Retrospectiva da World Series by Renault em 2012: Frijns campeão e a Felixmania

Novato, rápido e polêmico, Robin Frijns foi campeão da World Series em 2012
Novato, rápido e polêmico, Robin Frijns foi campeão da World Series em 2012

Como já é tradição aqui no World of Motorsport, todos os anos eu escolho uma categoria do automobilismo mundial para fazer uma retrospectiva detalhada e lembrar tudo o que aconteceu ao longo dos últimos 12 meses. E pela terceira vez consecutiva, o certame sorteado foi a World Series by Renault – caramba, que coincidência!

A verdade é que a World Series teve um ano muito bom em 2012. O campeonato havia terminado 2011 bastante valorizado e por isso conseguiu atrair muitos pilotos promissores para a nova temporada. Todo esse sucesso foi montado a partir do desempenho de quatro pilotos na temporada passada: Daniel Ricciardo, Alexander Rossi, Jean-Éric Vergne e o campeão Robert Wickens, apelidados de Quarteto Fantástico.

Os quatro chegaram a negociar com a F1 para correr em 2012, mas só os meninos da Red Bull tiveram sucesso. Ainda assim, Wickens conseguiu descolar uma vaga com a Mercedes no DTM, enquanto Rossi resolveu permanecer na categoria, trocando a Fortec pela Arden Caterham.

Sem o americano, a Fortec se reforçou ao acertar a contratação de Robin Frijns, que havia sido campeão da F-Renault Eurocup no ano anterior. Quem foi anunciado como companheiro de equipe do holandês foi Carlos Huertas, que havia disputado a F3 Inglesa pela Carlin. No entanto, a equipe bicampeã da WS, havia fechado o plantel com Kevin Magnussen e com Will Stevens, deixando o colombiano sem vaga.

Além de Magnussen, outro dinamarquês na disputa era Marco Sorensen, que acertou com a Lotus ao lado do badalado Richie Stanaway, campeão da F3 Alemã. Entre as demais principais vagas, Nico Müller fechou com a Draco, sendo companheiro de André Negrão, e Nick Yelloly trocou a Pons pela Comtec.

Por fim, Mikhail Aleshin, campeão de 2010, retornou ao certame para correr pela russa RFR, enquanto a Red Bull definiu que Lewis Williamson ia ser a mais nova aposta da casa taurina, na Arden Caterham. Os últimos acertos, porém, foram os mais importantes. Cansado da GP2, Sam Bird trocou a categoria de Bruno Michel pela World Series, sendo contratado pela ISR pra substituir Ricciardo. Já Jules Bianchi foi colocado no campeonato pela Ferrari para que ele pudesse disputar os treinos livres da F1 e se manter ativo. O francês acertou com a sempre favorita Tech 1, que já contava com o bom Kevin Korjus.

O grid da World Series by Renault 2012 estava formado
O grid da World Series by Renault 2012 estava formado

Com os planteis montados, os treinos livres da World Series mostraram que Kevin Magnussen, Marco Sorensen e Robin Frijns começavam a temporada como favoritos.

Entretanto, quem saiu na frente foi Arthur Pic, que conquistou a pole-position para a etapa de abertura, em Aragón. O problema é que na largada o francês tracionou muito mal e acabou ultrapassado por Yelloly. Outros carros também tiveram problemas para sair, fazendo com que todo mundo dividisse as primeiras curvas, causando um verdadeiro salve-se quem puder.

Logo no começo, Müller, Stanaway, Rossi e Giovanni Venturini abandonaram, enquanto Bird e Bianchi rodaram ao se envolver no salseiro. Os veteranos, porém, usaram toda a experiência para se recuperarem, com Bianchi grudando em Yelloly nas voltas finais. Apesar de toda a pressão do piloto da Ferrari, o britânico conseguiu manter a ponta e receber a bandeira quadriculada. Jules foi o segundo, enquanto Magnussen terminou em terceiro.

O problema é que o carro do reserva da Force India foi flagrado na inspeção técnica após a corrida, fazendo com que o piloto fosse desclassificado. A equipe Tech 1 chegou a apelar, mas não deu em nada. Assim, Magnussen subiu para a segunda colocação, com Frijns sendo promovido ao terceiro posto.

O fim de semana de pesadelo de Bianchi não parou por aí. Na segunda corrida, o piloto foi punido com um drive-through por culpa de um mecânico, terminando apenas em 12º. A vitória ficou com Frijns, que herdou a liderança após abandono de Marco Sorensen. Sam Bird e Arthur Pic, que novamente havia largado na pole-position, completaram o pódio.

Sam Bird venceu de ponta a ponta em Mônaco
Sam Bird venceu de ponta a ponta em Mônaco

A segunda etapa da temporada da World Series by Renault foi disputada em Mônaco, no mesmo fim de semana da F1. Aí a experiência dos ex-pilotos da GP2 fez toda a diferença. Bird conquistou a pole-position, mesmo depois de sofrer um acidente nos instantes finais do treino classifictório. Rossi ficou com o segundo posto, seguido por Bianchi.

Na corrida, o francês ultrapassou o americano logo na largada, passando a pressionar Bird. O ritmo dos dois veteranos era tão bom, que eles abriram mais de 30s para o terceiro colocado. No entanto, não houve mudanças nas primeiras colocações, e o britânico pôde comemorar a vitória.

Depois de Mônaco, a World Series viajou até Spa-Francorchamps para a terceira etapa de 2012, disputada debaixo de muita, mas muita chuva. Na primeira corrida, a disputa pela vitória estava entre Magnussen e Bird, mas os dois pilotos se tocaram, fazendo com que Marco Sorensen herdasse a vitória. Bianchi foi o segundo e Bird, o terceiro, após se recuperar.

Magnussen, porém, foi recompensado na segunda corrida depois de assumir a liderança ao vencer uma emocionante batalha com Frijns. Nesse momento, a chuva torrencial atingiu o circuito de Spa, fazendo com que Richie Stanaway sofresse um gravíssimo acidente depois de ser catapultado pelo carro de Carlos Huertas. Por causa disso, o neozelandês perdeu todo o restante da temporada com fraturas nas vértebras.

Na pista, Magnussen terminou a corrida em terceiro, mas os dois primeiros colocados – Lewis Williamson e Jake Rosenzweig – não fizeram a parada obrigatória e foram desclassificados. Nick Yelloly voltou a mostrar que é um dos melhores pilotos do grid na chuva, terminando em segundo, seguido por Frijns.

Para a etapa de Nurburgring, o grid da World Series sofreu duas mudanças importantes. A primeira foi a chegada de Cesar Ramos como substituto do lesionado Stanaway na Lotus. A segunda provocaria alterações profundas no campeonato. Insatisfeita com os péssimos resultados de Williamson, a Red Bull resolveu dispensar o escocês, promovendo a contratação de António Félix da Costa, que estava na GP3.

Os estreantes, no entanto, não tiveram vida fácil na Alemanha. Félix da Costa foi apenas o nono colocado na corrida 1, enquanto Ramos fechou três posições atrás. A vitória ficou com Bianchi, que dominou de ponta a ponta. Nico Mülller e Robin Frijns completaram o pódio.

Na segunda prova, Yelloly conquistou o segundo triunfo da temporada, mais uma vez em pista molhada. O inglês começou apenas em 14º, mas conseguiu assumir a primeira colocação ao fazer uma série de ultrapassagens conforme a chuva começava a cair. Como decidiu não parar para colocar pneus de pista molhada, o piloto conseguiu assumir a primeira colocação. Quando a tormenta aumentou, Nick fez a parada obrigatória e pôde cruzar a linha de chegada uma vantagem de 27s para Marco Sorensen. André Negrão apostou em uma estratégia parecida com a do britânico para terminar em terceiro, depois de ser ultrapassado pelo dinamarquês nas voltas finais.

Quinta etapa de 2012, Moscou serviu como marco de metade da temporada. Com isso, Robin Frijns ganhou a chance de pilotar o carro da Red Bull de F1, como prêmio dado ao líder do campeonato nesse momento do ano. O holandês estava empatado com Sam Bird na tabela de pontos, mas como o inglês é reserva da Mercedes, ele não pôde pilotar um carro de uma equipe rival.

Robin Frijns pilotou o carro da Red Bull em Moscou
Robin Frijns pilotou o carro da Red Bull em Moscou

A experiência em um carro da F1 pareceu ter motivado Frijns, que venceu de ponta a ponta a corrida 1. O holandês chegou a ser pressionado por Sorensen, mas o holandês rodou na última curva do circuito, terminando em quinto lugar. Bianchi e Bird completaram o pódio. Na segunda corrida, Bianchi e Sorensen dividiram a primeira fila e permaneceram lado a lado por algumas curvas, até que os dois se tocaram. Bird, Müller e Cesar Ramos também se envolveram no acidente.

A confusão beneficiou Arthur Pic, que ganhou a primeira colocação  e pôde comemorar a primeira vitória da carreira na categoria. O pódio maluco ainda teve Walter Grubmüller e Kevin Korjus, com André Negrão terminando em quarto.

Se você achou essa segunda corrida em Moscou um pouco bagunçada é porque não viu a primeira etapa de Silverstone. Na Inglaterra, uma forte chuva atingiu o circuito pouco antes da largada. A água era tanta que Magnussen bateu logo na segunda volta, quando liderava. Para piorar, a drenagem não funcionou em um ponto da pista, fazendo com que os carros aquaplanassem. Resultado: sete pilotos bateram no mesmo local, incluindo Bird, Sorensen e Müller.

Com todos os problemas, Bianchi optou por fazer a parada nos boxes e colocar os pneus de chuva. Adotando uma pilotagem cautelosa, o francês recebeu a bandeira quadriculada na frente, seguido por Frijns e por Nigel Melker, que substituiu Cesar Ramos na Lotus. Apenas dez carros completaram a corrida, e o sétimo lugar de Lucas Foresti foi o melhor resultado do brasiliense na categoria.

O drama continuou na corrida 2. Com condições melhores, Sam Bird e Marco Sorensen duelaram durante toda a prova, mas o dinamarquês parecia que ia vencer de ponta a ponta. No entanto, um pneu furado faltando apenas duas voltas para o final acabou com as chances do piloto da Lotus. Melhor para o britânico, que fez a alegria da torcida ao superar António Félix da Costa e Bianchi.

O tom dramático voltou a aparecer na Hungria, mas não na primeira corrida. Na prova do sábado em Hungaroring, Frijns venceu de ponta a ponta, com Magnussen e Bianchi também subindo ao pódio. Foi somente no domingo que os torcedores voltaram a assistir a um fim de corrida inesquecível. O holandês da Fortec novamente largou na pole-position, mas acabou ultrapassado por Kevin Magnussen e por António Félix da Costa. Na briga pela liderança, o piloto português não era capaz de acompanhar o ritmo do rival. Porém, novamente a sorte entrou em jogo. O piloto da Carlin teve uma quebra no motor na última volta, entregando a vitória ao luso. Esse triunfo deu início à Felixmania, que dominaria as etapas finais do campeonato. Sorensen e Will Stevens também subiram ao pódio.

Montar na tampa do motor, onde está pintado o touro da Red Bull, recebeu o nome de "fazer um Félix da Costa" por ser a comemoração inventada pelo piloto luso. Vettel repetiu em Interlagos
Montar na tampa do motor, onde está pintado o touro da Red Bull, recebeu o nome de “fazer um Félix da Costa” por ser a comemoração inventada pelo piloto luso. Vettel repetiu em Interlagos

A penúltima etapa da temporada 2012 da World Series aconteceu em Paul Ricard, com Frijns, Bianchi e Bird na luta pelo título. No entanto, quem começou na frente foi Nick Yelloly, ao cravar a pole-position em um treino com chuva. O britânico, entretanto, não fez uma boa largada, permitindo que Frijns e Bianchi assumissem a ponta. A partir daí, passou a brilhar a estrela de André Negrão. O brasileiro superou os adversários e parecis seguir rumo a primeira vitória da carreira.

Bianchi, porém, não desistiu e conseguiu retomar a ponta pouco antes do piloto da Draco abandonar. O francês, porém, só não contava com António Félix da Costa. O luso conseguiu fazer uma boa prova de recuperação, ultrapassando todo mundo e vencendo com uma vantagem de apenas 1s9 para Yelloly, que voltou a brilhar com pista molhada. Daniil Move foi o terceiro. Na corrida 2, Bianchi e FDC voltaram a duelar pela vitória, com o francês conseguindo a primeira colocação e, de quebra, assumindo a liderança do campeonato.

Com a promessa de um final de ano eletrizante, Barcelona recebeu a última etapa da temporada. E, é claro, a disputa não decepcionou. A primeira corrida foi vencida facilmente por Félix da Costa, que conseguiu segurar a pressão de Sam Bird. No entanto, o lance decisivo aconteceu no duelo pela quarta colocação, quando Jules Bianchi rodou após tocar em Kevin Magnussen. Com isso, o francês terminou apenas em sétimo, permitindo que Frijns – o terceiro colocado na pista – assumisse a liderança do campeonato faltando apenas uma corrida.

Ou seja, se os dois pilotos abandonassem a corrida final, o holandês seria campeão. E não foi isso que quase aconteceu? Na prova decisiva, Frijns não teve um bom rendimento e era incapaz de manter as posições na luta pelo pódio. Com isso, a maior preocupação do piloto passou a ser se defender de Bianchi. No entanto, na volta 21, o francês conseguiu a ultrapassagem, na primeira curva, assumindo o quarto posto.

Três curvas mais tarde, foi a vez de Kevin Magnussen tentar superar Frijns. Caso o dinamarquês conseguisse, significaria Bianchi campeão. O problema é que o holandês se assustou e aproveitou o momento para tentar retomar a posição em cima do francês, com os dois carros se tocando, causando o abandono do adversário. Com Jules incapaz de continuar na corrida, Frijns se tornou o campeão de 2012 após um polêmico movimento.

A vitória, claro, ficou com António Félix da Costa, que terminou quase 30s na frente de Aleshin. Aaro Vainio completou o pódio. Frijns foi considerado culpado pelo acidente, tomando um drive-through como punição, o que o deixou na 14ª colocação na classificação final. Ainda assim, o piloto novato pôde comemorar o terceiro título consecutivo nas categorias de base do automobilismo.

Após a prova, Bianchi afirmou que Frijns bateu de propósito e disse que não pretendia procurar o adversário para conversar, mostrando claramente que não haveria mais qualquer tipo de amizade entre os dois. O francês, por fim, disse que planeja competir na F1 em 2013, ao menos como reserva.

Frijns também assegurou uma vaga de reserva na F1, pela Sauber, embora o piloto não deva participar de treinos livres no próximo ano. Terceiro colocado na tabela, Sam Bird ainda não anunciou os planos. Melhor piloto do ano, António Félix da Costa, por sua vez, espera competir em todas as etapas da WS no próximo campeonato, onde vai poder enfim lutar pelo título.

Entre os brasileiros, o único confirmado até o momento para 2013 é Yann Cunha, que trocou a Pons pela novata AV. Outro que deve estar garantido é André Negrão, já que o pai, Guto, é dono da equipe Draco. Lucas Foresti e Pietro Fantin também negociam para aparecer na categoria.

Um comentário sobre “Retrospectiva da World Series by Renault em 2012: Frijns campeão e a Felixmania

  1. Pegando aquele gancho do automobilismo virtual, Richie Stanaway é líder do iRacing.com Road Pro Series, campeonato que é realizado no intervalo entre temporadas do campeonato principal que define o acesso para ele.

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