Talvez Grosjean até merecesse ser suspenso por uma prova, mas a justificativa da FIA não convenceu

Nessa altura do campeonato, não é novidade para ninguém que Romain Grosjean foi suspenso por uma corrida após o forte acidente em que causou no início do GP da Bélgica, disputado no último domingo, dia 2, em Spa-Francorchamps.

Eu questiono se essa foi a decisão correta a ser tomada pelos comissários de prova. Não estou dizendo que Grosjean não merecia ser punido, mas acho que houve um exagero muito grande na pena aplicada.

Talvez o francês realmente precisasse ser suspenso por uma corrida, mas como nos últimos 18 anos nenhum piloto tomou um gancho semelhante, indago se o piloto da Lotus devesse ter sido o primeiro a ser penalizado para servir como exemplo. É claro que o acidente na Bélgica foi grave, mas nos últimos anos vimos algumas batidas tão feias quanto essa e sem uma punição similar.

Aliás, acho que suspender um piloto deveria ser uma pena para algo premeditado – como empurrar um adversário fora da pista ou tentar trapacear de alguma forma – e não apenas para um erro na largada. No entanto, a decisão da FIA foi pela suspensão e até faz sentido. Se chegou a hora de começar a barrar os pilotos, tinha que começar por alguém.

O que me incomoda nessa história toda é a justificativa dada para a pena imposta a Grosjean. Segundo a FIA, o fato de o acidente ter envolvido o líder do campeonato – Fernando Alonso – foi um agravante. Nas palavras da federação, “Os comissários consideram este incidente como uma violação extremamente grave dos regulamentos, pois teve o potencial de causar ferimentos a outras pessoas. Isso tirou os postulantes ao título da corrida”.

Como eu disse, não há como negar que esse acidente teve potencial para ferir outros pilotos. Mas outros enroscos parecidos nos últimos 18 anos também tiveram, e nada foi feito com os culpados.

Porém, ao afirmar que custou a participação de favoritos na corrida, como Lewis Hamilton e Fernando Alonso, a batida ganhou proporções maiores. Geralmente, eu concordaria que tirar os líderes do campeonato em um acidente bobo realmente devesse ser penalizado com maior dureza, mas estamos falando da largada da 12ª etapa de uma temporada com 20 corridas. Como é que se pode determinar nesse momento quem é postulante ao título e quem não é?

É óbvio que alguns competidores podem ser apontados como favoritos pelo que fizeram na primeira metade da temporada, mas será que não está havendo uma generalização? A FIA pode afirmar que os pilotos da Ferrari, McLaren, Lotus e Red Bull estão, de fato, brigando pela taça, mas não é isso que tem acontecido nos últimos três anos? Será que é um absurdo muito grande dizer que existe um protecionismo às principais equipes? Levando em conta o argumento da entidade nesse momento, eu acho que não.

Será que Romain Grosjean é o pior piloto da F1 nos últimos 18 anos? Eu acho que não

Mas eu penso um pouco diferente. Não acho que haja uma proteção tão grande assim aos times de ponta. Na verdade, imagino que os comissários decidiram suspender Grosjean por uma corrida, mas não estavam tão certos sobre qual a justificativa da punição. Então eles fizeram uma lista de fatores para explicar a pena na esperança de que algum item acabasse convencendo todo mundo. Dessa forma, jogaram um monte de argumentos no comunicado.

E isso foi um baita tiro no pé. Eu, por exemplo, estou questionando um suposto protecionismo com relação às grandes equipes. Outra pessoa pode perguntar se o acidente fosse causado por Pedro de la Rosa, com o carro da HRT passando em cima da Marussia de Charles Pic e da Caterham de Vitaly Petrov, teria a mesma punição, afinal não envolveu postulantes ao título.

No final, chegamos a uma conclusão: a FIA não tem a menor noção de suas punições. E esse é o problema. Se houvesse um padrão, não questionaríamos o gancho de Grosjean. Como não há, é melhor Charles Pic se cuidar. Se for com ele, um não postulante ao título, talvez não valha nem uma investigação.