Colin Turkington está de volta ao BTCC. Essa pode ser a última chance de o campeonato sair do marasmo que está
Colin Turkington está de volta ao BTCC. Essa pode ser a última chance de o campeonato sair do marasmo que está

Não é novidade nenhuma que o WTCC foi um campeonato chatíssimo nos últimos anos. Mas isso não é exclusividade dele. Em qualquer categoria em que as equipes com apoio das montadoras possam gastar desenfreadamente, o equilibro na pista se torna apenas uma utopia e algo você vende ao torcedor para aumentar o público e a audiência.

Outro torneio que sofre com essa desigualdade é o BTCC, o campeonato britânico de carros de turismo. Esse certame, que um dia já foi o mais popular do mundo na modalidade, tem apenas duas montadoras oficiais, a Honda e a MG. Se você não compete por uma delas, então não tem a menor chance de brigar pelo campeonato.

Entretanto, isso não quer dizer que os atletas independentes não tenham chance de vitória. Pelo contrário. Na última temporada, 11 das 30 corridas foram vencidas por pilotos sem apoio da fábrica. O problema é que na soma geral eles ficaram muito atrás dos contratados.

Entre os independentes, o melhor classificado foi Andrew Jordan, em um Honda privado, que fechou o ano na quarta posição, com 346 pontos. O campeão foi Gordon Shedden, da fábrica japonesa, com 408. A última vez que um piloto independente conquistou o título na classificação geral foi em 2009, quando Colin Turkington desbancou o lendário Fabrizio Giovanardi para ficar com a taça.

Para acabar com o domínio das fábricas e aumentar a disputa nas pistas, em 2013, o BTCC aposta justamente na tática que já deu certo uma vez: o retorno de Turkington. O piloto da Irlanda do Norte fechou contrato nesta sexta-feira, dia 18, com a equipe West Surrey Racing (aquela mesma que revelou Ayrton Senna, Rubens Barrichello e Mika Hakkinen na F3) para a disputa da nova temporada com uma BMW.

Um típico dia do BTCC com alguns pilotos tendo problemas de navegação
Um típico dia do BTCC com alguns pilotos tendo problemas de navegação

Essa é a volta para casa de Turkington, um piloto que tentou conquistar o mundo, mas viu que o automobilismo atual é bem diferente daquele do auge da WSR.

O norte-irlandês surgiu para o automobilismo em 2004, aos 22 anos de idade, quando começou a competir no BTCC de forma integral. Cinco anos mais tarde, ele já tinha três títulos entre os independentes, além de uma taça na classificação geral. Nesse momento, o piloto resolveu largar a categoria britânica disposto a repetir o sucesso no WTCC.

O problema é que no Mundial o buraco é mais embaixo. Principalmente por causa da presença das fábricas, o custo sempre foi altíssimo. Assim, Turkington só conseguiu participar de nove etapas entre 2010 e 2012, conquistando uma única vitória.

Para não ficar parado, o piloto acabou disputando o STCC (campeonato escandinavo de carros de turismo), em 2011, antes da crise no automobilismo de lá. Agora, o piloto está de volta à ilha da Grã-Bretanha para retomar o sucesso no BTCC.

Para encerrar, acho que a situação de Turkington é um bom exemplo do que pode acontecer caso um piloto como Cacá Bueno decida deixar de correr no Brasil e ir à Europa. Tirando o DTM, não há muitos campeonatos interessantes lá fora. E os que existem exigem um bom orçamento para que o piloto seja competitivo.

Por mais que a gente critique a Stock Car, não há dúvida alguma que se trata de um campeonato muito, mas muito melhor do que WTCC, BTCC e etc. Por isso faz muito mais sentido um brasileiro deixar o automobilismo internacional e voltar para cá que tentar algo nesses certames de segundo escalão.

P.S.: é possível que Cacá corra algumas etapas do GT Sprint este ano pela BMW. No entanto, é um contexto muito diferente de tentar largar a Stock Car e tentar a sorte lá fora. Usei o piloto carioca apenas como um exemplo, mas o mesmo vale para Ricardo Maurício, Max Wilson, Valdeno Brito e os demais atletas de ponta.