O fim da GP2 2012

Depois de 30 anos na GP2, Davide Valsecchi conquistou o título da categoria

A GP2 enfim terminou. Depois de seis meses, 12 etapas e 24 corridas, Davide Valsecchi superou Luiz Razia e se sagrou campeão daquela que foi considerada uma das temporadas mais fracas da história da categoria.

Em 2012, o principal campeonato de acesso da F1 sofreu com um grid abaixo da média. Desde o advento dos novos carros, no último ano, a categoria se tornou bastante cara, o que acabou afugentando pilotos menos abastados. Como resultado, a qualidade do pelotão como um todo desabou.

Isso, porém, não quer dizer que não tivemos bons pilotos. O problema foi com os coadjuvantes de uma maneira geral. Como a GP2 se tornou uma categoria cara, os pilotos com menos chances de títulos acabaram optando por correr na World Series by Renault. Assim, as vagas abertas foram ocupadas por garotos endinheirados, mas de talento questionável.

Isso acabou acelerando o processo de entressafra. A geração de Jules Bianchi, Sam Bird e Christian Vietoris deixou o campeonato, mas não foi reposta. É verdade que surgiram alguns bons nomes como James Calado – o melhor novato de 2012 –, Felipe Nasr e Rio Haryanto, além de alguns pilotos medianos e os tais pagantes.

Quem se aproveitou de tudo isso foram os velhos conhecidos do pessoal: Davide Valsecchi e Luiz Razia, que se fizeram valer da experiência secular no campeonato para deixar os demais adversários para trás e monopolizarem a briga pelo título.

Agora vai ser interessante ver como Valsecchi e Razia vão levar a carreira adiante

Apesar disso, há um consenso. Não importa quem vencesse, o campeão de 2012 não empolgou. Não é que os dois sejam pilotos ruins, mas depois de quatro ou cinco anos na GP2 eles não mostraram que podem fazer algo diferente dos atletas que já estão na F1. Muito provavelmente, Razia e Valsecchi – se tiverem os recursos $ necessários – podem construir carreiras vencedoras em outro lugar, mas a impressão nesse momento é que a F1 não é para eles.

Na verdade, acho que isso é até saudável para ambos. Ao invés de gastar cada centavo e patrocínio para se arrastarem por HRT, Marussia ou até mesmo apenas disputando os treinos livres de sexta-feira, eles estão livres para buscar outras categorias onde podem ser campeões.

Na Indy, por exemplo, há uma vaga aberta na equipe satélite da Ganassi e outra na Penske. Recentemente, a BMW anunciou que vai expandir de seis para oito carros em 2012 no DTM. No Mundial de Endurance, Dindo Capello se aposentou e abriu espaço na Audi, enquanto os japoneses adorariam um piloto de qualidade internacional para correr na F-Nippon e no SuperGT. E estamos falando do campeão e do vice da GP2. É difícil que haja pilotos com currículos tão vencedores na briga por esses lugares.

E realmente acho essas oportunidades boas. São a chance que os dois pilotos têm para aproveitar o bom momento em que vivem.

A carreira de Luiz Razia pode ser uma verdadeira roda gigante. Ou não

Razia, por exemplo, chegou à GP2 depois de ter vencido a F3 Sul-americana e só não ter triunfado na F3000 Italiana – atual Auto GP – porque não competiu na última etapa para focar na adaptação à nova categoria. Valsecchi, por sua vez, sempre se mostrou muito rápido, mas demorou para se encontrar na GP2. O italiano ficou duas temporadas na péssima Durango e mesmo tendo vencido uma corrida sabia que de lá não iria a lugar algum. As passagens por Addax – em substituição a Romain Grosjean – e pela estreante Air Asia, no último ano, evidenciaram um piloto desesperado para mostrar resultado e que pegaria qualquer vaga disponível. Em 2012, tendo uma equipe estável como a Dams como suporte, o piloto conseguiu reproduzir o desempenho que o fez chamado de promissor uma vez.

Quanto ao restante do grid, não vejo muito futuro. Gente como Max Chilton e Johnny Cecotto fizeram uma excelente temporada se fossem considerados novatos. O problema é que eles acabaram de encerrar o terceiro ano na categoria e só agora conseguiram mostrar valor. Um quarto na GP2 no máximo acabaria transformando-os nos novos Valsecchi e Razia.

Giedo Van Der Garde, por sua vez, foi uma decepção. O holandês, que já foi campeão mundial de kart, concluiu o quarto ano no campeonato e passou longe da briga pelo título. Um quinto ano na categoria seria sacal, enquanto uma eventual ida à F1 parece ainda mais distante que em 2011 visto o fraco desempenho neste ano.

No geral, agora é torcer para que o grid de 2013 seja mais forte com a saída de tantos veteranos. Pessoalmente, não vejo muitas melhoras. A GP3 sofreu esse ano com a falta de qualidade da maior parte dos pilotos. As F3 foram esvaziadas e o pulo para a GP2 está cada vez mais inviável pela diferença monetária entre os campeonatos. E a própria World Series by Renault não é uma opção, já que os pilotos que estão se destacando neste campeonato em 2012 são justamente aqueles que tiveram passagens pela GP2, como Jules Bianchi e Sam Bird.

2 comentários sobre “O fim da GP2 2012

  1. Discordo sobre ter sido a pior temporada , tivemos corridas muito boas e acho que a principal razão dos veteranos terem ser destacado foi a utilização dos mesmos pneus da F1 na categoria e por isso ter experiência foi fundamental. Claro faltou mais pilotos de categoria , a GP2 está muito cara e a WS está mais atraente pelos custos e permitir que que pilotos de testes da F1 possam correr mas comparando as 2 as corridas da WS são chatíssimas.

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  2. Dois pilotos limitadíssimos monopolizando a briga pelo título, acho que esse é o resumo da temporada. Acompanho a GP2 desde o primeiro ano, e esse foi sem dúvida um dos piores, se não o pior. Mas, minha paixão pela categoria e pilotos como Nasr e Calado me fazem torcer pra que a temporada 2013 comece logo, sinto que a briga será entre esses, sempre tem o Gutierrez, mas esse é mestre em fazer besteiras.

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