Paulo Nobre e Sébastien Loeb agora são dirigentes. Seus desafios são inversamente proporcionais ao tamanho do sucesso que tiveram no rali
Loeb e Nobre agora são dirigentes e têm desafios  inversamente proporcionais ao tamanho do sucesso que tiveram no rali

Quem acompanhou o WRC – o Mundial de Rali – em 2012, vai sentir falta de ao menos dois nomes na nova temporada. O primeiro, claro, é o do megacampeão Sébastien Loeb, que resolveu se aposentar das corridas off-road e se dedicar a outros projetos dentro das pistas. O outro é o de Paulo Nobre, o Palmeirinha, que acabou chamado para outro emprego, digamos assim.

Há algumas semelhanças entre os dois. Loeb, de 38 anos de idade, nasceu no dia 26 de fevereiro de 1974. Depois de conquistar nove títulos mundiais, ele decidiu deixar o rali para virar dirigente e liderar a própria equipe nas corridas de endurance – visando as 24 Horas de Le Mans –, além de participar de corridas da GT Sprint pela McLaren, da Porsche Cup Francesa e possivelmente levar a Citroën ao WTCC, caso a montadora resolva entrar no certame a partir de 2014.

Nobre, por sua vez, tem 45 anos, mas nasceu apenas dois dias antes (e alguns anos também, obviamente) que Loeb, em 24 de fevereiro de 1968. Com um currículo muito menos extenso no esporte a motor que o do francês – sem ter marcado pontos no WRC – o brasileiro também deixa a competição para liderar uma equipe em outra modalidade. Ele foi eleito nesta segunda-feira, dia 21 como presidente do Palmeiras, cujo time de futebol se encontra em um terrível buraco sem estádio (em construção), sem novos jogadores e na segunda divisão.

Outra semelhança entre os dois é a aposta em jovens para conseguir os objetivos. Desde a criação da própria equipe no ano passado, Loeb tem dado oportunidade a pilotos promissores. Neste ano, ele deve dividir a McLaren com o luso Álvaro Parente na tentativa de conquistar o GT Sprint. Já os carros da Le Mans Series e da Porsche Cup devem mais uma vez ter uma série de gauleses liderados por Nicolas Marroc. No ano passado, Jean-Karl Vernay (campeão da Indy Lights em 2010) chegou a competir com a equipe, mas neste ano deve subir para a SuperCup.

Nobre era um piloto do meio do pelotão no WRC
Nobre era um piloto do meio do pelotão no WRC

Sem grandes contratações e com recursos financeiros limitados, Nobre sabe que o Palmeiras mais do que nunca vai precisar apostar nas categorias de base para montar o elenco para o Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Segunda Divisão – o da Libertadores, não. O lado bom é que dessa vez há alguns bons jogadores surgindo na Academia. Além de João Denoni e Patrick Vieira, que já fazem parte do elenco profissional, nomes como Bruno Oliveira, Luiz Gustavo, Bruno Dybal, Diego Souza e Vinícius, que estão no elenco da Copa São Paulo, devem ser aproveitados ao longo do ano.

Só que isso não significa que não haverá a presença de veteranos. Na equipe de Le Mans Series, Loeb contou com Nicolas Minassian e Stéphane Sarrazin nas corridas em que fez na Europa, embora os dois já tivessem vínculos para o Mundial de Endurance e as 24 Horas de Le Mans com outras equipes.

Nobre também deve apostar em alguns pilares mais experientes. Dentro de campo, Fernando Prass, Henrique e Barcos são os líderes do Palmeiras. Fora dele, o novo dirigente já falou que negocia a chegada de José Carlos Brunoro, o homem forte do alviverde na época da parceria com a Parmalat, além da onipresença do ex-goleiro Marcos.

Loeb agora comanda uma equipe em vários campeonatos
Loeb agora comanda uma equipe em vários campeonatos

Dito isso, uma coisa esses dois pilotos-dirigentes não têm em comum: a oportunidade de falhar. Se a equipe de Loeb não der certo e/ou a Citroën naufragar na chegada ao WTCC, pouca coisa vai mudar para o francês. Ele não terá a credibilidade dos nove títulos mundiais abalada e talvez sequer poderemos falar em prejuízo, já que ele tem acordo de patrocínio com grandes empresas saindo pelo ladrão.

Nobre, por sua vez, não pode imaginar que se tudo der errado voltará em dois anos ao rali como se nada aconteceu. Primeiramente, ele tem a credibilidade como empresário e como dirigente a zelar. Além disso, que ex-presidente de time de futebol conseguiu retomar a normalidade após fracassos de sua equipe?

Para encerrar, a outra grande diferença entre esses dois é obviamente o desempenho no rali. No fim do ano passado, Palmeirinha foi entrevistado pela Revista Warm Up e questionado sobre como era correr contra Sébastien Loeb, um mito do automobilismo. Nobre foi direto na resposta. Ele disse que em momento algum competia contra o francês. Embora fosse piloto do WRC, o brasileiro admitiu que não tinha condições de disputar contra os outros pilotos, por isso era uma batalha particular consigo mesmo para obter o melhor resultado possível.

Portanto, não é absurdo dizermos que o tamanho dos desafios desses dois pilotos-dirigentes daqui para frente é inversamente proporcional ao sucesso que tiveram no rali.