Lucas de la Vega é um dos novatos da F3 em 2012

Todo mundo sabe que a F3 Sudamericana não é mais aquele mar de talentos que um dia foi no século passado. É mentira dizer que ela não consegue mais revelar bons pilotos – basta ver o desempenho de Guilherme Silva e Bruno Bonifácio em 2012 –, mas eles são exceções. O que mais temos visto é o atleta sair daqui para andar nas últimas posições lá fora.

Apesar disso, neste ano, a situação prometia mudar. Depois de uma negociação fracassada com a Top Race argentina, o antigo promotor – Dilson Motta – se afastou do campeonato por motivos particulares. Para que a categoria não morresse, quem assumiu a F3 foi a Vicar, que a incorporou ao Brasileiro de Marcas.

O problema é que com essas idas e vindas o campeonato só começou no dia 21 de julho e, até o mês de junho, ninguém tinha certeza se o torneio iria acontecer. Por isso, para muitos pilotos, ficou tarde demais para negociar com patrocinadores. Dessa forma, por mais que a Vicar tenha trabalhado para encher o grid, a temporada 2012 já estava caminhando para um fracasso.

Só que ninguém imaginava que seria tão ruim. Neste fim de semana, a quarta das seis etapas do campeonato foi disputada no circuito de Tarumã. Embora o grid até tenha reunido uma razoável marca de dez carros – até mesmo um progresso com relação aos últimos anos –, mais uma vez os líderes da tabela não estiveram presente.

Assim, Felipe Guimarães – aquele mesmo com passagens por A1GP, GP3 e Indy Lights – conquistou duas vitórias fáceis ao vencer Rodrigo Gonzalez (piloto do próprio Rio Grande do Sul) e Leonardo de Souza.

Com os resultados, a tabela de pontos não poderia estar mais bizarra. A liderança é de Fernando ‘Kid’ Resende, que só disputou as primeiras duas etapas e ninguém faz ideia se ele volta a competir. Depois, aparece Leonardo de Souza, o único piloto da divisão principal a tomar parte de todas as corridas. André Pedralli, outro que correu só as duas primeiras etapas, é o terceiro, enquanto Rodrigo Gonzalez e Christian Castro (dois pilotos do RS, que correram as duas últimas corridas no RS) completam o top-5.

Em outras palavras, faltando rodadas em Londrina e em Curitiba, é impossível apontar um favorito ao título, já que não dá para se ter certeza de quem vai competir por lá. Isto é, se os pilotos gaúchos não aparecerem e De Souza tiver problemas mecânicos nas últimas rodadas, é capaz que Kid seja o campeão tendo participado de apenas quatro de 12 corridas.

Da mesma forma, nada impede que alguém estreie em Londrina, vença as quatro provas restantes e termine com a taça de campeão.

Raphael Raucci (no carro laranja) lidera a F3 Light com um ponto de vantagem para Higor Hoffman (azul)

Por outro lado, a situação da categoria Light está um pouco melhor. Três pilotos competiram em todas as etapas – Raphael Raucci, Higor Hoffman e Lucas de la Vega – sendo que os dois primeiros estão separados por um único ponto no campeonato. É claro que não é o ideal, mas ao menos estamos tendo algum tipo de competição.

Por isso, a minha sugestão é que a Vicar decida que o campeão da divisão Light seja de fato o campeão da F3 Sudam de 2012. E isso passe a valer tanto para premiações – se houver alguma – e fins estatísticos.

Não sei se existe qualquer possibilidade de mudar o regulamento nesse momento, mas em meio a um campeonato tão bagunçado como foi esse de 2012 não acho essa uma ideia ruim. E ainda é legal porque valoriza quem acreditou no certame competiu o ano todo.

De resto, para quem gosta da F3 Sudam, já está na hora de pensar em 2013…