A falta de critério da FIA

A punição a Sebastian Vettel em Monza foi completamente questionável

O desempenho de Fernando Alonso na temporada 2012 da F1 é inquestionável. Quando o carro da Ferrari era ruim, o espanhol conseguiu vencer uma corrida – o GP da Malásia – para se manter na briga pela liderança da tabela de pontos. Depois, com a evolução do equipamento italiano, o piloto ganhou mais duas vezes para disparar na classificação do campeonato.

Assim, após 13 etapas, o piloto da Ferrari lidera a tabela com uma vantagem de 37 pontos para Lewis Hamilton, o segundo colocado.

Embora o desempenho do espanhol seja quase uma unanimidade, o piloto também acabou envolvido em algumas polêmicas. Nas duas últimas etapas, Romain Grosjean e Sebastian Vettel foram punidos por incidentes envolvendo o espanhol.

No caso do piloto da Lotus, não restam muitas dúvidas de que ele realmente foi o culpado pelo salseiro na largada do GP da Bélgica. Apesar disso, a suspensão de uma corrida – o primeiro gancho desse tipo nos últimos 18 anos – pode ser questionada. Afinal, esse não foi o pior acidente nem o erro mais grave da história recente da F1.

A disputa com Vettel em Monza foi ainda mais gritante. Em uma disputa que não aconteceu absolutamente nada, o piloto da Red Bull acabou recebendo um drive-through por espremer o adversário para fora da pista. O problema é que esse tipo de lance é algo recorrente na F1. Nico Rosberg fez isso em duas oportunidades no Bahrein e até mesmo Alonso empurrou o próprio atual bicampeão na própria Monza no ano passado.

Esses episódios podem indicar um protecionismo com relação a Fernando Alonso, mas nada que tire o mérito do bom desempenho na temporada. Aliás, o mais importante aqui é identificar a falta de critério da FIA. Parece que os comissários punem baseado nos pilotos envolvidos – se tiver um campeão a gravidade é maior – e também na plasticidade da batida, não os atos em si.

Nesse final de semana, eu assisti o vídeo do duelo entre Felix Serralles e Jack Harvey na etapa de Silverstone da F3 Inglesa. Na batalha, o piloto da Carlin forçou o adversário para fora da pista, e por muito pouco o carro da Fortec não acabou decolando. Sabe o que a direção de prova fez? Nada!

Talvez esse seja o exemplo mais claro da falta de critério no automobilismo. Em um primeiro momento, podemos pensar que há o mesmo protecionismo em Harvey, que é o único britânico com chances de título na F3. Ou podemos achar que a direção de prova considerou um lance normal, de corrida.

Só que o problema disso tudo é que esses garotos acabam concluindo que podem fazer esse tipo de manobra. Aí, quando chegam à F1, podem eventualmente causar algum acidente à Grosjean ou se envolver em alguma polêmica como Vettel/Alonso em Monza.

Concluindo, o mais importante de tudo isso não é apontar o dedo e afirmar que há proteção com algum piloto. Pelo contrário, o fundamental é que as corridas parem de ser decididas nas salas de direção de prova. Ninguém quer ver uma competição terminar e, minutos depois, chegar um comunicado anunciando meia dúzia de punidos.

O ideal é que os pilotos saibam o que pode ser feito e o que não pode. Assim, evidentemente, o número de punições diminuiria. E qual o melhor jeito de garantir que os atletas aprendam o regulamento? É haver algum consenso desde as categorias de base até as principais.

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