Jule Bianchi fazendo ele mesmo alguns ajustes no carro
Jules Bianchi fazendo ele mesmo alguns ajustes no carro

Para encerrar o assunto Desafio das Estrelas aqui no World of Motorsport, falo de Jules Bianchi, o vencedor da competição.

Após a vitória na bateria noturna do sábado, dia 12, um jornalista o questionou na coletiva de imprensa se ele esperava ser convidado para a próxima edição da competição depois de vencer com facilidade e sobrando na pista pelo segundo ano consecutivo.

É claro que essa pergunta tinha certa dose de humor. Até porque dificilmente Felipe Massa deixaria de convidar um colega por causa do desempenho. Se Bianchi é muito bom no kart, então não deixa de ser uma motivação para os demais pilotos do Desafio superá-lo.

No entanto, a pergunta também tem um aspecto de vilanização do francês, como o cara que vem ao Brasil e ganha facilmente dos pilotos brasileiros, por isso poderia até mesmo ser proibido de correr. É o mesmo que aconteceu com Will Power, na etapa do Anhembi na Indy, quando a transmissão oficial chegava literalmente a perguntar ao público se o australiano era o vilão da categoria norte-americana.

Como Bianchi está próximo de acertar com a Force India na F1, eu resolvi acompanhar o trabalho dele em Santa Catarina. Assim, posso dizer que o desempenho dominante do francês não foi por acaso. Muitas e muitas vezes ele era o único piloto na garagem, checando o que era feito em seu kart. (Para não ser injusto, Vitantonio Liuzzi também ficava por lá, mas menos que o reserva da FI).

Quando Bianchi chegou ao kartódromo do Beto Carrero World ao lado de Sébastien Buemi, na sexta-feira, a primeira coisa que ele fez foi checar o kart. E ficou na garagem enquanto o equipamento todo era montado. Depois, após cada treino, era ele mesmo quem fazia os ajustes necessários, como a pressão dos pneus, e não os mecânicos.

Isso sem falar no próprio trabalho de piloto e analisar as informações de cronometragem depois de cada sessão de pista.

No fim do evento, perguntei a ele sobre esses métodos de trabalho, mesmo em um evento festivo. Questionei se era assim, controlando tudo, que ele gostava de trabalhar ou se, por exemplo, não confiava em passar as instruções para os mecânicos.

Bianchi respondeu que, mesmo que não pudesse fazer grandes ajustes no equipamento usado no Desafio, ele próprio gosta de mexer no kart e acompanhar todos os trabalhos feitos, uma prática adotada desde quando ainda estava no kartismo, há cinco ou seis anos.

É claro que esse não é o único motivo de Bianchi ter vencido a competição. Mas é curioso pensar que mais de 60 anos após a Copa do Mundo no Brasil, um estrangeiro vencendo aqui no país ainda gere tanta comoção.