de restaurantes Zaxby’s. Ou então ele podia tentar algo mais fácil, como competir em alguma divisão para amadores da ALMS ou da Grand-Am, pagando a algum profissional para alcançar bons resultados.

Townley preso por dirigir bêbado, em 2012, e vencedor um ano depois. Quanta diferença, não?
Townley preso por dirigir bêbado, em 2012, e vencedor um ano depois. Quanta diferença, não?

Mas Townley não fez nada disso. Sempre que era criticado, ele tomou cada golpe. E voltava para correr. Obviamente, batia mais algumas vezes, voltava a ser motivo de chacota, mas estava novamente na pista. E mais forte.

Nesse tempo, a grande mudança foi que JWT entendeu que precisava aprender a guiar, pois só o dinheiro da família não o tornaria um piloto da Nascar. Assim, além de retornar à Truck Series, em 2012, ele seguiu disputando algumas etapas da Arca – categoria em que ele já havia tomado parte em 2008 – para acumular ainda mais quilometragem.

É claro que nesse tempo houve algumas decisões ruins como a estreia frustrada na Sprint Cup, mas é inegável que ele evoluiu. Tanto que conseguiu o oitavo lugar na etapa de Pocono da Truck Series, do ano passado, como melhor resultado da carreira na Nascar.

A vitória em Daytona, portanto, não é o fim da história para Townley. Pelo contrário. É a prova de que até mesmo um piloto com o histórico dele é capaz de se dar bem no automobilismo se resolver fazer as coisas certas. De qualquer forma, não acredito que vá brigar por alguma coisa na Truck Series neste ano, no máximo conquistar um top-10 aqui ou ali.

Para encerrar, ainda vale um detalhe curioso. A primeira vitória de Townley em um oval durante um fim de semana da Nascar aconteceu antes que o primeiro triunfo de Juan Pablo Montoya, Danica Patrick ou Marcos Ambrose nesse tipo de pista. Bom, talvez mais alguém precise aprender uma coisa ou outra.