Acabou gente, Star Mazda agora só com um milagre
Acabou gente, Star Mazda agora só com um milagre

Se tem uma notícia que eu não gosto de publicar aqui no World of Motorsport é a extinção de uma categoria. Mas é justamente isso o que aconteceu. Os organizadores da Star Mazda anunciaram que o campeonato está à venda e, se não for encontrado um comprador, não será disputado em 2013.

A Star Mazda era uma das três categorias que faziam parte do Road to Indy, o programa criado pela categoria norte-americana para levar jovens talentos do esporte motor ao campeonato principal, sem a necessidade de fazer uma parte da carreira na Europa.

A ideia desse programa era que os jovens pilotos saíssem do kart e pudessem competir na USF2000. Depois, eles avançariam à Star Mazda e, por fim, chegariam à Indy Lights, antes de dar o pulo final à Indy. Para facilitar a vida dos garotos, o campeão de cada um desses certames ganhava uma bolsa para competir no seguinte por uma equipe competitiva (menos na Indy, obviamente, embora haja um incentivo financeiro).

Por isso, o fim da Star Mazda é uma péssima notícia para a própria Indy. Em uma época em que os dirigentes do campeonato precisam lidar com a crise da demissão de Randy Bernard, a saída da Lotus, corridas deficitárias e a chegada de um novo carro à Indy Lights, cuidar da extinção de uma categoria de acesso e o fracasso do Road to Indy certamente não estava nos planos.

A geração 2011 da Star Mazda. Talvez a última que tenha encontrado lugar para correr

Isso também é péssimo para a credibilidade da categoria-mãe. Se nos últimos anos o Road to Indy conseguiu atrair alguns pilotos da Europa – Tristan Vautier, Gabby Chaves e Petri Suvanto, por exemplo –, agora o programa terá que dar um jeito de realocar uma geração perdida de competidores. E isso em um ano que a Star Mazda conseguiu se estabilizar e teve grids constantes de pouco menos de 20 carros.

Outra coisa é que a extinção da Star Mazda afeta todas as outras categorias do programa. Isto é, se a Star (nome original do campeonato) que tinha o patrocínio-máster da Mazda foi fechada, imagina a festa o futuro das demais categorias. Quem vai querer investir nelas? Por exemplo, por que um jovem piloto fecharia contrato para correr na USF2000 se não vai poder dar o passo seguinte na carreira? Talvez seja mais fácil ir para a Europa ou já se dedicar a carros de turismo/protótipos.

Como a Star Mazda era a categoria intermediária do Road to Indy, agora, além de encontrar um lugar para que pilotos como Suvanto e Sage Karam corram em 2013, também será necessário dar um futuro aos jovens vindos da USF2000, como Matthew Brabham e Spencer Pigot. Do contrário, eles correm o risco de serem mais alguns talentos perdidos do automobilismo.

Entretanto, o futuro não precisa ser tão nebuloso. Como a Star Mazda está à venda, há algumas soluções. A primeira é a compra da categoria pela própria Indy. No entanto, se o campeonato principal já é deficitário, imagina investir em um torneio de acesso lotado de latino-americanos?

A outra é que algum grupo decida comprar a categoria, como a própria Mazda, ou algum parceiro. Como o equipamento já existe, as equipes estão formadas e há um calendário junto com a Indy, o preço não é tão elevado, embora haja todos os gastos para a promoção e organização. Com isso, o certame viveria uma verdadeira contra o tempo para que o acordo seja fechado e um grid forte, montado.

Uma última hipótese é trazer algum campeonato para o lugar da Star Mazda. Não vejo algum certame nos EUA com carros parecidos. O único seria a F-Atlantic, mas este é chancelado pela SCCA e dificilmente haveria tempo para que ele entrasse no Road to Indy para que o programa não caia.

Também tem aquela ideia de Bernie Ecclestone de criar uma GP2 ou GP3 na América. Mas essa, obviamente, não viria para fazer parte do Road to Indy.