Mitch Evans chegou à GP3 2012 como favorito, convenceu e saiu com taça

Se você viu a GP3 em 2012, viu. Caso contrário, não dá mais tempo porque já acabou. Talvez estejamos falando do campeonato mais curto da Europa. São apenas quatro meses, e quando você começa a se acostumar com os pilotos o certame termina. Frustrante.

No entanto, quem assistiu às corridas de 2012 viu um campeonato muito legal, bem disputado e que coroou Mitch Evans como campeão após apenas oito etapas em um final épico em Monza, quando o jovem neozelandês ficou com a taça, já que Tio Ellinas ultrapassou Daniel Abt – o vice-campeão – na penúltima volta da última corrida.

Mas hoje falo sobre Evans. Talvez a GP3 nunca teve um piloto tão favorito ao título quanto o protegido de Mark Webber. Desde o primeiro treino de pós-temporada, ainda em 2011, o garoto de apenas 18 anos se colocou na primeira colocação e se manteve assim até o final. Ou algo parecido. Nas últimas cinco corrida, o piloto somou apenas 15 pontos (de 95 possíveis), mas mesmo com todo o esforço para perder o título conseguiu terminar com a taça.

Evans, aliás, é um caso curioso no automobilismo. Desde muito jovem já era apontado como um piloto fora de série e que tinha tudo para ser dar bem no esporte a motor. Ou seja, nada mais natural que disputar os principais campeonatos do mundo sempre com o melhor equipamento disponível, certo?

No caso do neozelandês errado. Como a maior parte dos pilotos nascidos na Oceania, Evans disputou pequenos campeonatos locais antes de cair na Toyota Racing Series – onde foi bicampeão correndo pela equipe do pai – e na F-Ford Australiana, um campeonato que costuma reunir jovens da própria Oceania e teve gente como Nick Percat (vencedor em Bathurst) e Richie Stanaway descobertos na mesma geração.

Vou me entregar que vejo novela, mas nessa foto Mitch Evans não está a cara de Fabian, da novela das 7?

No entanto, o mais surpreendente aconteceu em 2010, quando o piloto decidiu participar da F3 Australiana, um campeonato com equipamento extremamente defasado com relação às demais F3 e que mal consegue colocar dez carros no grid. Parece familiar, não é mesmo?

Pois é, Evans terminou aquele ano como vice-campeão, mas já tinha chamado a atenção de Mark Webber, que acabou levando-o para a Inglaterra. Aí fica a pergunta. Por que Evans pode disputar um campeonato como a F3 Australiana, sequer ser campeão e mesmo assim chegar à Europa como um piloto valorizado? Por que isso não acontece aqui na F3 Sul-americana? Será que os pilotos daqui são piores que os de lá?

Eu acho que não. A cada ano fica mais provado que dizer que um determinado campeonato não pode desenvolver um bom piloto é besteira. Qualquer certame tem potencial, sim, para revelar jovens talentos. Então por que nós vemos um ex-piloto da F3 Australiana em um lado da tabela da GP3 e os ex-F3 Sudam do outro?

Acho essa resposta simples. Sem levar em conta o combustível financeiro, um piloto com talento natural e que trabalhe muito duro sempre vai levar vantagem, independentemente de onde correr. Mitch Evans aproveitou cada oportunidade e está próximo de se tornar apenas o segundo neozelandês a disputar a GP2. Enquanto isso, ainda esperamos a tal renovação dos pilotos brasileiros.