Para entender Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

Lewis Hamilton trocou a McLaren (carro à direita dele) pela Mercedes (à esquerda)

Que dia! Se você gosta de F1, esta sexta-feira, 28, foi um dia e tanto em termos de notícias. Primeiro a Mercedes anunciou a contratação de Lewis Hamilton para a vaga de Michael Schumacher. O inglês assinou contrato de três anos e vai receber apenas US$ 100 milhões por esse período.

Depois, foi a vez de a McLaren agir e confirmar a chegada de Sergio Pérez como substituto do inglês em 2013. Como é de praxe da equipe britânica, eles não anunciaram o tempo de contrato nem o valor do acordo com o mexicano, se limitando a dizer que será válido por muitos anos.

Assim, nesse momento, naturalmente surgem algumas dúvidas. A primeira delas é o que fará Michael Schumacher? Se a dupla da Mercedes em 2013 será Hamilton e Nico Rosberg, o heptacampeão sobrou. Então, ele vai novamente se aposentar? Vai mudar para a Ferrari? Para a Williams?

A segunda é quanto ao futuro de Lewis Hamilton. Será que o britânico vai conseguir repetir o bom desempenho na equipe germânica, que em três anos de F1 ainda não desenvolveu um carro minimamente competitivo? E a terceira diz respeito a Pérez. Será que o mexicano é mesmo todo esse prodígio que dizem ser?

Nenhuma dessas respostas teremos agora. A maioria delas, aliás, só será respondida no ano que vem. Entretanto, essa sexta-feira conseguiu desatar alguns nós no rolo que é a F1.

Uma análise que tem sido relativamente feita à exaustão nessas últimas horas aponta uma espécie de chapéu da McLaren na Ferrari. Isto é, assinando com Pérez, a equipe inglesa teria conseguido roubar um piloto que estava sendo preparado por Maranello para ser a aposta deles para o futuro. Vale lembrar que o mexicano fez parte da Academia da Ferrari e era figura constante em treinos e em testes da equipe italiana.

Sergio Pérez era nome quase certo na Ferrari, mas…

Porém, isso é mentira. A McLaren não roubou ninguém. Se a Ferrari realmente tivesse Pérez como sua aposta para o futuro, não faria o menor sentido para ela não fazer o possível – e o impossível – para mantê-lo em Maranello. Também não daria para falar que os ingleses teriam feito uma proposta irrecusável ao mexicano que a Ferrari não conseguiu igualar. Oras, se Hamilton deixou o time de Woking por não concordar com a proposta salarial, como eles poderiam seduzir Pérez financeiramente a ponto de o mexicano deixar a Itália?

A verdade é que a Ferrari não fez o menor esforço para contar com o mexicano nos próximos anos, por isso ele foi embora. Dessa forma, a Ferrari liberou Pérez já de olho em um grande prêmio, na verdade, o maior de todos: Sebastian Vettel.

Quem anda pelo paddock da F1 já ouviu um rumor de que o alemão teria um pré-contrato assinado para correr pela equipe italiana a partir de 2014, levando em conta que o vínculo com a Red Bull termina ao final próximo ano. Bom, eu não ando pelo paddock, então não sei nada disso, mas copio aqui o que o jornalista Will Buxton, do canal Speed norte-americano e narrador oficial da GP2 e da GP3, escreveu em seu blog esses dias.

“A Ferrari, entretanto, não tem necessidade real de substituí-lo porque ela precisa esperar apenas um ano para a chegada de um novo piloto. Esse piloto será Sebastian Vettel, e ele correrá pela Ferrari em 2014. Esse é um desses segredos amplamente conhecidos no paddock, assim como todos sabiam de Robert Kubica. A Ferrari não age no calor do momento. Ela faz pré-contratos com ao menos 18 meses de antecedência. E Vettel deve ter assinado um desses acordos”.

Essa análise faz todo sentido. Por que a Ferrari manteria Felipe Massa para 2013 – se é que vai mantê-lo – e ainda deixando Sergio Pérez ir embora? Certamente não é porque ela acredita no brasileiro. É porque já está de olho no futuro. Assim, a partir de 2014 possivelmente teremos Vettel e Alonso dividindo os carros vermelhos. Agora a gente entende por que tantas vezes o alemão da Red Bull já foi obrigado a responder sobre dividir uma equipe com Alonso.

Poderemos ver Sebastian Vettel vestindo vermelho Ferrari a partir de 2014

Se esse rumor estiver correto, há uma peça que não se encaixa nessa história toda: a Academia da Ferrari. Por qual razão a Ferrari teria gastado milhões, nos últimos anos, para desenvolver Pérez e Jules Bianchi se no momento em que abre uma vaga de titular o escolhido é um atleta de outra equipe?

A resposta é simples. É isso o que ela sempre faz. Montadoras como a Ferrari, a McLaren e a Mercedes têm muito dinheiro. Eles podem apontar o dedo para alguém na F1 e escolher com quem vão correr. Esses times jamais precisaram de programa de jovens pilotos para se fortalecer, mas a chegada de Lewis Hamilton – naquela história de um dia ter falado a Ron Dennis que ia competir por sua equipe – e a descoberta de Sebastian Vettel mudaram a percepção das escuderias. Na pressa por descobrir um novo fenômeno das pistas, acabaram criando esses programas.

Hamilton ainda teve toda a sorte do mundo de chegar à F1 em um momento em que havia duas vagas abertas na McLaren. Assim, a equipe inglesa pôde contratar Fernando Alonso – então atual bicampeão – e dar chance a um novato. Mas isso certamente é a exceção. Dificilmente uma escuderia de ponta terá dois postos em aberto nos próximos anos, portanto esses jovens pilotos terão cada vez menos chances. Quando há apenas uma vaga disponível por qual razão escolheriam um novato do programa se podem ter qualquer um do grid?

Assim, as equipes da F1 acabam lidando de formas diferentes com esses programas. Um dos motivos da Renault ter deixado a categoria foi a cobrança de resultados em razão de todo o dinheiro investido pela empresa. Foi por isso, também, que apenas Fernando Alonso conseguiu ser firmar entre os pilotos da Renault Junior. De resto, Heikki Kovalainen, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi e Romain Grosjean tiveram pouquíssimas chances de mostrarem resultados e acabaram sacados após uma única temporada em média.

Quem melhor conseguiu lidar com tudo isso foi a Red Bull. Em 2005, quando a equipe propôs aquele rodízio entre Christian Klien e Vitantonio Liuzzi na vaga de titular e, obviamente, não deu certo, a equipe austríaca entendeu que a única forma de ter sucesso nessa peneira de jovens talentos é dar tempo a eles se desenvolverem. Foi por isso que o time se separou em dois: a Red Bull principal e a Toro Rosso, que serve como maturação dos seus pilotos.

Por isso, Sebastian Vettel e Mark Webber tiveram toda tranquilidade do mundo nesses últimos anos para conquistarem o bicampeonato da F1, enquanto Helmut Marko ficou responsável por comandar o futuro da equipe levando os jovens talentos até a Toro Rosso e, se provarem que são bons o bastante, promovendo-os para o time principal.

Apesar disso, no final das contas, os programas de Red Bull, McLaren e Ferrari não são tão diferentes. A grande maioria dos pilotos que passarem por eles jamais terão chances nas escuderias principais. Os rubro-taurinos ficam mais em evidência porque eles, sim, conseguem subir à F1 ainda pela Toro Rosso. Os demais apenas vão alimentar alguma esperança de estar no lugar certo e na hora certa como aconteceu com Hamilton na estreia na F1.

7 comentários sobre “Para entender Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

  1. E, A ferrari pode bem chamar Perez quando acabar o tempo de Mercedez. Ele aprende lá e depois pilota pra Ferrari, que não dá chance pra iniciante em seus carros. Só pega piloto com bastante prática em pista. Vide Berger e Alesi, Irvine, Barrichello, Massa, Raikkonnen…

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  2. Tambem acho que Alonso para. Provavelmente a Bianchi sera colocado na Sauber e entra em 2014 ?no lugar de Massa. Elles ainda nao descartaram o frances.

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  3. Felipe, acho que em 2014 a Red Bull vai ter 2 lugares sobrando assim como a McLaren teve em na epoca da chegada do Hamilton. Acho que o futuro dos rubrotaurianos merece um post a parte.

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  4. Felipe, seu raciocínio só esbarra em uma coisa: ALONSO aceitaria dividir a FERRARI em partes iguais com VETTEL? Acho muito pouco provável, como tb acho que VETTEL não aceitaria nada diferente disso. Portanto, se VETTEL for pra lá, é pq ALONSO para de correr no fim do ano que vem, pode apostar nisso

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