Boa parte das movimentações do mercado de pilotos depende da aposentadoria ou não de Michael Schumacher

Nesta segunda parte sobre o mercado de pilotos da F1 2013, veja como Mercedes, Lotus, Williams, Sauber e Force India passaram pelas primeiras corridas do ano e como essas equipes já planejam a próxima temporada.

Merecedes:

No momento, a própria permanência da Mercedes na F1 é incerta. Não muito contente com a discussão sobre o novo Pacto de Concórdia, a montadora alemã já afirmou que pode ficar na categoria apenas como fornecedora de motores a partir de 2014.

De qualquer forma, o planejamento da escuderia para o próximo ano segue atrelado à decisão de Michael Schumacher. Se o heptacampeão decidir continuar correndo, ele é nome certo na equipe. Do contrário, a situação mais provável é a subida de alguém da Force India, como Di Resta, que foi campeão do DTM correndo pela própria Mercedes.

Outro que também já foi especulado nessa vaga foi Felipe Massa, mas isso já faz algum tempo.

Quanto a Nico Rosberg, embora ele sempre seja cotado em uma vaga nas outras grandes equipes, a tendência é que continue na escuderia germânica, afinal ele tem contrato vigente.

Lotus:

A Lotus é a equipe mais valorizada em 2012, tendo conquistado até agora oito pódios. Assim, é natural que a escuderia queira manter a atual dupla, formada por Kimi Raikkonen e Romain Grosejan.

Mas sempre pensando em melhorar, a equipe já sondou Lewis Hamilton, que poderia formar uma dupla interessantíssima com Raikkonen na próxima temporada. Só que isso é bastante improvável.  Em primeiro lugar, o britânico deve seguir na McLaren. E mesmo que ele trocasse de equipe, Kimi seria o substituto ideal, pois é o melhor piloto do grid que não está em um time grande.

Ontem eu falei que o envelhecimento das grandes equipes prejudicou o desenvolvimento dos times medianos. A Lotus foi quem menos sofreu com isso, já que conseguiu trazer Kimi Raikkonen de volta, e o finlandês rapidamente mostrou um bom desempenho. Só que agora o nórdico está valorizado e deve ser a principal opção de McLaren, Ferrari e Mercedes caso precisem cobrir alguma saída.

Se eu fosse o Raikkonen, ia beber aceitava a proposta de uma dessas equipes sem dúvida nenhuma. É claro que o projeto da Lotus é muito legal, mas é algo arriscado, já que a escuderia precisa dar um grande salto de qualidade. Ir para um dos times grandes significa voltar a brigar por vitórias e títulos.

Grosjean, por sua vez, parece o melhor piloto dessa nova geração. Fazendo a primeira temporada completa na F1, o francês já subiu ao pódio em três oportunidades e teve uma boa chance de vencer o GP da Europa, em Valência. Ele se tornou uma boa opção para qualquer equipe e só não fica na Lotus em 2013 caso a equipe consiga aquela improvável parceria entre Kimi e Hamilton.

Apesar de alguns problemas, Bruno Senna está valorizado na F1

Williams

A dupla da Williams se completa. Um piloto é muito rápido e extremamente inconstante, enquanto o outro consegue pontuar seguidamente, mas tem problemas para fazer voltas rápidas. O melhor seria juntar as melhores qualidades de cada um para formarum piloto ideal.

Talvez seja nisso que a equipe aposte. Para melhorar o desempenho ainda mais, Frank Williams pode ter chegado a conclusão que precise de um piloto completo, com o melhor de Senna e Maldonado. No entanto, como o dirigente é um conhecido pão duro, dificilmente ele fará uma contratação de peso.

A escolha mais provável é desenvolver alguém dentro da própria Williams para a vaga de titular. A escuderia parece acreditar que Valtteri Bottas é a melhor opção para o futuro. O finlandês tem um excelente currículo nas categorias de base e já se mostrou bastante rápido nos treinos livres. Talvez ele seja o responsável em guiar o time inglês de volta ao estrelato.

Aí sobra uma vaga. O problema de Senna é que não importa o que ele faça o escolhido será Maldonado. A Williams tem um longo contrato com a PDVSA, garantindo o poder de a petroleira escolher o segundo piloto da escuderia. A menos que Hugo Chávez planeje fazer negócios com o Brasil, o piloto venezuelano deve seguir no time.

Ao mesmo tempo, a saída de Bruno ainda não está consumada. Ele tem feito uma boa temporada – talvez até melhor que a de Maldonado se olharmos apenas os números fora a vitória – e ainda conta com patrocinadores fortes. Ou seja, Bottas precisaria superá-lo tanto em termos de desempenho quanto de investidores. Não será fácil.

E se acontecer de Senna sair da Williams, ele continua valorizado no mercado. Em 2012, ele mostrou que pode pontuar frequentemente, principalmente apostando na tática de uma parada a menos. Ou seja, ele tem conseguido economizar bem os pneus. E isso é importante para qualquer equipe.

E Sergio Pérez, será que ele fica na Sauber em 2013?

Sauber

A Sauber está em uma posição interessante para 2013. Ninguém imaginava que a escuderia suíça fosse fazer uma tremenda temporada neste ano, então todo mundo está de olho nela.

Para começar, Sergio Pérez é constantemente especulado na Ferrari, tendo até superado Kamui Kobayashi como principal nome na escuderia suíça. Depois, a própria vaga do nipônico já começa ser ameaçada, pois Peter Sauber acredita que precise de um piloto de ponta se quiser continuar a evolução da equipe.

Assim, é possível que a dupla de 2013 seja formada por dois novos pilotos, da mesma forma que é totalmente possível a manutenção da parceria Pérez/Kobayashi. De qualquer forma, os nomes ligados à Sauber são Felipe Massa, Heikki Kovalainen, Adrian Sutil, Esteban Gutiérrez e, correndo por fora, Jules Bianchi.

Tirando Sutil, acho que qualquer parceria escolhida pela escuderia é bastante interessante. Mas, em uma eventual saída de Pérez, eu escolheria Felipe Massa e Heikki Kovalainen. A experiência dos dois pode ser fundamental para fazer a equipe crescer, fora que ambos os pilotos podem ter um ganho de rendimento nessa mudança de ares.

O único problema pode ser a ida de James Key para a Toro Rosso. O engenheiro foi apontado como principal responsável pela reestruturação da Sauber, então será interessante ver se haverá queda de rendimento em 2013.

Force India

Depois de trocar um piloto nos últimos anos, a Force India parece ter se acalmado com Paul Di Resta e Nico Hülkenberg. Assim, é provável que essa parceria continue em 2013, embora nenhum tenha contrato garantido para a próxima temporada. Apesar disso, a única chance de mudança é se um dos titulares forem chamados por uma equipe grande (leia-se Paul Di Resta na Mercedes).

Como essa é uma decisão apenas de Schumacher, é difícil especular o futuro da Force India. No caso de precisar substituir Di Resta, a equipe pode fazer uso de algum piloto que sobrar no mercado, ou então promover algum jovem talento. As duas opções mais prováveis são Jules Bianchi (embora haja o conflito de interesses com a Ferrari) e Max Chilton, que já participou de alguns testes.

A escuderia indiana também pode ser uma boa opção para o campeão da GP2 deste ano. Mesmo um contrato de reserva em 2013 e titularidade garantida em 2014 não é de se jogar fora.