Uma das poucas coisas legais da F3 Italiana foi o retorno da Mygale como construtora. O problema é que isso decidiu o campeonato...
Uma das poucas coisas legais da F3 Italiana foi o retorno da Mygale como construtora. O problema é que isso decidiu o campeonato…

Foi só eu falar que não gosto de dar notícias de fim de categorias, que os campeonatos começaram a se extinguir um a um. Nesta quinta-feira, dia 6, foi a vez de os organizadores da F2 e da F3 Italiana anunciarem que esses certames não vão acontecer no próximo ano.

Para quem acompanha, essa não é exatamente uma novidade. O campeonato italiano, por exemplo, sofreu com grids minúsculos nas últimas duas temporadas, sendo que em 2012 apenas oito pilotos participaram de todas as provas. Isso, aliás, já havia sido assunto de outro post aqui do World of Motorsport, basta clicar aqui para relembrar.

Pior do que isso foi o jeito patético de como o título deste ano foi decidido. Os carros da Dallara – todos os concorrentes menos Riccardo Agostini e Nicholas Latifi – foram desclassificados da última etapa por causa de uma irregularidade técnica. Dessa forma, o italiano ficou com o título do campeonato ao praticamente correr sozinho na prova decisiva.

A F2, por sua vez, sofreu com as próprias regras que criou. Como o certame pregava o baixo custo, o jeito de fazer a conta fechar no fim do ano era cortar todo o tipo de gasto extra. Ou seja, os pilotos eram obrigados a conviver com poucos engenheiros, terem uma série de restrições nas modificações do acerto do carro e praticamente não contar com pneus novos.

Assim, aos poucos os competidores perceberam que essas restrições afetavam o aprendizado e por isso acabaram fugindo. Quem tinha uma opção melhor, acabava optando por F3, GP3 e afins, ao invés de ficarem confinados na F2.

E pensar que um dia a F2 teve no grid os jovens pilotos da Red Bull...
E pensar que um dia a F2 teve no grid os jovens pilotos da Red Bull…

Outro problema da categoria sempre foi a pretensão do próprio nome. Quando foi (re)criada pela FIA e pelo ex-piloto Jonathan Palmer, a entidade planejava reviver os dias de glória da própria F2, sendo um campeonato de acesso à F1. Para isso, eles até contavam com um teste pela Williams dado ao vencedor. No entanto, em termos de performance, a F2 deixava a desejar até mesmo com relação à F3.

Por isso, ao contrário da Star Mazda, o fim desses campeonatos não é algo tanto assim a ser lamentado. O excesso de categorias sempre foi algo conhecido no automobilismo europeu, por isso não é novidade que alguns se extingam, ainda mais em uma época de crise econômica.

Outra coisa que sempre atrapalhou foi o excesso de politicagem. Muitas vezes, os dirigentes estão mais preocupados em garantir a manutenção no cargo e uma grana extra ao lançar um campeonato a realmente estabelecer um certame em que jovens pilotos possam se desenvolver. Isso até pode dar certo por um ano ou outro, mas no fim o próprio mercado acaba escolhendo quais torneios sobrevivem.

Para encerrar, o fim desses certames não é tão ruim. A F3 Inglesa, por exemplo, já anunciou que os carros da irmã Italiana serão aceitos na National Class, em 2013, com os motores precisando passar apenas por uma equalização.  Com isso, naturalmente, o grid do campeonato britânico vai se tornar mais forte.

Da mesma forma, pilotos que pretendiam competir nos dois certames extintos na próxima temporada – se é que há algum – agora vão poder se juntar a outros campeonatos, fortalecendo-os.

As únicas pessoas que não devem ter gostado nada dessas notícias devem ter sido Daniel McKenzie e Axcil Jefferies. Os dois pilotos já estavam praticamente confirmados na F2 em 2013, onde contariam com o apoio da equipe Double R. Agora, a ver se eles conseguem continuar no esporte.