A Corrida do Milhão teve ingressos esgotados em Interlagos
A Corrida do Milhão teve ingressos esgotados em Interlagos

Neste último fim de semana estive em Interlagos para a cobertura da Corrida do Milhão da Stock Car. Logo de cara, ainda na quinta-feira, a primeira entrevista que fiz foi com o diretor da Vicar (promotora do certame) Maurício Slaviero, que classificou como histórica essa etapa final do campeonato de 2012.

Concordo com Slaviero, foi sim uma corrida histórica. Entretanto, cada um de nós tem motivos diferentes para pensar desse jeito.

Para o dirigente, o fim de semana foi um sucesso, pois conseguiu esgotar os ingressos à venda, já que o público se animou a assistir à decisão do campeonato, ainda mais pela presença de Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Helio Castroneves e Raphael Matos. Isso tudo sem contar o retorno financeiro de parceiros e patrocinadores.

Só que tudo isso pouco importa para mim. Evidentemente, tenho preocupações diferentes das do diretor da categoria. Na minha opinião, a Corrida do Milhão de 2012 pode, sim, ser considerada história, mas por outro motivo: essa foi a primeira vez que o automobilismo brasileiro conseguiu reunir parte de suas principais estrelas internacionais em uma corrida que não teve tom comemorativo.

Ainda na entrevista com Slaviero, perguntei se a Vicar pensa em fazer mudanças no calendário de alguma categoria. Normalmente os campeonatos por aqui acontecem entre março e dezembro, por isso, questionei se algum certame poderia correr, por exemplo, entre outubro e março, assim como acontece em países como Nova Zelândia ou Índia.

O assessor da Vicar achou curiosa a pergunta, pois comparava o automobilismo brasileiro ao de países de menor expressão. Concordo que em termos de projeção internacional e competitividade, o Brasil tem mais qualidade. No entanto, esses dois países conseguiram bolar uma forma de atrair seus ídolos – que competem ao redor do mundo durante o ano – em uma parte da temporada.

Aí, os torcedores desses países podem acompanhar de perto seus principais pilotos antes que eles voltem para a Europa/Ásia/EUA e recomecem a temporada. E mais do que isso. Esses países acabam atraindo grandes nomes internacionais para participar desses certames fora de época.

Isso é algo que não existe no Brasil. Por isso, a Corrida do Milhão pode ser histórica. Talvez a prova deste domingo tenha sido o primeiro passo para que os pilotos brasileiros de maior sucesso possam vir competir por aqui, mesmo que continuem com a carreira no exterior.

Quem sabe se no próximo ano nomes como Augusto Farfus, Nelsinho Piquet, Christian Fittipaldi, Lucas Di Grassi, João Paulo de Oliveira e Jaime Melo também possamestar presente? Seria sensacional.