Craig Lowndes voltou a ostentar o esquema de pintura da Marlboro em Bathurst

É difícil apontar uma empresa que teve tanto sucesso no automobilismo quanto a Marlboro (Philip Morris). Desde as últimas décadas do século passado, quando os esquemas de pintura dos carros passaram a ser determinado pelos seus investidores, o layout alvirrubro da fabricante de cigarros se tornou uma referência no esporte.

Em praticamente todas as categorias em que esteve presente, a Marlboro conseguia bons resultados. Foi assim na F1 (com a McLaren), na Indy (Penske), além de participações no rali, no endurance e em campeonatos locais espalhados pelo mundo.

Esse império começou a ruir no início dos anos 2000, quando um a um os países começaram a aprovar legislações mais rígidas contra a propaganda tabagista, incluindo a proibição da exposição da marca nos eventos esportivos.

Mas mesmo assim isso não impediu a Philip Morris de continuar no esporte a motor. A estratégia adotada pela empresa foi apostar na identificação visual da marca com os carros alvirrubros sem precisar expor seu logo. A tática, aliás, deu bastante certo e só começou a ser questionada nos últimos anos. No início do blog eu até fiz um post sobre isso que você pode clicar aqui para relembrar.

Assim, conforme o cerco foi fechando, a Philip Morris acabou abandonando o esporte a motor e praticamente não vemos mais referências à empresa tabagista nos dias de hoje.

O esquema de pintura original de Peter Brock

Isso durou até este domingo, dia 7, quando um carro com o esquema de pintura voltou às pistas. Neste final de semana, a V8 Supercars está disputando a 50ª edição da tradicional etapa de Bathurst. Para celebrar a data, uma série de equipes optou por adotar layouts históricos nos carros, homenageando alguns dos maiores vencedores da prova.

Dessa forma, o piloto Craig Lowndes decidiu prestar um tributo a Peter Brock, líder de ginásio da cidade de Pewter, australiano que venceu seis vezes a etapa de Bathurst, nas décadas de 1970 e 1980, sendo que em 1979 terminou espantosas seis voltas (!!) na frente do segundo colocado.

No final da carreira, Brock resolveu servir como mentor de um jovem piloto que começava a aparecer no automobilismo australiano. Esse garoto era Lowndes, que viria a conquistar três títulos ao longo da carreira, além de cinco triunfos no Mount Panorama.

Assim, o que aconteceu neste final de semana não é exatamente o retorno da Marlboro às competições, mas apenas uma representação de um esquema de pintura que fez história na categoria. Isso até tem o nome de patrocínio residual, que resumidamente é a empresa continuar a colher os resultados de uma ação mesmo anos depois que acabou o investimento.

Mas será que é esse mesmo o caso em Bathrust? É verdade que há algumas diferenças entre o layout original da Marlboro e o usado por Lowndes na tradicional prova, mas são diferenças tão pequenas que é impossível não associar uma coisa à outra. Por isso mesmo é possível, sim, questionar se essa é apenas uma homenagem a Brock ou se a Philip Morris aproveitou toda a história envolvendo a 50ª edição da corrida em Mount Panorama para fazer um breve retorno ao automobilismo camuflado de tributo.

Seja qual for a verdade, esses carros da vermelhos e brancos eram muito bonitos, uma pena não competirem mais.