American Series

O sonho de Bernie Ecclestone é ver essa cena se repetindo

O site da ESPN americana publicou uma reportagem nesta segunda-feira, dia 12, revelando o interesse de Bernie Ecclestone e dos donos da FOM de criarem uma categoria GP2 ou GP3 na América – que está provisoriamente chamada de American Series – com provas nos Estados Unidos, Canadá e Brasil. Você pode clicar aqui para ver a matéria.

A equação para os organizadores é bem simples. O novo campeonato vai ajudar a atrair novos patrocinadores, além de interesse pela F1. De quebra, ainda vai permitir que pilotos destes três países tenham mais facilidade para se juntar à principal categoria do automobilismo mundial. Com isso, o campeonato seria autossustentável e ainda poderia ajudar a criação de outras corridas na América, como o GP de Nova Jersey, que ficou de fora do calendário de 2013 por falta de orçamento.

No entanto, as chances de esse campeonato existir são praticamente as mesmas de outras ideias de Bernie Ecclestone – como atalhos nas pistas, chuva artificial e campeonato com distribuição de medalhas – entrarem em vigor.

Em primeiro lugar, há um problema claro de calendário. O GP do Canadá está marcado para o dia 9 de junho de 2013, enquanto as corridas do Brasil e dos Estados Unidos fecham a temporada. Ou seja, se as corridas da American Series acontecerem como preliminar da F1, então haveria um intervalo de cinco meses entre as provas. É impossível gerar interesse de público com um intervalo tão grande e, além disso, seria bastante provável que os pilotos fizessem contratos separados para disputar uma prova e outro para as duas demais.

Por isso, seria bom que o campeonato se juntasse a algum outro – Indy, Nascar, ALMS, Grand-Am – para disputar corridas preliminares, preenchendo essa lacuna de tempo.

Felipe Nasr Eurointernational
Em uma situação parecida, a F-BMW não deu certo na América

Outro problema é a chegada das equipes. Não está certo se o novo torneio seria uma espécie de GP2 Asia, onde os times são praticamente os mesmos da versão europeia, ou se é um novo campeonato separado.

No caso de uma GP2 America, por exemplo, provavelmente aconteceria o mesmo que no certame asiático: teríamos os mesmos pilotos e equipes que o campeonato principal, o que inviabilizaria todo o plano de colocar jovens da América na F1. Consequentemente, diminuiria o interesse pelo campeonato, o dinheiro investido acabaria e o certame seria extinto em alguns anos.

Por outro lado, se for um campeonato totalmente novo, será que há tantas equipes assim na América interessadas – e com condições financeiras – de participar do certame? Em 2004, a F1 tinha a F-BMW como preliminar, tanto na Europa quanto deste lado do mundo. A versão americana do torneio de base também fazia a preliminar dos GPs, mas durou apenas cinco temporadas e acabou por, adivinha só, falta de equipes e pilotos. E agora estamos falando de criar um campeonato com o custo de GP2 ou GP3.

Por fim, acho que há um erro de logística tremendo nessa American Series. Se eu tivesse que escolher três países da América para investir em uma nova categoria, certamente seria México, Colômbia e Venezuela. Basta ver o número de pilotos vindos desses locais  nas categorias de base da Europa e dos EUA. Claro que teria espaço para brasileiros, americanos e canadenses, mas é importante levar em conta onde está o dinheiro atualmente.

2 comentários sobre “American Series

  1. O grande problema nisso tudo é que algumas pessoas querem enfiar goela abaixo dos Norte-Americanos a fórmula européia de fazer automobilismo.

    A história mostra insistentemente que não dá certo. Os jovens americanos entram no Kart pensando em se tornarem campeões da NASCAR, e não de F1 ou mesmo da Indy.

    A própria Indy não é tão bem vista assim a ponto de ser a primeira opção dos que tentam fazer carreira sobre quatro rodas.

    Esta prova em Austin e, se tiver mesmo, a corrida em Nova Jersey, vão durar alguns poucos anos e serão deixadas de lado por falta de interesse, como sempre aconteceu com as corridas de F1 nos EUA.

    Claro que é perfeitamente compreensível o interesse dos organizadores no que se refere ao lado econômico, mas a fórmula simplesmente não funciona…

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