F1 na Tailândia? Por que não?

A Red Bull já realizou uma exibição na Tailândia nos últimos naos

A F1 deve ganhar um novo destino exótico a partir de 2014. Depois de se aventurar por lugares como Malásia, Bahrein, Abu Dhabi e Cingapura, chegou a vez de o campeonato desembarcar na Tailândia, em mais um capítulo da expansão para o Oriente.

De acordo com o Fox Sports australiano, as negociações entre o governo tailandês e Bernie Ecclestone estariam em estágio avançando, precisando apenas chegar a uma acerto quanto à taxa de inscrição. A FOM sempre cobrou € 25 milhões das sedes, mas a crise econômica está fazendo com que Bernie aceite quantias menores.

Dito isso, acho que em um primeiro momento, a reação de qualquer um é torcer o nariz e pensar algo como: “Ah não! Mais uma corrida na Ásia? E na Tailândia?? O que tem na Tailândia, além do Sagat?”. Mas ao contrário dos países citados lá em cima, dessa vez faz algum sentido essa nova peripécia de Bernie Ecclestone.

Em primeiro lugar, a Tailândia tem tentado desenvolver uma cultura automobilística até mesmo como uma forma de buscar investimentos. Afinal, além da importação de arroz, o país é conhecido justamente pelo turismo e ter uma etapa da F1 se torna um atrativo ainda maior na busca por visitantes.

Entretanto, é claro que ainda não dá para comparar o desenvolvimento tailandês no esporte a motor ao que era a Malásia, quando eles começaram a receber a F1. Lá nas terras de Sepang, havia um piloto de certa forma promissor – Alex Yoong – e uma empresa, a Petronas, disposta a investir pesadamente na categoria.

Na Tailândia, a situação é parecida, mas não está tão clara. Há alguns jovens pilotos como Tanart Sathientirakul e Sandy Stuvik, mas estes ainda estão disputando campeonatos da F-Renault e buscam estabelecer a própria carreira. Quem está um pouco à frente é Alex Albon. Apesar de ter nascido no Reino Unido, o piloto de apenas 16 anos resolveu adotar a licença tailandesa na hora de competir no esporte a motor.

A Tailândia é um dos patrocinadores de Alex Albon, jovem promessa da Red Bull

Albon, assim, é uma espécie de aposto a longo prazo do país asiático. Se a carreira dele vingar, pode ser o que os tailandeses precisam para fazer o automobilismo decolar. E eles podem ficar otimistas com o futuro. O garoto conquistou título Europeu e Mundial de Kart, na categoria KF3, e integra o programa de jovens pilotos da Red Bull, sendo apontado como uma espécie de principal rival de Nyck de Vries, da McLaren, embora os resultados em 2012 tenham deixado a desejar.

E não é coincidência toda essa relação entre Albon, Red Bull e Tailândia. A bebida energética, aliás, foi criada justamente no país asiático antes de ser levada à Áustria por Dietrich Mateschitz. Apesar disso, um dos criadores do drink acabou ficando na Ásia e, dessa forma, talvez de olho no sucesso que a bebida fez na Europa (principalmente a partir do marketing esportivo) parece que os asiáticos resolveram apostar também no sucesso das latinhas.

Por isso, não é por acaso que a própria Red Bull é uma das grandes investidoras desse GP da Tailândia. O governo asiático confirmou que apenas 60% do custo total da corrida virão dos cofres públicos, com o resto dependendo do investimento privado, como a própria fabricante de bebidas.

Se você pensa em uma corrida na Tailândia, certamente esse deveria ser o local do circuito

Portanto, se essa história toda se confirmar, acho bastante curioso como a Tailândia pode se tornar o primeiro polo da Red Bull na F1. Imagino que para qualquer um a Áustria – e o Red Bull Ring – sempre foi uma candidata muito mais forte para receber a principal categoria do automobilismo mundial. Talvez tenha faltando algum tipo de investimento do governo europeu que os asiáticos estiveram dispostos a fazer. Assim, os taurinos perceberam a oportunidade e resolveram entrar de cabeça nessa nova corrida.

Apesar da iminente chegada da F1, acho que o principal problema de uma corrida na Tailândia é a situação do país. De acordo com os dados da ONU, eles ocupam apenas a 103º posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. Então há um conflito muito grande entre o custo necessário para se organizar uma corrida de F1 e o dinheiro que poderia ser revertido para obras de infraestrutura básica para a população.

Só que essa não é uma situação nova na F1. A categoria nunca se incomodou em correr em países do terceiro mundo independentemente da situação em que ele se encontra. Levando em conta os mesmos dados do IDH de 2011, a China aparece em 101º, enquanto a Índia é somente a 134ª. O Brasil é o 84º.

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