Mudanças no Red Bull Junior Team

E pensar que Lewis Williamson era a grande aposta da Red Bull para a F1
E pensar que Lewis Williamson era a aposta da Red Bull para a F1

Pior do que tirar o chefe no amigo secreto de fim de ano deve ter sido dar um presente a Helmut Marko, na brincadeira da Red Bull. Apesar do tricampeonato conquistado pela equipe austríaca na F1, o conselheiro terminou 2012 extremamente irritado com o desempenho do Junior Team ao longo dos últimos meses.

Isso tudo em um ano que a Red Bull resolveu aumentar o investimento nas categorias de base, apostando em seis jovens pilotos. Assim, o ano começou com Carlos Sainz Jr, Daniil Kvyat, Lewis Williamson, Callan O’Keeffe, Stefan Wackerbauer e Alex Albon representando as cores rubro-taurinas nos campeonatos menores.

Apesar do plantel recheado, o sinal de que alguma coisa estava errada veio quando Williamson foi dispensado após apenas três etapas na World Series by Renault. Após uma péssima pré-temporada, o escocês ocupava a última colocação no campeonato e acabou liberado pelo programa para dar lugar a António Félix da Costa. Como se sabe, o português deu conta do recado e fechou o ano com quatro vitórias nas últimas cinco corridas da WS, além do título no GP de Macau de F3.

No entanto, as conquistas praticamente pararam por aí. O outro garoto a ter vencido em 2013 foi Kvyat, que ficou com o título da F-Renault Alps. Na Eurocup, porém, o russo encerrou com o vice-campeonato, ampliando o jejum rubro-taurino no certame. Entre os demais representantes do programa, só derrota.

Wackerbauer, que era apontado como novo Vettel por ter sido descoberto pela Red Bull em parceria com a BMW, assim como o tricampeão da F1, foi apenas o 11º na F-Renault, tendo pontuado somente em cinco das 14 corridas. Já Albon foi ainda pior. Um dos mais jovens representantes do grid, o piloto fechou o ano em 37º, tendo somado sequer um único ponto.

Sainz, por sua vez, decepcionou ao se tornar o primeiro piloto da Red Bull a não ter conquistado o título da F3 Inglesa, isso em uma temporada em que disputou também a F3 Europeia, acumulando uma quilometragem muito maior que a dos adversários.

Por fim, O’Keeffe fechou a fase preliminar da BMW Talent Cup com quatro vitórias (mais que qualquer outro competidor), mas acabou a grande decisão – a única que vale pontos – somente em nono.

Callan O'Keeffe já andou testando pela Adac Masters
Callan O’Keeffe já andou testando pela Adac Masters

Em outras palavras, Marko encerrou o ano com um cenário de terra arrasada em seu programa, visto que a Red Bull só não foi pior que o Palmeiras em 2012. Para tentar melhorar as coisas, o dirigente já aplicou medidas extremas no Junior Team para o próximo ano.

Em primeiro lugar, sobrou para Wackerbauer e para Albon, que não retornam ao programa em 2013. Com isso, Félix da Costa, Kvyat, Sainz e O’Keeffe são os únicos representantes confirmados, embora ainda exista a possibilidade de algum nome ainda vir a ser anunciado.

Depois, o time decidiu mudar as categorias em que participa. Nos últimos anos, a Red Bull esteve na BMW Talent Cup, F-Renault, F3 Inglesa, World Series by Renault, além da própria F1. Para 2013, Callan O’Keeffe já afirmou que deve trocar o certame da BMW e ir competir na Adac Masters (equivalente alemão à F-Renault).

Kvyat e Sainz, que surpreendentemente não foram cortados, devem dividir a Arden na GP3, sendo que o espanhol pode aparecer na World Series by Renault, onde António Félix da Costa também deve competir.

O mais interessante dessas mudanças é que dá a impressão de a Red Bull estar atirando para todos os lados. Se eles mudassem apenas os pilotos, mas mantivessem os competidores na F-Renault e na F3, concluiríamos que o problema eram os atletas, que estavam abaixo do esperado pela empresa.

Por outro lado, mudando os campeonatos do qual participa, você dá a entender que o desenvolvimento dos garotos estava sendo comprometido por disputarem determinado certame. Mas, trocando tanto atletas quanto equipamento, parece que a empresa energética está desesperada para retomar a liderança no quesito desenvolvimento de jovens pilotos.

Por fim, acho que as dispensas foram acertadas, mas elas não corrigem o principal problema rubro-taurino, a captação errada de atletas. Quando há outros interesses na hora de recrutar jovens talentos – como agradar a algum dirigente da empresa ou estar de olho em algum mercado consumidor para as latinhas –, é claro que o resultado na pista será comprometido. Não tenho dúvidas de que foi isso o que aconteceu na geração de 2012.

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